A POLÍTICA POPULISTA BRASILEIRA

No Brasil, a política populista, sempre foi uma espécie de democracia colorida, pintada de várias cores. Sabemos perfeitamente o que é uma estrutura de poder no país de líderes demagogos e populistas, um presidente da República não faz o que prometeu. Faz o que pode. Sabe por quê?
Como se sabe, o populismo sempre foi um tumulto de salvação da pátria, como forma de salvar o país, mas nunca deu certo, como se viu: Getúlio Vargas, um autoritário, mas considerado o pai dos pobres, terminou em suicídio; Jânio Quadro, que ia varrer toda sujeira, para o pobre andar em chão limpo, acabou renunciando; Juscelino Kubistchek, através do seu imediatismo, queria o desenvolvimento no subdesenvolvimento acabou indo para exilio; João Goulart, que não queria o dedo do tio Sam no nariz do pobre sofreu um golpe.
Na recuperação da democratização, Collor de Melo, que tinha a meta de acabar com os marajás, para melhor a vida do pobre acabou em impeachment; Luiz Inácio Lula, líder sindical que virou presidente da República, fez aliança com a direita liberal, para defender o pobre, partiu para tudo ou nada, o termo neoliberalismo foi substituído por “neodesenvolvimento”, ou seja, o capitalismo podia resolver o problema da pobreza no país, acabou sendo preso.
Dilma Rousseff que recebeu uma herança política que tinha um alinhamento com os Estados Unidos e tentou mudá-la. Mas dentro de um enredo parecido com o governo Geisel. Como o economista Gianetti afirma: “a diferença é que um foi à dívida externa e outro foi dívida bruta interna.” Então, logo, a confissão de impotência passa a ser virtude realista sofreu impeachment.
Tudo isso, pode presidir da análise de uma afinidade que todos eles têm em comum, entre si, ou seja, dentro do quadro histórico da bolha da corrupção, na política brasileira. E o pior, é o poder do dinheiro ainda sendo convertido em impunidade.
E como podemos questionar isso? É uma ideologia alienante que esses atores populistas representam na política brasileira, desdobra-se numa lógica simplista: a saúde está ruim porque não há recursos, a educação está ruim pelo mesmo motivo. No entanto, eles se tornam alienantes porque encobre a principal causa da falta de recursos para áreas sociais. Ou seja, a corrupção que favorece interesses das elites nacionais e estrangeiras.
Portanto, é uma política a que se rebaixou a categoria do exercício da política a uma prática populista manipuladora, como se a política em si mesma fosse algo negativo e um dos efeitos mais nocivos desse discurso tem sido de contribuir de forma incisiva para o descrédito da política como valor fundamental positivo do regime democrático.
Desse modo, desde a redemocratização, nenhum presidente brasileiro, tratou como prioridade o que teria sido fundamental para garantir ao país, um futuro menos que medíocre da saúde pública e da infraestrutura básica, para população, como saneamento e transporte público, para formar trabalhadores mais produtivos e cidadãos plenos. Estamos em um país em que a metade dos domicílios não tem coleta de esgoto.
Um exemplo claro, da falta de prioridade. Durante o ciclo dos governos petistas, fez-se uma trajetória reformadora do capitalismo, com a criação de um mercado consumidor de massa, ou seja, o capitalismo que podia resolver o problema da pobreza. Mas a lógica dessa política populista, não estava na dinâmica interna do país. Tudo virou em corrupção e impunidade.
E o pior, em momento algum entre muitos leitores, e mesmo entre os jornalistas e articulistas que ajudam criticar a vida social brasileira, não questionam o modelo da política populista. Será que não sabemos de nada, sobre o modelo capitalista de consumo doentio? Ora, a compra do automóvel foi um escândalo, um monte de incentivo para favorecer uma elite, mas a classe pobre que comprava um automóvel era bombardeada pela dívida, como se sabe, ela não podia pagar. Enquanto os transportes públicos foram deixados de lado e deteriorados.
E mais: não atendeu às suas demandas fundamentais, como a reforma agrária, o limite de propriedade da terra, a reforma da previdência, ameaças às populações indígenas, o desmatamento da Amazônia, o trabalho escravo, a desapropriação do latifúndio e a violência urbana.
Tem mais coisa: fortaleceu uma cultura criminosa transferindo dinheiro, para Eilke Batista, a JBS usando o dinheiro do BNDES para fazer campeões nacionais, a Oi, entre outros, que já tinham suas partes podres, mas prestavam serviços o governo. Enfim, foi uma mudança brusca na politica de esquerda, com a visibilidade internacional. O show da corrupção tucana com os aloprados petistas, envolvendo a Petrobrás engendrada dentro das estruturas do poder da corrupção.
O governo Dilma poderia ter consertado os pontos falhos do populismo, mas não fez, foi uma incompetência desastrosa. E agora? Assistimos a continuação do mesmo filme anunciado pelo outro populismo que tem uma visão míope, por dentro da democracia brasileira.
Segundo os grandes pensadores políticos o “despontamento e a rejeição com a politica brasileira, que elegeu o contraditório capitão, raivoso e autoritário Bolsonaro, criou também uma popularidade raivosa”. E Digo: são lideres populistas, tão ruim que o povo não sabe para onde vão lhe levar, porém, intuímos que tal destino não pode ser pior que o atual.
Afinal, tal como alguns anos atrás o Brasil dizia que o petróleo é nosso! Hoje, pode-se mudar dizendo: o voto é nosso! Se não melhorar o bem estar de nossa vida, vamos se manifestar na próxima eleição para a presidência, incluindo outras novas lideranças e a Constituição Brasileira.
Jornalista, Historiador e Crítico Literário.



