DE OLHO NA LÍN GUA - Antonio da Costa

“O que se não deve dizer” ou “O que não se deve dizer”?
Ambas corretas, porém, a expressão mais usada no Português Brasileiro (PB) é a segunda “O que não se deve dizer”.
Em Gramática, esse tipo de colocação pronominal se denomina apossínclise, que é a intercalação de uma ou mais palavras entre o pronome complemento átono e o verbo. O famoso filólogo Cândido de Figueiredo escreveu uma obra intitulada “O que se não deve dizer”.
Explicação: Tanto o advérbio de negação “não” atrai o pronome “se”, como o “que” também atrai o pronome “se”. Portanto, as duas formas estão corretas. Porém, “o que se não deve dizer” é a forma preferida no Português de Portugal (PE). Ficou arcaizada no Português Brasileiro (PB).

Elétrodo X Eletrodo
Há muitas discussões sobre grafia e pronúncia dessa palavra. No Português Brasileiro (PB) devemos escrever e pronunciar elétrodo. No Português Europeu a pronúncia mais julgada é eléctrodo. A grafia/pronúncia eletrodo (paroxítona), assim eletrôdo, é pronúncia coloquial, utilizada na linguagem do dia a dia. Essa pronúncia ficou muito conhecida devido a uma belíssima canção interpretada por Nélson Gonçalves.

“Eu não o vejo a alguns anos” ou “Eu não o vejo há alguns anos”?
Na indicação de tempo decorrido, usa-se impessoalmente o verbo haver. O recurso prático que ajuda a evitar esse erro é muito simples. Na indicação de tempo usa-se sempre “há” quando puder ser substituir por “faz”. Exs.: Ele saiu há (faz) instantes; Ele partiu há (faz) uma hora.
OBS.: Na indicação de futuro ou de espaço entre épocas usa-se a preposição “a”: Estamos a três dias do Natal.

“Por favor, coloque aqui a sua rúbrica” ou “Por favor, coloca aqui a sua rubrica”?
O emprego de rúbrica por rubrica é um exemplo mais comum e um tipo de erro que se deve evitar a todo custo escrever ou pronunciar uma palavra com a sílaba tônica errada. A esse equívoco os gramáticos costumam denominar de silabada. Veja a grafia e a pronúncia de várias palavras que comumente aparecem nos telejornais e emissoras de rádio incorretas: rubrica (brí) Nobel (bél), Eiffel (fel), ruim (ím), recorde (cór), recém (cém), condor (dor), cateter (tér), novel (vel), gratuito (túi), fortuito (túi), descuido (cúi).

Adequar
O verbo adequar, no presente do Indicativo, só apresenta a primeira e a segunda pessoa do plural: nós adequamos; vós adequais. Também não possui o presente do Substantivo e o Imperativo negativo. O Imperativo afirmativo só apresenta a segunda do plural “adequais”. Nas formas falantes desse verbo deve-se utilizar um verbo sinônimo (adaptar, ajustar, apropriar, habituar, acostumar, etc…) ou uma locução verbal (estou adequando, for adequar, etc. Ele é mais utilizado como verbo pronominal adequar-se. Adequar é verbo deceptivo, ou seja, não é conjugado em todas as pessoas.

Advinhar ou adivinhar?
Adivinhar é a forma correta. Grafa-se “i” entre o “d” e o “v”. Adivinhar vem do Latim “divinare”, que significa prever o futuro e é ligado a “divinus” (divino, relativo a um Deus) e “divus” (Deus), pois a capacidade de prever era vista como dom divino.

Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura.

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