EDUCAÇÃO E CIDADANIA •
A Origem do
Beijo na Boca
O beijo na boca tem origens evolutivas profundas, possivelmente surgindo há mais de 21 milhões de anos entre nossos ancestrais primatas, como uma forma de contato não agressivo e transferência de alimento, enquanto os registros históricos mais antigos vêm da Mesopotâmia e Índia (cerca de 1200 a.C. ou 3500 a.C.) onde era parte da intimidade, amor e até mesmo saudações sociais e familiares, popularizado por romanos e gregos, e evoluindo com diferentes significados culturais.
Origens Evolutivas (Primatas)
Ancestral Comum: Cientistas sugerem que o beijo boca-a-boca (não alimentar) era praticado pelo ancestral comum de humanos, chimpanzés e bonobos, há milhões de anos.
Comportamento Antigo: É um traço comportamental antigo, compartilhado por muitos primatas, e provavelmente evoluiu da alimentação “boca-a-boca” de pais para filhos, usando a língua para passar comida pré-digerida, um movimento similar ao beijo de língua.
Registros Históricos (Humanos)
Mesopotâmia e Índia (1200 a.C. ou 3500 a.C.): Textos cuneiformes e poemas hindus (como o Mahabharata) descrevem beijos em contextos românticos, familiares e de amizade, mostrando que não surgiu em um único lugar.
Grécia e Roma Antiga: Era comum em diferentes contextos (social, amoroso, de respeito) e tinha diferentes nomes (Basium, Osculum, Suavium), variando com o status social.
Idade Média e Renascença: A Igreja tentou proibi-lo, mas foi popularizado nas cortes francesas (French Kiss), e na Inglaterra Renascentista era um gesto de cortesia.
Teorias Antropológicas
Cheirar: Alguns antropólogos acreditam que o beijo pode ter evoluído do hábito de cheirar uns aos outros para avaliar a saúde e o bem-estar do outro, uma forma de comunicação química.
Humanos beijam, macacos beijam e até ursos polares beijam. E, agora, pesquisadores do Reino Unido e dos Estados Unidos reconstruíram a origem evolutiva desse enigma.
O estudo sugere que o beijo na boca surgiu há mais de 21 milhões de anos e provavelmente era praticado pelo ancestral comum de humanos e outros grandes símios — primatas de grande porte, como gorilas, chimpanzés, orangotangos e humanos.
A pesquisa concluiu que neandertais — parentes humanos mais próximos, extintos há cerca de 40 mil anos — também podem ter se beijado – e que humanos e neandertais podem até ter trocado beijos. (IA).
O beijo é um enigma evolutivo para os cientistas: não traz benefícios óbvios de sobrevivência ou reprodução, mas aparece em muitas sociedades humanas e no reino animal. Ao identificar outros animais que se beijam, os pesquisadores conseguiram construir uma “árvore genealógica evolutiva” para determinar quando o gesto provavelmente surgiu.
Para comparar o mesmo comportamento entre espécies diferentes, os pesquisadores precisaram definir de forma precisa – e pouco romântica – o que seria um “beijo”.
No estudo, publicado na revista Evolution and Human Behaviour, o beijo foi definido como contato oral-oral não agressivo “com algum movimento dos lábios ou partes da boca e sem transferência de alimento”.
“Humanos, chimpanzés e bonobos [primatas da família dos chimpanzés] todos se beijam”, explicou Matilda Brindle, bióloga evolutiva da Universidade de Oxford e principal autora do estudo. A partir disso, concluiu: “é provável que o ancestral comum mais recente deles também se beijasse”.
O estudo identificou comportamentos que se enquadram na definição científica de beijo em lobos, cães-da-pradaria, ursos polares – que se beijam de forma desordenada, com muita língua – e até albatrozes.
(https://www.bbc.com/portuguese/articles/cm2l52dkk1mo).
Prof. Salmito Campos – (jornalista e radialista).

