Fraternidade e Moradia
Nesta caminhada rumo à Páscoa do Senhor, somos convidados a uma conversão integral, que toca o nosso modo de ser, de pensar e de agir. Nossa conversão incide diretamente também em nosso modo de estar na sociedade. Dessa forma, somos desafiados a conciliar os propósitos pessoais de conversão com as nossas relações humanas e com nosso compromisso com a transformação da sociedade. Nisto se fundamenta a Campanha da Fraternidade (CF), celebrada a cada ano em toda a Igreja no Brasil.
Neste ano, a CF traz como tema “Fraternidade e Moradia”. Um tema que compromete a Igreja e os cristãos com tantos que não têm moradia ou que vivem em moradias inadequadas. O lema é a iluminação bíblica para o tema: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). A referida passagem remete ao centro da fé cristã e é o versículo mais eloquente sobre o mistério da Encarnação. Ao longo deste tempo da Quaresma, refletiremos nos editoriais sobre alguns aspectos importantes da CF 2026.
Em primeiro lugar, é importante recordar a íntima relação que existe entre fé cristã e compromisso social. O próprio Jesus, em sua missão, sempre se fez solidário com os pobres e excluídos, questionando certas estruturas sociais de seu tempo que diminuíam o valor da vida e do ser humano. Por isso, a Igreja envolve-se com questões sociais, ajudando eficazmente na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
A CF, como o nome já sugere, é uma campanha para aperfeiçoar nosso senso de fraternidade. É uma expressão da solidariedade da Igreja em prol da dignidade humana. Neste ano, com o tema da moradia, a CF só será assimilada se entendermos que aqueles que estão privados de moradia ou que moram em moradias precárias não são estranhos a nós, mas são nossos irmãos e irmãs. Tudo parte de um questionamento simples: como eu enxergo o outro que está privado de um direito básico?
“É bom que nos perguntemos: Por que estão sem casa estes nossos irmãos? Não têm um teto, por quê? A pergunta por um teto, uma digna moradia, nasce da fraternidade. Só nos incomoda que alguém esteja privado de um teto, carente de uma moradia digna, se reconhecemos nele um irmão” (Texto-Base, 13). Neste sentido, a CF provoca uma reflexão espiritual que impulsiona para ações concretas.
Com os 24 subsídios produzidos pela equipe da CF, a Igreja não pretende esgotar a questão da moradia, nem resolver de todo o problema, mas sim desencadear um processo de leitura, meditação, oração e ação sobre esta grave questão que desafia nossa fraternidade. O direito à moradia digna é constitucional, mas não é visto como prioridade. A questão vem atrelada à falta de muitos outros bens e serviços essenciais ao nosso povo.
O tema foi proposto pela Pastoral da Moradia e Favela e acolhido por toda a Igreja. É importante que todos os grupos, movimentos e pastorais estejam envolvidos nesta campanha. Reafirma-se o compromisso sinodal com uma Igreja profética e missionária, que se envolve com os dramas da história e encontra nos pobres e excluídos a carne viva do Cristo que mora entre nós.
Destacar: a CF só será assimilada se entendermos que aqueles que estão privados de moradia ou que moram em moradias precárias não são estranhos a nós, mas são nossos irmãos e irmãs.

