POUCAS E BOAS
Subestimada e subutilizada
Daqui a 274 dias, em 4 de outubro de 2026, os brasileiros voltarão às urnas para escolher o próximo presidente da República, bem como governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais no primeiro turno das eleições. Se necessário for, alguns também votarão no segundo turno em 25 de outubro.
É lamentável que, embora vivendo num país tido como democrático, o brasileiro ainda não tenha o direito de abster-se de votar, de prestar serviço militar e de outras ações não consideradas crimes, sem ser apenado pela justiça. Num tremendo paradoxo, a democracia brasileira ainda o “obriga” a muitas coisas.
Por conta disso, o eleitor ainda não pode usufruir de uma das muitas facilidades que a tecnologia pode oferecer. Por exemplo: votar sem a obrigatoriedade de ter de comparecer às sessões eleitorais – Votar pela internet.
Importante lembrar que o voto pela internet reduziria (ou evitaria) elevadas despesas do governo e da população. Além disso, resolveria o problema de quem tem dificuldade de locomoção por causa da idade ou de doença. Também resguardaria o eleitor de alguns riscos, como crimes, assaltos, acidentes e outros fatos lamentáveis, passíveis de acontecer a quem atualmente têm de sair de casa para votar.
Aí, alguém pode até argumentar: “Mas nem toda a população tem acesso à rede mundial de computadores!” Ou: “Muitas pessoas irão votar por outras”. Só que, com tanta tecnologia, fica até difícil de acreditar que não se encontre solução para problemas dessa natureza.
Quanto ao primeiro caso, que, pelo menos, seja facultada a opção àqueles que têm como ficar quites com a Justiça Eleitoral através da internet. Já seria um ganho imenso. Quanto a eliminar a possibilidade de crime eleitoral, com alguém votando por outro, que se estude um meio de personalizar ao máximo o voto. A moderna tecnologia aí está para ser explorada.
Como opção para estudo e análise, um questionário cujas respostas sejam de cunho muito pessoal, já que não mais existirá o limite legal de pouco mais de um minuto para se votar. E que também seja exigido do eleitor mais responsabilidade quanto a seu ato. E mais: que haja efetiva punição para quem burlar essa nova maneira de votar.
Creio que há meios de implantar esse sistema de votação. Especialmente num país pobre (e perigoso!) como o Brasil. Não se pode dar ao luxo de dispensar a excessiva comodidade que a internet disponibiliza.
Não se pode abrir mão dessa importante ferramenta só por causa da ignorância tecnológica e/ou da falta de cidadania e de reponsabilidade de uma parcela da população. Mais ainda quando essa parcela é bem inferior, em número, à que será beneficiada.
Hoje o Brasil se vangloria de ter criado o sistema de voto eletrônico em suas eleições e por isso é admirado pelas demais nações. Agora, só falta deixar de subestimar e subutilizar o que a moderna tecnologia oferece aos seus usuários. Fica novamente a ideia para discussão.
Vai um santinho?
Segundo a Igreja Católica, o Brasil possui oficialmente dois santos: Madre Paulina e Frei Galvão. Imagine se fosse verdadeira a auto-apresentação (ou autocanonização?) dos candidatos no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão! Só dará isso: passado limpo, retidão de caráter, honestidade, solidariedade, trabalho em prol dos pobres, desapego a poder e bens materiais… Imediatamente o Brasil passaria a encabeçar a lista canônica. E haja altar! Só que o de santo de verdade é mais em cima ainda.
Causa de todos
Seria um político que criasse uma lei ou, pelo menos, um projeto que proíba vereadores, deputados e senadores serem eleitos seguidamente por mais de duas vezes. Não é assim que ocorre no caso de presidente, governador e prefeito? Só que também é preciso muita hombridade para legislar em prol da causa de todos. Principalmente sabendo que a vitória cairá nas mãos do outro, neste caso, do povo. Quem se habilita?
Nem pensar
Provavelmente para não perder a grande ajuda dos prefeitos e vereadores em suas campanhas, ou seja, para não perder estes valorosos “cabos eleitorais”, candidatos a presidente, senadores, deputados federais e estaduais e governadores prefiram deixar como está: eleições separadas.
Sobras
Por sua vez, prefeitos e vereadores ficam na deles, pois assim têm mais uma oportunidade de ganhar, ou apenas “barganhar”, mais algumas migalhas que caem da mesa dos colegas do Poder mais alto. Uma mão lava a outra? Pode até ser. Só que nosso povo se suja cada vez mais com a água suja que sobra disso.
Desvirtuando de novo
Como sempre ocorre, já é esperado que as redes sociais farão mais uma vez aflorar a paixão política de muitas pessoas, tidas como ponderadas fora do mundo virtual. Só não se espante ao se deparar com tanta irracionalidade, tanta maldade, tanta baixaria. Aguarde e ver comprovará.
Pode esperar!
Na reta final de campanha muitos internautas irão demostrar falta de educação, de ética, de equilíbro e vomitarão seus ódios e recalques. E mais: tudo em nome da defesa dos seus preferidos ou dos que lhes prometem algo ou pagam migalhas por tão declarado e nojento partidarismo.
Pérolas do Rádio
“O maior poblema é decorar o numo de cada canidato”. Mas problema mesmo é esse colega do microfone não se conscientizar de que precisa respeitar mais os ouvintes e a Língua Portuguesa. CORRIGINDO: “O maior problema é decorar o número de cada candidato”.




