{"id":28383,"date":"2024-02-15T09:49:01","date_gmt":"2024-02-15T12:49:01","guid":{"rendered":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/?p=28383"},"modified":"2024-02-15T09:49:01","modified_gmt":"2024-02-15T12:49:01","slug":"de-olho-na-lingua-79","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/de-olho-na-lingua-79\/","title":{"rendered":"De Olho na L\u00edngua"},"content":{"rendered":"<p><strong>Viemos aqui, nesta hora, expressar nosso agradecimento<\/strong><br \/>\nNeste caso, apresenta-se o uso indevido do verbo vir, interpretado de maneira errada. A express\u00e3o correta \u00e9: Vimos aqui, nesta hora, expressar nosso agradecimento. Observe que ningu\u00e9m diz: Estivemos aqui, nesta hora,&#8230; Diz-se, por\u00e9m, no tempo correto: Estamos aqui, nesta hora,&#8230; Se \u00e9 \u201cnesta hora\u201d que o fato ocorre, ent\u00e3o, o verbo deve estar no presente do indicativo.<\/p>\n<p><strong>Morte e falecimento (qual a diferen\u00e7a?)<\/strong><br \/>\nMORTE serve para todos, indistintamente, velhos e mo\u00e7os.<br \/>\nFALECIMENTO \u00e9 pr\u00f3prio dos que j\u00e1 viveram o bastante, aos quais alguns chamam idosos; outros, senis. Mas a maior parte usa mesmo \u00e9 velhos (que n\u00e3o \u00e9 um termo adequado). S\u00f3 a morte pode ser violenta; o falecimento, ao contr\u00e1rio, exprime apenas um efeito natural. Por isso, ningu\u00e9m \u201cfalece\u201d num violento acidente de autom\u00f3vel, assim como n\u00e3o h\u00e1 \u201cfalecimento\u201d num assassinato. H\u00e1, em ambos os casos, morte.<\/p>\n<p><strong>Suicidar \/ suicidar-se<\/strong><br \/>\nConquanto \u201csui occidare\u201d j\u00e1 significa dizer \u201cmatar a si mesmo\u201d. A l\u00edngua portuguesa registra o verbo suicidar-se. Trata-se, no caso, de um pleonasmo arbitrariamente consagrado. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma incorre\u00e7\u00e3o em dizer: Fulano de tal se suicidou (suicidou-se). O que a l\u00edngua n\u00e3o aceita \u00e9 dizer: Fulano de tal \u201cse suicidou-se\u201d. A\u00ed, j\u00e1 \u00e9 demais&#8230;<\/p>\n<p><strong>Ele acordou cedo (A l\u00edngua cotidiana tem a tend\u00eancia de omitir o pronome)<\/strong><br \/>\nNo sentido de \u201cdespertar\u201d, esse verbo n\u00e3o aceita o pronome reflexivo \u201cse\u201d. N\u00e3o devemos dizer, por exemplo: Ele acordou-se. Ningu\u00e9m acorda a si mesmo; somos sempre despertados, acordados pelo barulho, pela luz, pelo despertador, pelo telefone ou at\u00e9 mesmo pelo fato de havermos dormido o suficiente.<br \/>\nOBS.: No Brasil, por\u00e9m, \u00e9 corrente dizer \u201cacordou-se\u201d, talvez por analogia com \u201clevantou-se\u201d. Observa-se escritores modernos, a exemplo de M\u00e1rio de Andrade, Raul Bopp, Clarice Lispector e outros que assim o utilizaram.<\/p>\n<p><strong>Deitar (Com ou sem pronome?)<\/strong><br \/>\nCom pronome, se usado em frases semelhantes a estas: Deito-me tarde todos os dias; Ele se deitou no ch\u00e3o, e n\u00e3o na cama; Sempre nos deitamos cedo; A que horas voc\u00ea se deita? Deitamo-nos \u00e0 meia-noite; Quando me deito, j\u00e1 caio no sono; Deitei-me um pouco mais tarde ontem.<\/p>\n<p><strong>Estar ao colo X Estar ao colo<\/strong><br \/>\n\u201cESTAR AO COLO\u201d \u00e9 estar ao pesco\u00e7o, ao peito. \u201cESTAR NO COLO\u201d \u00e9 estar nos bra\u00e7os, nas coxas. Assim, um colar ou uma fita pode estar ao colo. Podemos tamb\u00e9m erguer uma crian\u00e7a ao colo, de modo que fique com uma perna de cada lado do pesco\u00e7o. No sert\u00e3o, as mulheres costumam ir ao trabalho levando o filho pequeno ao colo, pr\u00e1tica que, n\u00e3o raro, causa vergadura nas pernas do pobre rebento &#8211; que o estigmatiza, \u00e0s vezes, pelo resto da vida.<br \/>\nUm beb\u00ea pode, assim, estar ao colo ou no colo. De outro lado, n\u00e3o se costuma ver ningu\u00e9m sentado ao colo de ningu\u00e9m. Contudo, caro leitor, \u00e9 fato corriqueiro ver algu\u00e9m estar sentada no colo de outro.<\/p>\n<p><strong>Anivers\u00e1rio natal\u00edcio<\/strong><br \/>\nEm \u201canivers\u00e1rio natal\u00edcio\u201d n\u00e3o h\u00e1 nenhuma redund\u00e2ncia. Um anivers\u00e1rio pode ser n\u00e3o s\u00f3 de nascimento, como tamb\u00e9m de funda\u00e7\u00e3o, de posse, de batizado, de casamento e at\u00e9 de desquite. Ali\u00e1s, este \u00e9 o anivers\u00e1rio que mais se comemora hoje no Brasil. J\u00e1 temos agora o anivers\u00e1rio de div\u00f3rcio. E a vida continua.<br \/>\n(*) Professor Ant\u00f4nio da Costa \u00e9 graduado em Letras Plenas, com Especializa\u00e7\u00e3o em L\u00edngua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acara\u00fa (UVA). Contatos: (088) 99373-7724<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viemos aqui, nesta hora, expressar nosso agradecimento Neste caso, apresenta-se o uso indevido do verbo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":17923,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[11,12],"tags":[],"class_list":["post-28383","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-de-olho-na-lingua"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/DE-OLHO-NA-LIN-GUA-Antonio-da-Costa.jpg","jetpack-related-posts":[{"id":11010,"url":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/de-olho-na-lingua-33\/","url_meta":{"origin":28383,"position":0},"title":"De Olho na L\u00edngua","author":"","date":"Mar\u00e7o 2, 2020","format":false,"excerpt":"O aluno ficou de recupera\u00e7\u00e3o Diga-se: \u201cO aluno ficou para recupera\u00e7\u00e3o\u201d, com a preposi\u00e7\u00e3o \u201cde\u201d, e n\u00e3o com a preposi\u00e7\u00e3o \u201cde\u201d, que \u00e9 a que a maioria dos pais dos alunos diz: Meu filho ficou de recupera\u00e7\u00e3o. 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