{"id":29760,"date":"2024-06-24T20:32:54","date_gmt":"2024-06-24T23:32:54","guid":{"rendered":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/?p=29760"},"modified":"2024-06-24T20:32:54","modified_gmt":"2024-06-24T23:32:54","slug":"de-olho-na-lingua-91","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/de-olho-na-lingua-91\/","title":{"rendered":"De Olho na L\u00edngua"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEu sou um homem que vivo honestamente\u201d ou \u201cEu sou um homem que vive honestamente\u201d?<br \/>\nAmbas corretas. Explica-se: quando o antecedente do relativo \u201cque\u201d for um nome em fun\u00e7\u00e3o predicativa ao verbo \u201cser\u201d, o verbo pode concordar com o sujeito da ora\u00e7\u00e3o antecedente ou com o predicativo. Ex.: \u201cSomos um povo que trabalhamos\u201d ou \u201cSomos (n\u00f3s) um povo que trabalha\u201d.<br \/>\nA esse respeito, o ilustre Professor Carlos G\u00f3is faz a seguinte observa\u00e7\u00e3o em seu magn\u00edfico livro Sintaxe de Concord\u00e2ncia (1\u00aa edi\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o e propriedade do autor, P\u00e1g.75): \u201cOs melhores autores fazem a concord\u00e2ncia com o sujeito da ora\u00e7\u00e3o antecedente, e n\u00e3o com o predicativo antecedente do \u201cque\u201d; Ex.: \u201cSou um homem pobre que vivo nestes campos\u201d (M. Bernardes); \u201cSou um homem que ainda n\u00e3o vendi a consci\u00eancia\u201d (J\u00falio Ribeiro)\u201d.<\/p>\n<p>Mostrengo ou monstrengo?<br \/>\nH\u00e1 quem condene &#8211; n\u00e3o sei com que autoridade &#8211; a grafia monstrengo. Ambas as formas prestam-se para definir algo disforme, coisa sem produ\u00e7\u00e3o, trambolho. Ex.: Um projeto posti\u00e7o, um monstrengo, um trambolho. O mesmo se diz para \u201cdemonstrar\u201d e \u201cdemostrar\u201d.<\/p>\n<p>Muito d\u00f3<br \/>\n\u201cMuito d\u00f3\u201d \u00e9 a forma correta, e n\u00e3o a preferida pelo povo \u201cmuita d\u00f3\u201d. D\u00f3 \u00e9 substantivo masculino.<\/p>\n<p>\u201cE que tudo mais v\u00e1 para o inferno\u201d<br \/>\nDiga corretamente: \u201cE que tudo o mais v\u00e1 para o inferno\u201d. O artigo \u00e9 obrigat\u00f3rio nessa express\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs times mineiros v\u00eam numa crescente\u201d<br \/>\nDiga corretamente: \u201cOs times mineiros v\u00eam num crescente\u201d. O artigo indefinido \u201cum\u201d deve concordar com a palavra \u201ccrescente\u201d, que \u00e9 do g\u00eanero masculino.<\/p>\n<p>\u201cVendem-se carros novos e semi-novos\u201d<br \/>\nEscreva corretamente: Vendem-se carros novos e seminovos. O Novo Acordo Ortogr\u00e1fico extinguiu o h\u00edfen na palavra seminovo.<\/p>\n<p>Fulano entra; Siclano sai. Isso aqui est\u00e1 uma bagun\u00e7a<br \/>\nFulano entra; Sicrano sai. Isso aqui est\u00e1 uma bagun\u00e7a. Lembre-se: Fulano, Sicrano, Beltrano.<\/p>\n<p>Vou estar enviando um livro amanh\u00e3<br \/>\nEsse \u00e9 o danado do gerundismo. Diga somente: Vou enviar o livro amanh\u00e3 ou enviarei o livro amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Obsoleto (pron\u00fancia)<br \/>\nO termo \u00e9 sin\u00f4nimo de arcaico, antigo, antiquado, fora do uso ou que caiu em desuso. Tanto pode ser pronunciado \u201cobsol\u00e9to\u201d como \u201cobsol\u00eato\u201d. Os brasileiros gostamos da segunda: obsol\u00eato. O acento est\u00e1 s\u00f3 indicando a pron\u00fancia. N\u00e3o existe na grafia<\/p>\n<p>Nunca jamais<br \/>\nA express\u00e3o \u201cnunca jamais\u201d n\u00e3o \u00e9 express\u00e3o pleon\u00e1stica. Trata-se de uma negativa enf\u00e1tica aceit\u00e1vel e encontra pe\u00e7a at\u00e9 em escritores cl\u00e1ssicos. Exs.: \u201cNingu\u00e9m nunca jamais a reconhece\u201d (Rui Barbosa); \u201c&#8230; Nunca jamais foi nem sequer aberto\u201d (Castilho); \u201cGostava muito das nossas antigas dobras de ouro, e eu levava-lhe quantas possa obter; Marcela juntava-as todas dentro de uma caixinha de ferro, cuja chave ningu\u00e9m nunca jamais soube onde ficava; escondia-a por medo dos escravos.\u201d (Machado de Assis).<br \/>\nOBS.: No Portugu\u00eas, esse ac\u00famulo de adv\u00e9rbios tornou-se arcaico.<\/p>\n<p>Jaboti ou jabuti<br \/>\nAs duas grafias existem na L\u00edngua Portuguesa. As formas tem apoio dos dicion\u00e1rios Houaiss e Aur\u00e9lio. A forma feminina \u00e9 jabota, que n\u00e3o deve ser confundida com jabutia &#8211; uma variedade de ip\u00ea. Em tempo: oficialmente s\u00f3 existe a forma jabuti.<\/p>\n<p>Jabuticaba ou jaboticaba<br \/>\nAmbas corretas. Jaboticaba \u00e9 uma frutinha.<\/p>\n<p>(*) Professor Ant\u00f4nio da Costa \u00e9 graduado em Letras Plenas, com Especializa\u00e7\u00e3o em L\u00edngua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acara\u00fa (UVA). Contatos: (088) 99373-7724<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu sou um homem que vivo honestamente\u201d ou \u201cEu sou um homem que vive honestamente\u201d?&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":17923,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-29760","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-de-olho-na-lingua"],"jetpack_publicize_connections":[],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/DE-OLHO-NA-LIN-GUA-Antonio-da-Costa.jpg",180,200,false],"thumbnail":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/DE-OLHO-NA-LIN-GUA-Antonio-da-Costa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/DE-OLHO-NA-LIN-GUA-Antonio-da-Costa.jpg",180,200,false],"medium_large":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/DE-OLHO-NA-LIN-GUA-Antonio-da-Costa.jpg",180,200,false],"large":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/DE-OLHO-NA-LIN-GUA-Antonio-da-Costa.jpg",180,200,false],"1536x1536":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/DE-OLHO-NA-LIN-GUA-Antonio-da-Costa.jpg",180,200,false],"2048x2048":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/DE-OLHO-NA-LIN-GUA-Antonio-da-Costa.jpg",180,200,false],"covernews-featured":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/DE-OLHO-NA-LIN-GUA-Antonio-da-Costa.jpg",180,200,false],"covernews-medium":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/DE-OLHO-NA-LIN-GUA-Antonio-da-Costa.jpg",180,200,false]},"author_info":{"info":["adminredacao"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/category\/de-olho-na-lingua\/\" rel=\"category tag\">De olho na l\u00edngua<\/a>","tag_info":"De olho na l\u00edngua","comment_count":"0","jetpack_featured_media_url":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/DE-OLHO-NA-LIN-GUA-Antonio-da-Costa.jpg","jetpack-related-posts":[{"id":32339,"url":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/de-olho-na-lingua-114\/","url_meta":{"origin":29760,"position":0},"title":"De Olho na L\u00edngua","author":"adminredacao","date":"Janeiro 27, 2025","format":false,"excerpt":"\u201cFui eu que\u201d ou \u201cFui eu quem\u201d? 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