{"id":33642,"date":"2025-05-05T14:27:41","date_gmt":"2025-05-05T17:27:41","guid":{"rendered":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/?p=33642"},"modified":"2025-05-05T14:27:49","modified_gmt":"2025-05-05T17:27:49","slug":"herculano-costa-comenta-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/herculano-costa-comenta-4\/","title":{"rendered":"Herculano Costa Comenta"},"content":{"rendered":"<p><strong>Trabalho: castigo ou dignidade?<\/strong><\/p>\n<p>O m\u00eas de maio come\u00e7a com uma data de muita significa\u00e7\u00e3o para todos n\u00f3s. Dia 1\u00b0 de Maio, Dia do Trabalho ou, como queiram, Dia do Trabalhador. Nesta primeira mat\u00e9ria de nossa participa\u00e7\u00e3o, vamos, ent\u00e3o, falar do tema trabalho. Neste sentido, abordaremos dois aspectos fundamentais: o enfoque m\u00edstico e o sociol\u00f3gico do termo trabalho. Mas, tamb\u00e9m, abordaremos outros enfoques correlatos.<br \/>\nComo primeiro passo vamos examinar a quest\u00e3o m\u00edstica, a come\u00e7ar pelos tempos primordiais do entendimento humano.<br \/>\nAtrav\u00e9s de textos b\u00edblicos descritos no Antigo Testamento, sabe-se que\u00a0o trabalho foi dado por Deus, em forma de castigo, aos primeiros seres humanos, como puni\u00e7\u00e3o, pela desobedi\u00eancia deles, ap\u00f3s fazerem uso de \u201calgo proibido\u201d. \u201cCom o suor do teu rosto comer\u00e1s o teu p\u00e3o, at\u00e9 que voltes \u00e0 terra, visto que dela\u00a0fostes tu tirado; porque tu \u00e9s p\u00f3 e ao p\u00f3 voltar\u00e1s\u201d (G\u00eanesis 3: 19). Ou seja, maldi\u00e7\u00e3o sentenciada pela Divindade Criadora, a partir da li, at\u00e9 a morte. E com isso, tamb\u00e9m estabelecendo a finitude da criatura humana.<br \/>\nPor\u00e9m, de acordo com posterior compreens\u00e3o e vis\u00e3o crist\u00e3,\u00a0o trabalho n\u00e3o foi dado pela Entidade Divina, como castigo, mas, sim, como forma de dignificar o homem, e, de ele poder participar do plano de amor de Deus, com obedi\u00eancia, humildade e resigna\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEtimologicamente falando, a palavra trabalho tem origem no termo em latim tripalium, que, literalmente, significa \u201ctr\u00eas paus\u201d.<br \/>\nNa antiguidade, dois instrumentos recebiam o nome de tripalium: Um deles, uma esp\u00e9cie de trip\u00e9, destinado a imobilizar animais de grande porte, para escornear (tirar-lhes os chifres), castrar ou marcar.<br \/>\nEm dado tempo, o objeto tripalium foi adaptado para uso em seres humanos, tornando-se instrumento de maus tratos, de castigo, de tortura, em seres considerados \u201cindignos\u201d, malfeitores, escravos etc. Aqui, um objeto, cujo uso promovia sofrimento.<br \/>\nO outro instrumento (tripalium), era um artefato de madeira, formado por uma haste robusta, de onde pendiam tr\u00eas pontas afinadas, para fins de sulcar a terra que se destinava ao plantio de milho e trigo. \u00c0 \u00e9poca foi o primeiro instrumento utilizado na agricultura. Neste caso, um objeto de a\u00e7\u00e3o com finalidade dignit\u00e1ria.<br \/>\nGramaticalmente falando, a partir do substantivo trabalho (tripalium = trabalho) vem o seu verbo cognato trabalhar (tripaliare). No caso, fazer uso do trabalho (tripalium -&gt; tripaliare)\u00a0trabalhar, no sentido que hoje damos \u00e0 palavra, a conota\u00e7\u00e3o \u00e9 do fazer digno, ou seja, trabalho igual a dignidade.<br \/>\nAssim, pode-se destacar que o trabalho, tanto no sentido \u201ccastigo\u201d, quanto no aspecto \u201cdignidade\u201d \u00e9 t\u00e3o antigo quanto o homem. Pois este, sempre se utilizou de suas m\u00e3os como instrumento de labor e de luta, por uma sobreviv\u00eancia digna.<br \/>\nTrabalhar, (tripaliare), sempre teve, assim, um significado pr\u00f3ximo ao que tem hoje, associado \u00e0 ideia de labor, e n\u00e3o de sofrimento. Uma atividade que, desde o princ\u00edpio, permitiu ao homem subsistir com a dignidade do suor do seu rosto, como na exorta\u00e7\u00e3o b\u00edblica.<br \/>\nDe outro modo, quando o homem come\u00e7ou a se reunir em tribos iniciaram-se as lutas pelo poder e dom\u00ednio, onde os perdedores (dominados) tornavam-se prisioneiros dos vencedores (poderosos), surgindo, desta forma, a domina\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, a escravid\u00e3o, o trabalho escravo, os maus tratos etc.<br \/>\nA m\u00e3o de obra escrava, caracterizada pela submiss\u00e3o dos escravos aos seus senhores, era uma forma de trabalho. No entanto, n\u00e3o havia recompensa justa, remunera\u00e7\u00e3o honesta, pagamento digno, em troca do trabalho prestado. Tampouco havia uma jornada de trabalho pr\u00e9-definida. A rela\u00e7\u00e3o do escravo com seu senhor\/propriet\u00e1rio era como uma mercadoria e seu dono, n\u00e3o havendo, assim, como se falar em direito do trabalho. (continua, na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalho: castigo ou dignidade? 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