{"id":35761,"date":"2025-09-29T09:25:43","date_gmt":"2025-09-29T12:25:43","guid":{"rendered":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/?p=35761"},"modified":"2025-09-29T09:25:43","modified_gmt":"2025-09-29T12:25:43","slug":"de-olho-na-lingua-136","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/de-olho-na-lingua-136\/","title":{"rendered":"De Olho na L\u00edngua"},"content":{"rendered":"<p>Que horas come\u00e7a o jogo?<br \/>\nPergunta boa? N\u00e3o. Por qu\u00ea? Porque falta a preposi\u00e7\u00e3o \u201ca\u201d no in\u00edcio da frase. Por isso, caro leitor, pergunte sempre assim que \u00e9 muito mais elegante: A que horas come\u00e7ar\u00e1 o jogo? Afinal, uma eventual resposta a essa pergunta vem assim: O jogo come\u00e7ar\u00e1 ao meio-dia (ou a uma hora ou \u00e0s duas horas.<\/p>\n<p>Proeminente = Preeminente?<br \/>\nMuitos usam proeminente como sin\u00f4nimo de preeminente, mas o fazem o inadequadamente. Proeminente (= saliente, arredondado) usa-se no aspecto f\u00edsico. Exs.: Barriga proeminente (saliente), nariz proeminente ((saliente), dentes proeminentes (salientes). Preeminente (= not\u00e1vel, distinto, nobre). Usa-se no aspecto moral. Exs.: Machado de Assis foi um escritor preeminente; pol\u00edtico preeminente&#8230; ser\u00e1 que esse tipo de pol\u00edtico ainda existe?<\/p>\n<p>C\u00f4co da Bahia \/ Coco-da Bahia \/ Coco da ba\u00eda \/ Coco-da-ba\u00eda<br \/>\nA grafia correta \u00e9: coco-da-ba\u00eda (coco, separada por h\u00edfen e Baia tem a letra h).<\/p>\n<p>Via L\u00e1ctea ou Via L\u00e1tea?<br \/>\nAmbas s\u00e3o corretas, mas sempre sem h\u00edfen. Via L\u00e1ctea = Via de leite.<br \/>\nSeu requerimento foi deferido favoravelmente<br \/>\nDiga-se corretamente: Seu requerimento foi deferido. Porque se foi deferido foi favoravelmente.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a can\u00e7\u00e3o que eu mais gosto<br \/>\nDiga-se: Esta \u00e9 a can\u00e7\u00e3o de que mais gosto. Porque quem gosta, gosta de alguma coisa.<\/p>\n<p>Acabem-se com as exce\u00e7\u00f5es<br \/>\nDiga-se: Acabe-se com as exce\u00e7\u00f5es. Sendo o seu sujeito indeterminado, o verbo acabar deve ficar no singular.<\/p>\n<p>Vende-se apartamentos<br \/>\nDiga-se: Vendem-se apartamentos. O \u201cse\u201d, sendo part\u00edcula apassivadora, o verbo concorda com o sujeito paciente. Veja na voz ativa: apartamentos s\u00e3o vendidos. Podemos construir tamb\u00e9m assim: \u201cVende-se apartamento\u201d, que equivale a: apartamento \u00e9 vendido.<\/p>\n<p>Ainda restam-me muitas for\u00e7as<br \/>\nDiga-se: Ainda me restam muitas for\u00e7as. \u201cAinda\u201d atrai o pronome determinando a pr\u00f3clise. Ainda \u00e9 adv\u00e9rbio de tempo.<\/p>\n<p>Este trabalho est\u00e1 melhor feito que o outro<br \/>\nDiga-se: Este trabalho est\u00e1 mais bem feito que (ou, do que) o outro. Antes de adjetivo oriundo do partic\u00edpio passado, emprega-se o comparativo anal\u00edtico.<\/p>\n<p>Precavenham-se contra os lar\u00e1pios<br \/>\nDiga-se: Previnam-se (acautelem-se) contra os lar\u00e1pios. O verbo precaver-se s\u00f3 se usa nas formas rizot\u00f4nicas.<br \/>\nCansou-se de bater na porta<br \/>\nDiga-se: Cansou-se de bater \u00e0 porta. Bater na porta s\u00f3 se quiser castigar a porta, surr\u00e1-la.<\/p>\n<p>Nenhum deles atreveu-se a falar<br \/>\nDiga-se: Nenhum deles se atreveu a falar. Nas frases negativas o pronome deve anteceder o verbo.<\/p>\n<p>Quero certificar-lhe que seu pedido foi indeferido<br \/>\nDiga-se: Quero certific\u00e1-lo de que seu pedido foi indeferido. O verbo certificar pede objeto direto de pessoa e indireto de coisa.<\/p>\n<p>Fazem dez anos que tal fato acontece<br \/>\nDiga-se: Faz dez anos que tal fato acontece. O verbo fazer indicando tempo decorrido \u00e9 impessoal.<\/p>\n<p>Uma bliz, duas blitze<br \/>\nTrata-se de uma palavra alem\u00e3 em franco uso no Portugu\u00eas do Brasil. Da\u00ed o modo estranho com que forma o plural. Significa batida policial de improviso e com grande aparato. Ex.: A blitz pegou o criminoso de surpresa; V\u00e1rias blitze foram realizadas na regi\u00e3o em busca de traficantes. N\u00e3o esque\u00e7a: O singular \u00e9 blitz; o plural, blitze (sem \u201cs\u2019 final).<br \/>\n(*) Professor Ant\u00f4nio da Costa \u00e9 graduado em Letras Plenas, com Especializa\u00e7\u00e3o em L\u00edngua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acara\u00fa (UVA). Contatos: (088) 99373-7724.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que horas come\u00e7a o jogo? Pergunta boa? N\u00e3o. Por qu\u00ea? 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