{"id":36250,"date":"2025-11-12T15:38:31","date_gmt":"2025-11-12T18:38:31","guid":{"rendered":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/?p=36250"},"modified":"2025-11-12T15:38:31","modified_gmt":"2025-11-12T18:38:31","slug":"de-olho-na-lingua-140","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/de-olho-na-lingua-140\/","title":{"rendered":"De Olho na L\u00edngua"},"content":{"rendered":"<p>Gostaria de saber a origem das palavras cad\u00e1ver e defunto<br \/>\n\u00c9 a curiosidade da leitora Ana Cl\u00e1udia. Vamos l\u00e1! A palavra \u201ccad\u00e1ver\u201d j\u00e1 me foi explicado como sendo a jun\u00e7\u00e3o das s\u00edlabas iniciais da express\u00e3o em Latim \u201ccaro data vermibus\u201d (carne dada aos vermes). Mas veja s\u00f3 o resultado da etimologia popular: muitas vezes vi por a\u00ed essa explica\u00e7\u00e3o, quando ela n\u00e3o \u00e9 verdadeira. A palavra cad\u00e1ver vem de \u201ccadere\u201d (cair), coisa que a pessoa, quando se torna o cad\u00e1ver, costuma fazer.<br \/>\nJ\u00e1 a palavra defunto vem do Latim \u201cdefungor\u201d (executar, cumprir, pagar, terminar com). No caso, veio da express\u00e3o \u201cvita defungi\u201d (morrer, com o sentido de completar o tempo de vida). Ex.: Em um amor um homem \u00e9 apenas um cad\u00e1ver em f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Dormit\u00f3rios<br \/>\nDo Grego koimeterion = dormit\u00f3rio; pelo latim coemeterium. A palavra cemit\u00e9rio etimologicamente significa \u201clugar onde se dorme\u201d. Por a\u00e7\u00e3o de malfeitores, os campos santos v\u00eam perdendo a peculiaridade de locais para sossego e repouso eterno. \u00c9 hora de os vivos acordarem e exigirem mais respeito \u00e0 casa dos mortos, que tamb\u00e9m ser\u00e1 sua derradeira morada.<\/p>\n<p>Morte e falecimento (qual a diferen\u00e7a?)<br \/>\nMORTE serve para todos, indistintamente, velhos e mo\u00e7os.<br \/>\nFALECIMENTO \u00e9 pr\u00f3prio dos que j\u00e1 viveram o bastante, aos quais alguns chamam idosos; outros, senis. Mas a maior parte usa mesmo velhos (que n\u00e3o \u00e9 um termo adequado). S\u00f3 a morte pode ser violenta; o falecimento, ao contr\u00e1rio, exprime apenas um efeito natural. Por isso, ningu\u00e9m \u201cfalece\u201d num violento acidente de autom\u00f3vel, assim como n\u00e3o h\u00e1 \u201cfalecimento\u201d num assassinato. H\u00e1, em ambos os casos, morte.<\/p>\n<p>Necr\u00f3psia \/ bi\u00f3psia<br \/>\nNecropsia tamb\u00e9m vem do grego \u201cnecro\u201d (morte, morto ou cad\u00e1ver) + \u201copsia\u201d (a\u00e7\u00e3o de examinar ou ver). Para Domingos Paschoal Cegalla, aut\u00f3psia \u00e9 um termo usado impropriamente em Medicina Legal em vez de necr\u00f3psia, que \u00e9 a per\u00edcia feita em cad\u00e1ver para apurar a causa do \u00f3bito (causa mortis).<\/p>\n<p>Missa de S\u00e9timo Dia<br \/>\nApesar de ser assim anunciada, a express\u00e3o casti\u00e7a \u00e9: Missa do s\u00e9timo dia. Quando o substantivo \u00e9 determinado, usa-se o artigo obrigatoriamente. Ademais, antes de numeral ordinal n\u00e3o se deixa de empregar o artigo. Exs.: Comi o segundo bife; Estamos no s\u00e9timo andar; Procure ler o quarto cap\u00edtulo. Por isso \u00e9 que temos de usar o artigo, ainda nessas express\u00f5es: Comemora\u00e7\u00f5es do primeiro anivers\u00e1rio; Missa do trig\u00e9simo dia; Supletivo do Primeiro e do Segundo Graus (Grau), al\u00e9m de outras. Pois, ent\u00e3o, n\u00e3o se diz \u201cmissa do primeiro anivers\u00e1rio, missa do s\u00e9timo anivers\u00e1rio?\u2019\u2019 Por que, ent\u00e3o, dizer \u201cmissa de s\u00e9timo dia?\u201d<\/p>\n<p>Matar \/ Assassinar<br \/>\nConv\u00e9m n\u00e3o confundir. Matar \u00e9 dar (intencionalmente ou n\u00e3o) a morte a algu\u00e9m; \u00e9 tirar (propositadamente ou n\u00e3o) a vida de algu\u00e9m. Assassinar \u00e9 matar \u00e0 trai\u00e7\u00e3o ou levando enorme vantagem sobre a v\u00edtima. Pode algu\u00e9m matar sem assassinar. Quem assassina, contudo, sempre mata. Os sequestradores assassinam; Um motorista, mesmo mais cuidadoso e experiente, pode matar: basta que algu\u00e9m se atire \u00e0 frente do seu ve\u00edculo em alta velocidade ou mesmo havendo falha mec\u00e2nica no ve\u00edculo.<br \/>\nRepare que as placas de tr\u00e2nsito das nossas rodovias trazem: \u201cN\u00e3o corra, n\u00e3o mate, n\u00e3o morra\u201d. Ao volante, os motoristas n\u00e3o assassinam, a n\u00e3o ser que manifestem inten\u00e7\u00e3o deliberada de faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>(*) Professor Ant\u00f4nio da Costa \u00e9 graduado em Letras Plenas, com Especializa\u00e7\u00e3o em L\u00edngua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acara\u00fa (UVA). Contatos: (088) 99373-7724.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gostaria de saber a origem das palavras cad\u00e1ver e defunto \u00c9 a curiosidade da leitora&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":17923,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[11,12],"tags":[],"class_list":["post-36250","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-de-olho-na-lingua"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/DE-OLHO-NA-LIN-GUA-Antonio-da-Costa.jpg","jetpack-related-posts":[{"id":10836,"url":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/de-olho-na-lingua-31\/","url_meta":{"origin":36250,"position":0},"title":"De Olho na L\u00edngua","author":"","date":"Fevereiro 17, 2020","format":false,"excerpt":"Flagrante \/fragrante Como adjetivo de dois g\u00eaneros, flagrante significa \u201cque foi visto ou registrado no momento em que ocorreu, em que foi feito. 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