{"id":36448,"date":"2025-11-18T14:31:14","date_gmt":"2025-11-18T17:31:14","guid":{"rendered":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/?p=36448"},"modified":"2025-11-18T14:31:14","modified_gmt":"2025-11-18T17:31:14","slug":"por-ary-albuquerque-9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/por-ary-albuquerque-9\/","title":{"rendered":"por Ary Albuquerque"},"content":{"rendered":"<p><strong>Primo<\/strong><\/p>\n<p>Primo hoje em dia \u00e9 diferente. Trata-se como um estranho. No meu tempo de crian\u00e7a, considerava-se primo como quase irm\u00e3o, tal o grau de amizade e proximidade que existiam entre as fam\u00edlias. Muitas vezes passavam-se longas temporadas nas casas dos tios. O conv\u00edvio com os primos era como se fiz\u00e9ssemos parte integrante da fam\u00edlia. Trocava-se o uso das roupas, sapatos, livros escolares e frequentavam-se os mesmos lugares. Os tios substitu\u00edam os pais. Tanto elogiavam como ralhavam com \u00e0 gente. Tem mais: os parentes distantes que estim\u00e1vamos e consider\u00e1vamos, trat\u00e1vamos como primos. Bons tempos!<br \/>\nN\u00e3o se trata de saudosismo. \u00c9 pura realidade!<br \/>\nPassei minha inf\u00e2ncia nas cidades de Iguat\u00fa, Juc\u00e1s e Cari\u00fas.<br \/>\nDemorei mais tempo em Iguat\u00fa, onde existia forte reduto da fam\u00edlia Lima Verde.<br \/>\nMinha av\u00f3 materna descendia dos Lima Verde.<br \/>\nPor conta desse fator todos os primos da vov\u00f3 eram considerados nossos primos. Conservo at\u00e9 hoje amizades daquela \u00e9poca. Os anos n\u00e3o apagaram o bem querer e o tratamento. Continuamos a nos tratar por \u201cprimo\u201d!<br \/>\nLembro como se fosse agora, menino de nove anos.<br \/>\nMor\u00e1vamos perto, na pra\u00e7a principal, a quatro casas um do outro.<br \/>\nMinha prima Ayla Lima Verde era uma menina esperta, inteligente, desinibida e bonita.<br \/>\nSua genitora, ap\u00f3s o almo\u00e7o, reunia a fam\u00edlia na sala de visitas e promovia um sarau de artes.<br \/>\nCantavam, tocavam bandolim e declamavam.<br \/>\nDona Ceci, ex\u00edmia cantora, incutia nos filhos o gosto pelo que \u00e9 belo e prazeroso na vida.<br \/>\nConfesso: tinha Ayla na conta de uma deusa. Pretendia namor\u00e1-la.<br \/>\nTentei, n\u00e3o me quis. Preferiu meu irm\u00e3o mais novo, t\u00ednham a mesma idade, oito anos.<br \/>\nO namoro consistia-se em recados que se mandavam por terceiros.<br \/>\nN\u00e3o havia di\u00e1logo direto entre os envolvidos.<br \/>\nO portador de recados possu\u00eda tr\u00e2nsito livre entre as partes e precisava ser amigo de ambos.<br \/>\nSui generis. N\u00e3o?!<br \/>\nHoje, Ayla est\u00e1 com noventa anos de idade, mas l\u00facida e, ainda, nos comunicamos toda semana atrav\u00e9s do WhatsApp.<br \/>\nComentamos as coisas do cotidiano e do passado.<br \/>\nContinuamos a nos chamar de \u201cprimo\u201d!<br \/>\nEntretanto, os anos passaram.<br \/>\nO tempo deu volta no pr\u00f3prio tempo.<br \/>\nA vida moderna trouxe progressos inimagin\u00e1veis em termos de conforto e praticidade, mas, por outro lado, tirou do ser humano a capacidade de amar oniricamente o nosso semelhante.<br \/>\n\u00c9 importante amar-se as almas das pessoas para satisfa\u00e7\u00e3o e bem-estar do nosso interior.<br \/>\nO mundo hoje est\u00e1 completamente mudado.<br \/>\nCada vez mais materializado.<br \/>\nA globaliza\u00e7\u00e3o transformou nosso planeta numa grande aldeia.<br \/>\nOnde vamos parar?<br \/>\nPergunto-me e n\u00e3o encontro resposta.<br \/>\nCom a chegada da Intelig\u00eancia Artificial, vai haver mudan\u00e7as radicais.<br \/>\n\u00c9 hora de se adequar as novas realidades porque, sen\u00e3o, passaremos a viver extempor\u00e2neos.<br \/>\nMas, n\u00e3o h\u00e1 como negar: saudades do tempo em que nos consider\u00e1vamos primos\u00a0como\u00a0irm\u00e3os&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primo Primo hoje em dia \u00e9 diferente. 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Nela, localizava-se o mercado central, lojas e bodegas e dois bares com bilhares e sinucas, onde serviam bebidas, caf\u00e9, bolos, doces, bombons e tudo mais que fossem guloseimas.\u2026","rel":"","context":"In &quot;Artigos&quot;","block_context":{"text":"Artigos","link":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/category\/artigos\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Ary-Albuquerque.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Ary-Albuquerque.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Ary-Albuquerque.jpeg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Ary-Albuquerque.jpeg?resize=700%2C400&ssl=1 2x"},"classes":[]},{"id":34968,"url":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/ary-albuquerque-2\/","url_meta":{"origin":36448,"position":1},"title":"Ary Albuquerque","author":"adminredacao","date":"Agosto 4, 2025","format":false,"excerpt":"UMA PRIMEIRA COMUNH\u00c3O INUSITADA Eu era menino. 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