{"id":38871,"date":"2026-06-28T12:12:25","date_gmt":"2026-06-28T15:12:25","guid":{"rendered":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/?p=38871"},"modified":"2026-06-28T12:12:25","modified_gmt":"2026-06-28T15:12:25","slug":"de-olho-na-lingua-161","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/de-olho-na-lingua-161\/","title":{"rendered":"De Olho na L\u00edngua"},"content":{"rendered":"<p>\u201cM\u00e1rcio namora Daniela\u201d ou \u201cM\u00e1rcio namora com Daniela\u201d?<br \/>\nA primeira. O verbo namorar \u00e9 transitivo direto em Portugu\u00eas; em italiano, sim, \u00e9 transitivo indireto, mas n\u00f3s falamos portugu\u00eas. Ex.: Aguinaldo namora Rita desde 1995; Jamais namoraria uma garota dessas. A preposi\u00e7\u00e3o \u201ccom\u201d talvez seja usada, tamb\u00e9m, por influ\u00eancia da reg\u00eancia do verbo casar ou, ent\u00e3o, do regime do substantivo namoro. Ex.: Aguinaldo casou com Rita desde 1996; Elisabete est\u00e1 de namoro com Carlos.<\/p>\n<p>Cliente X Fregu\u00eas<br \/>\nCliente \u00e9 a pessoa que utiliza os servi\u00e7os de um profissional liberal. Fregu\u00eas \u00e9 aquele que frequentemente compra coisas numa mesma loja, num mesmo armaz\u00e9m, num mesmo supermercado, etc. ou aquele que costuma ir sempre ao mesmo bar, restaurante, etc. A palavra \u00e9 estrita ao com\u00e9rcio, seja legal, seja ilegal.<br \/>\nAssim, travestis e prostitutas t\u00eam fregueses. Engenheiros, advogados, dentistas, m\u00e9dicos, arquitetos, etc. ou quaisquer outros profissionais liberais t\u00eam clientes, e n\u00e3o fregueses. Jocoso \u00e9 imaginar um advogado dizendo que t\u00eam muitos \u201cfregueses\u201d, embora muitos n\u00e3o vejam jocosidade no oposto: Um comerciante dizer que tem muitos \u201cclientes\u201d. A gra\u00e7a \u00e9 a mesma.<\/p>\n<p>Ladr\u00e3o tinha morto o homem, antes de roub\u00e1-lo<br \/>\nO correto h\u00e1 de ser: O ladr\u00e3o tinha matado o homem, antes de roub\u00e1-lo. \u00c9 erro muito comum o emprego de \u201cmorto\u201d, partic\u00edpio irregular do verbo morrer, por matado, partic\u00edpio do verbo matar.<br \/>\nSe substituirmos morto por morrido, ambos partic\u00edpios do verbo morrer, ter\u00edamos a frase \u201cO ladr\u00e3o tinha morrido&#8230;\u201d. Mas pode algu\u00e9m morrer outro? Evidentemente que n\u00e3o. Um indiv\u00edduo pode matar outro, mas morr\u00ea-lo seria demais. Diga-se, pois: O ladr\u00e3o tinha matado o homem, antes de roub\u00e1-lo.<\/p>\n<p>No quintal, havia um p\u00e9 de laranjeira<br \/>\nLaranjeira j\u00e1 significa a \u201c\u00e1rvore de laranjas\u201d. P\u00e9 de \u201cfruta\u201d significa \u00e1rvore que d\u00e1 tal \u201cfruta\u201d. Diga-se: No quintal, havia um p\u00e9 de laranja. P\u00e9 de laranja \u00e9 uma catacrese. Ou usamos p\u00e9 de goiaba ou goiabeira; p\u00e9 de laranja ou laranjeira, sem misturar.<\/p>\n<p>Janta X Jantar<br \/>\nJanta \u00e9 derivado do verbo jantar; (O) jantar, substantivo feminino. Exs.: A janta era \u00e0s 19 horas\/ Foram depois para a sala da janta, e ele n\u00e3o falava (Jos\u00e9 Lins do Rego, Fogo Morto, p\u00e1g.249). Janta \u00e9 palavra de uso vulgar, mas de boa forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o devendo, por isso, ser impugnada. Se de ca\u00e7ar se derivou ca\u00e7a, e de pescar pesca, o substantivo pesca, \u00e9 perfeitamente l\u00edcito de jantar se derive janta.<\/p>\n<p>Dolo (\u00f3) &#8211; Incesto (\u00e9)<br \/>\nA palavra dolo (\u00f3), a qual significa ato consciente, ou inten\u00e7\u00e3o, com que se induz, mant\u00e9m ou confirma outrem num erro, m\u00e1-f\u00e9, tem o primeiro \u201c\u00f3\u201d bem aberto. Ex.: N\u00e3o houve dolo (\u00f3) naquela atitude. Incesto (\u00e9) significa uni\u00e3o il\u00edcita&#8230; A pron\u00fancia do \u2018e\u2019 aberta. N\u00e3o tem nada a ver com cesto. No Portugu\u00eas contempor\u00e2neo essas pron\u00fancias n\u00e3o s\u00e3o seguidas \u00e0 risca.<\/p>\n<p>Ensinar \/ Ensinar \/ Instruir<br \/>\nConv\u00e9m n\u00e3o confundir. EDUCAR \u00e9 promover o desenvolvimento das faculdades f\u00edsicas, morais ou intelectuais de algu\u00e9m. \u00c9 dever dos pais e obriga\u00e7\u00e3o do Estado. ENSINAR \u00e9 transmitir conhecimentos a algu\u00e9m, por meio de li\u00e7\u00f5es. \u00c9 obriga\u00e7\u00e3o do professor. INSTRUIR \u00e9 preparar algu\u00e9m por um m\u00e9todo sistem\u00e1tico, a fim de deixar pronto para agir, para servir \u00e0 sociedade. \u00c9 obriga\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>(*) Professor Ant\u00f4nio da Costa \u00e9 graduado em Letras Plenas, com Especializa\u00e7\u00e3o em L\u00edngua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acara\u00fa (UVA). Contato: (088) 99373-7724.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cM\u00e1rcio namora Daniela\u201d ou \u201cM\u00e1rcio namora com Daniela\u201d? A primeira. 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