{"id":39686,"date":"2026-08-24T11:06:21","date_gmt":"2026-08-24T14:06:21","guid":{"rendered":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/?p=39686"},"modified":"2026-08-24T11:06:21","modified_gmt":"2026-08-24T14:06:21","slug":"de-olho-na-lingua-169","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/de-olho-na-lingua-169\/","title":{"rendered":"De Olho na L\u00edngua"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o confunda falar com dizer<br \/>\nFalar \u00e9 simplesmente exprimir pela voz. Qualquer pessoa, em n\u00e3o sendo muda, fala. Um papagaio fala; uma crian\u00e7a de tenra idade fala; a maioria dos pol\u00edticos fala em demasia. Dizer \u00e9 expressar por meio de palavras (faladas ou escritas). Nem todo o mundo \u201cdiz\u201d, caro leitor; a maior parte dos pol\u00edticos, principalmente.<br \/>\nH\u00e1 certo tipo de pessoas que falam, falam, falam, mas n\u00e3o dizem coisa nenhuma. Por isso mesmo, o verbo falar n\u00e3o deve ser usado assim: Ele falou que n\u00e3o ia mexer na Caderneta de Poupan\u00e7a; Ela fala que infla\u00e7\u00e3o vai baixar; Ningu\u00e9m ouve o que ela fala&#8230; Em todas essas frases o verbo \u201cfalar\u201d se substitui com vantagem pelo verbo \u201cfazer\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o como peixe que tem espinho<br \/>\nDiga-se: N\u00e3o como peixe que tem espinha. Muita gente boa confunde espinha com espinho. ESPINHA \u00e9 o nome dado a certas hip\u00f3fises ou emin\u00eancias \u00f3sseas muito salientes. Pe\u00e7a \u00f3ssea do corpo dos peixes que se formam no intervalo das massas musculares e que n\u00e3o possui hom\u00f3logos entre os vertebrados terrestres.<br \/>\nESPINHO \u2013 Estrutura vegetal pontiaguda que difere do ac\u00faleo por estar firmemente preso \u00e0 planta; estrutura aculiforme que recobre o corpo dos animais como o ouri\u00e7o e o porco-espinho.<\/p>\n<p>Recorde (Rec\u00f3rdi)<br \/>\nA pron\u00fancia \u00e0 inglesa \u00e9 \u201cRecord\u201d, mas a nossa l\u00edngua ainda n\u00e3o \u00e9 a inglesa, conforme pensam alguns locutores e rep\u00f3rteres despreparados. Em S\u00e3o Paulo existe uma emissora de r\u00e1dio e televis\u00e3o que se chama Record, escrita \u00e0 inglesa. Nem por isso dizemos R\u00e1dio R\u00e9cord, TV R\u00e9cord. Mas muitos locutores e rep\u00f3rteres do jornalismo brasileiro n\u00e3o conseguem pronunciar \u201crec\u00f3rdi\u201d, embora todos escrevam recorde.<\/p>\n<p>Sou dif\u00edcil de fazer amizade<br \/>\nA frase j\u00e1 se inicia por uma incoer\u00eancia, pois ningu\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil ou f\u00e1cil de coisa alguma. O que \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o \u00e9 a pessoa, mas, sim, a a\u00e7\u00e3o de fazer amizade. Fazer amizade \u00e9 dif\u00edcil para mim. O sujeito dessa frase \u00e9 oracional &#8211; fazer amizade (suj.) e o predicativo \u00e9 \u201cdif\u00edcil\u201d. \u00a0O verbo \u00e9 de liga\u00e7\u00e3o &#8211; \u201cser\u201d ou as estranhas formas: \u00c9-me dif\u00edcil fazer amizade; Fazer amizade me \u00e9 dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Braguilha<br \/>\n\u00c9 a abertura dianteira de veste tipo cal\u00e7a, cal\u00e7\u00e3o ou bermuda. Deve assim ser grafada a palavra. O termo \u201cbarguilha\u201d\u00a0\u00e9\u00a0grafia incorreta. A palavra prov\u00e9m do gaul\u00eas \u201cbracas\u201d (cal\u00e7as). Depois, houve a transforma\u00e7\u00e3o para \u201cbraga\u201d, nascendo, ent\u00e3o, o diminutivo braguilha.<\/p>\n<p>Alparcata<br \/>\nH\u00e1 tr\u00eas formas corretas para a designa\u00e7\u00e3o desta esp\u00e9cie de cal\u00e7ado, cuja sola se ajusta ao p\u00e9 por meio de tiras de couro ou de algum tecido: alpercata (com \u201ce\u201d), alparcata (sem \u201ce\u201d), por dissimila\u00e7\u00e3o e alpargata com \u201cg\u201d. Existem ainda as formas \u201capragata\u201d e \u201calpragata\u201d usadas pelas pessoas incultas. Existe tamb\u00e9m a forma alparca, desusada no Brasil. Alpargata \u00e9 forma\u00e7\u00e3o do basco (vascon\u00e7o)\u00a0\u201cabarca\u201d pelo \u00e1rabe al-bargat.<\/p>\n<p>Por que muitos se referem a Salvador, capital da\u00a0Bahia, como S\u00e3o Salvador?<br \/>\nPorque o Papa J\u00falio III, ao nomear o primeiro bispo da cidade, D. Pero Fernandes Sardinha, escreveu na bula de nomea\u00e7\u00e3o: S\u00e3o Salvador. E acabou ficando.<\/p>\n<p>Qual a express\u00e3o coerente com a \u00edndole da nossa L\u00edngua: a rigor ou em rigor?<br \/>\nA express\u00e3o mais coerente com a \u00edndole da nossa l\u00edngua \u00e9, sem d\u00favida, em rigor, j\u00e1 que a rigor \u00e9 c\u00f3pia do franc\u00eas \u201c\u00e0 la riguer\u201d. Os francesismos, assim como os anglicismos, por\u00e9m, est\u00e3o j\u00e1 arraigados no nosso idioma, que hoje \u00e9 imposs\u00edvel elimin\u00e1-los. Assim, escolha a express\u00e3o que mais lhe conv\u00e9m e use-a sem nenhum receio.<br \/>\n(*) Professor Ant\u00f4nio da Costa \u00e9 graduado em Letras Plenas, com Especializa\u00e7\u00e3o em L\u00edngua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acara\u00fa (UVA). Contato: (088) 99373-7724.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o confunda falar com dizer Falar \u00e9 simplesmente exprimir pela voz. 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