{"id":40424,"date":"2026-10-26T23:51:12","date_gmt":"2026-10-27T02:51:12","guid":{"rendered":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/?p=40424"},"modified":"2026-10-26T23:51:12","modified_gmt":"2026-10-27T02:51:12","slug":"humanizacao-neles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/humanizacao-neles\/","title":{"rendered":"Humaniza\u00e7\u00e3o neles!"},"content":{"rendered":"<p>Comemora-se neste domingo (18) o Dia do M\u00e9dico, que coincide com o Dia de S\u00e3o Lucas, m\u00e9dico, pintor e autor do terceiro Evangelho e do livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos. Era conhecido como \u201cM\u00e9dico Amado\u201d, conforme o ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo na Carta aos Colossenses (Cl 4,14). Nosso reconhecimento, respeito e nossa gratid\u00e3o a esse profissional, que dedica sua vida a minorar sofrimentos, curando doen\u00e7as e possibilitando mais qualidade de vida \u00e0queles que o procuram. E aproveitando a data, retorno a um tema cujo questionamento consciente e equilibrado traz benef\u00edcios para todos.<br \/>\nNos anos 1982\/1984, atuando no BB de Pedreiras (MA), tomei conhecimento de um curioso epis\u00f3dio que nos incita a discutir como anda a rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente. Mesmo tendo muita coisa mudado de l\u00e1 pra c\u00e1, vale a pena conhec\u00ea-lo. Ent\u00e3o, ao caso!<br \/>\nAp\u00f3s enfrentar p\u00e9ssimas estradas num pau-de-arara lotado e aos peda\u00e7os, um humilde agricultor chega num arremedo de hospital de um pequeno munic\u00edpio daquele grande Estado. O long\u00ednquo e desprezado povoado era o local mais pr\u00f3ximo para buscar ajuda.<br \/>\nTrazia consigo uma mulher com dores quase insuport\u00e1veis e ainda teve de enfrentar o mau humor do organizador da fila. Esse demonstrava s\u00f3 ser menos importante que o m\u00e9dico. Mesmo assim, compadeceu-se da situa\u00e7\u00e3o daquele casal. E, ignorando os xingamentos dos que j\u00e1 aguardavam h\u00e1 horas sua vez, introduziu os matutos no gabinete do doutor.<br \/>\nAo entrar\u00a0na salinha, a timidez dos dois aumentou diante da fria recep\u00e7\u00e3o do sisudo m\u00e9dico, que nem respondeu aos seus \u201cbomrdias!\u201d. Continuando de cabe\u00e7a baixa e ignorando a presen\u00e7a do acompanhante, o doutor foi curto e grosso com a mulher ao dizer: \u201cIsso s\u00e3o l\u00e1 horas de sentir dor assim? Vai logo tirando parte da roupa e se trepando naquela cama! Vou rapidinho ver dois pacientes noutras salas e j\u00e1 retorno\u201d. Os matutos obedeceram.<br \/>\nAo voltar, o m\u00e9dico encontrou a mulher seminua, tapando as \u201cpartes\u201d com as m\u00e3os. O homem estava de costas num canto e com os olhos cobertos pelo chap\u00e9u. E um sil\u00eancio profundo reinando naquele cub\u00edculo.<br \/>\nDiante da cena, o escul\u00e1pio n\u00e3o se conteve e bradou: \u201cMuuuuito bonito! Na alcova de casa, voc\u00eas fazem toda sem-vergonhice, toda safadeza sem nenhuma cerim\u00f4nia, n\u00e9? Mas aqui&#8230;\u201d<br \/>\nE antes de ele concluir a frase, o matuto sussurrou ainda de chap\u00e9u na cara e de costas: \u201cMas o poblema, dout\u00f4, \u00e9 que essa mui\u00e9 a\u00ed n\u00e3o \u00e9 a minha. Essa \u00e9 a mui\u00e9 do meu cumpade. S\u00f3 to aqui pruqu\u00ea ele num p\u00f4de vim traz\u00ea ela, dout\u00f4!\u201d. \u00a0E o mal-estar foi geral.<br \/>\nHumaniza\u00e7\u00e3o<br \/>\nPois \u00e9, car\u00edssimo leitor! Independentemente de voc\u00ea acreditar ou n\u00e3o nesse relato, a aus\u00eancia de mais conversa entre as partes mostra claramente uma falha clamorosa na rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente, algo que ainda hoje se constata. Sem d\u00favida, \u00e9 apenas um dos casos que confirmam a necessidade de mais \u201cHUMANIZA\u00c7\u00c3O\u201d em muitos profissionais e em entidades. Outras ocorr\u00eancias poderiam ser citadas, como desaten\u00e7\u00e3o ou tratamento descort\u00eas e, \u00e0s vezes, at\u00e9 desumano com gr\u00e1vidas (parturientes), negros, idosos, deficientes e crian\u00e7as. E especialmente se essas pessoas s\u00e3o iletradas, t\u00edmidas e\/ou que perten\u00e7am a classe menos favorecidas.<\/p>\n<p>Ressalva<br \/>\nObserva-se ser muito reduzido o n\u00famero de profissionais que na atualidade assim agem. Tais comportamentos est\u00e3o em fase de extin\u00e7\u00e3o gra\u00e7as ao exemplo de verdadeiros ap\u00f3stolos da medicina e de \u00e1reas correlatas que tamb\u00e9m existem. \u00c9 not\u00f3ria a contribui\u00e7\u00e3o de campanhas por mais humaniza\u00e7\u00e3o nos hospitais, al\u00e9m da facilita\u00e7\u00e3o do ingresso de pobres nos cursos de medicina, antes monopolizado por ricos.<\/p>\n<p>Causas<br \/>\nO lament\u00e1vel \u00e9 que, demonstrando alguma defici\u00eancia de car\u00e1ter, falta de humildade ou timidez profunda, que \u00e9 cur\u00e1vel, alguns profissionais da sa\u00fade evitam estimular e exercitar o di\u00e1logo aberto, sincero e respeitoso com pacientes. Assim, a conversa em que todos devem ter vez e voz transforma-se num mon\u00f3logo enfadonho. Nele, profissionais insens\u00edveis e de forma\u00e7\u00e3o falha repassam a figura de um quase \u201csemideus\u201d, o que aumenta o medo do paciente e prejudica fortemente a anamnese. E mais: passam a ver o paciente como um frio n\u00famero, um mendigo que depende do seu poss\u00edvel e ef\u00eamero poder de curar alguns males. Esquecem-se, portanto, que est\u00e3o diante de algu\u00e9m constitu\u00eddo de corpo, alma e com muitos sentimentos abalados pelo sofrimento. Sem d\u00favida, agir assim \u00e9 uma clara confiss\u00e3o de debilidade moral, intelectual e crist\u00e3 de tais profissionais.<\/p>\n<p>Semideus \u00e9 pouco<br \/>\nNoutra oportunidade, esse mesmo coment\u00e1rio na Coluna e no r\u00e1dio rendeu-me mensagem nada educada, via WhatsApp, de um conhecido profissional da sa\u00fade local que sentiu ferida sua sensibilidade. Nela, o \u201cdoutor\u201d sugeriu-me conhecer melhor a vida de m\u00e9dico, afirmando que eles n\u00e3o s\u00e3o somente semideuses, n\u00e3o. Em muitos casos s\u00e3o, sim, deuses mesmo, incluindo no rol de apoiadores at\u00e9 quem discorda completamente da sua afirma\u00e7\u00e3o. Da minha parte, ofereci-lhe espa\u00e7o na Coluna e no Programa de R\u00e1dio para que ele ratificasse suas palavras. Pedi permiss\u00e3o para publicar seu desabafo aqui no jornal, no r\u00e1dio e Blog. Mas ele n\u00e3o deu resposta e preferiu o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Resqu\u00edcios<br \/>\nPois bem, \u00e9 direito, sim, de trabalhadores da sa\u00fade dizerem que hoje dificilmente acontecem casos como o dos matutos maranhenses. Respeito isso, mas n\u00e3o somente discordo deles com base nos notici\u00e1rios, como tamb\u00e9m lembro que hoje acontecem coisas at\u00e9 piores. Mas insisto em destacar que \u00e9 muito pequeno o n\u00famero desses eventos, uma vez que \u00e9 proporcional \u00e0 quantidade de maus profissionais. E tamb\u00e9m \u00e9 proporcional ao n\u00famero de pacientes que desconhecem seus direitos ou, conhecendo-os, por eles n\u00e3o lutam.<\/p>\n<p>Balaio<br \/>\n\u00c9 injusto e lament\u00e1vel que muitos bons profissionais estejam sendo confundidos e prejudicados. Apesar de terem a pr\u00e1tica da HUMANIZA\u00c7\u00c3O como algo inerente \u00e0 pr\u00f3pria personalidade, muitos deles v\u00eam sendo equiparados aos demais, julgados de igual forma e irresponsavelmente jogados no mesmo balaio. \u00c9 preciso e \u00e9 dever de justi\u00e7a fazer a distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Maquiagem<br \/>\nInfelizmente, muitos t\u00eam assimilado HUMANIZA\u00c7\u00c3O como se fosse algo que se implanta com reformas nas instala\u00e7\u00f5es prediais, como melhoria de espa\u00e7os, climatiza\u00e7\u00e3o, informatiza\u00e7\u00e3o, equipamentos modernos, cartazes espalhados, jarro de flores, cafezinho, etc. Isso \u00e9 importante; \u00e9, inclusive, necess\u00e1rio. Mas n\u00e3o passa de maquiagem.<\/p>\n<p>Ideal<br \/>\nNo caso de hospitais, observa-se profissionais procurarem manter estreito relacionamento com quase tudo do hospital, menos com o paciente. Debite-se a culpa primeiramente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o familiar do profissional. Em segundo lugar, \u00e0s escolas m\u00e9dicas que ainda se esmeram em apenas capacitar profissionais para curar doen\u00e7as. O ideal seria, tanto em casa como na escola, tamb\u00e9m capacitar pessoas para cuidarem de \u201cpessoas que sofrem\u201d n\u00e3o somente por causa da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Gestos simples<br \/>\nMuitas vezes esse sofrimento \u00e9 minorado, ou at\u00e9 curado, com um olhar generoso, uma palavra consoladora ou de est\u00edmulo. Um simples cumprimento sincero e verdadeiro faz quem se encontra debilitado pela enfermidade sentir-se gente. E isso tem poder incalcul\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por fim<br \/>\nNo meu entender, HUMANIZA\u00c7\u00c3O de verdade \u00e9 algo que tem tudo a ver com gente, mas tamb\u00e9m tem limites pois o profissional \u00e9 humano e requer respeito, reconhecimento e bom tratamento. HUMANIZA\u00c7\u00c3O \u00e9 algo feito por pessoas e para pessoas e que envolve sentimentos, como alegria, tristeza, dor, emo\u00e7\u00e3o, carinho, humildade, solidariedade, altru\u00edsmo&#8230; Enfim, atinge-se a plenitude da HUMANIZA\u00c7\u00c3O quando se procura cumprir o primeiro e mais importante Mandamento: \u201cAmar a Deus sobre todas as coisas e ao pr\u00f3ximo como a si mesmo\u201d.<br \/>\nLamentavelmente, muita gente s\u00f3 vai assimilar o que \u00e9 a verdadeira HUMANIZA\u00c7\u00c3O e passar a pratic\u00e1-la quando experimentar o sofrimento na pr\u00f3pria pele ou na de algum ente querido.\u00a0 Para o bem de todos, sugiro que mude, enquanto \u00e9 tempo. S\u00f3 lembrando: 29 de novembro &#8211;\u00a0Dia Nacional da Humaniza\u00e7\u00e3o. Pense nisso!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comemora-se neste domingo (18) o Dia do M\u00e9dico, que coincide com o Dia de S\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":24516,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[11,82],"tags":[],"class_list":["post-40424","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-poucas-e-boas"],"jetpack_publicize_connections":[],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artemisio-da-costa-2.jpg",400,400,false],"thumbnail":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artemisio-da-costa-2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artemisio-da-costa-2-300x300.jpg",300,300,true],"medium_large":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artemisio-da-costa-2.jpg",400,400,false],"large":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artemisio-da-costa-2.jpg",400,400,false],"1536x1536":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artemisio-da-costa-2.jpg",400,400,false],"2048x2048":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artemisio-da-costa-2.jpg",400,400,false],"covernews-featured":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artemisio-da-costa-2.jpg",400,400,false],"covernews-medium":["https:\/\/correiodasemana.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artemisio-da-costa-2-400x340.jpg",400,340,true]},"author_info":{"info":["adminredacao"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/category\/artigos\/\" rel=\"category tag\">Artigos<\/a> <a href=\"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/category\/poucas-e-boas\/\" rel=\"category tag\">Poucas e Boas<\/a>","tag_info":"Poucas e Boas","comment_count":"0","jetpack-related-posts":[{"id":37262,"url":"https:\/\/correiodasemana.com\/site\/dia-mundial-da-vida-consagrada-2\/","url_meta":{"origin":40424,"position":0},"title":"Dia Mundial da Vida Consagrada","author":"adminredacao","date":"Fevereiro 7, 2026","format":false,"excerpt":"No pr\u00f3ximo dia 2, festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor, a Igreja celebra o Dia Mundial da Vida Consagrada. 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