Contas de luz ficarão 8,12% mais caras a partir de julho devido à crise hídrica no país

Por Samuel Carvalho / Redação Correio da Semana
O agravamento da crise hídrica acarretou o pior cenário dos últimos 91 anos. Devido a isto, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) poderá aumentar ainda mais a bandeira vermelha nível dois nas contas de luz nos próximos meses. A Aneel vai receber contribuições sobre a proposta de 1º a 30 de julho. A discussão prevê que a bandeira vermelha possa ser elevada para até R$ 11,50 a cada 100 quilowatts-hora consumidos a partir de agosto.
a Aneel aprovou um reajuste de 52%, passando a taxa adicional de R$ 6,24 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) para R$ 9,49 a partir de julho, proposta esta que contrariou os cálculos da área técnica da agência. De acordo com o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, foi calculado que a bandeira vermelha nível 2 deveria subir para um valor entre R$ 11,50 e R$ 12,00 a cada 100 kWh com objetivo de cobrir os custos do acionamento de térmicas para garantir o abastecimento.
Atualmente a conta bandeira já está no vermelho e conta com um déficit de R$ 1,5 bilhão. Segundo as estimativas da Aneel, se fosse mantida a taxa adicional em R$ 9,49 a cada 100 kWh até o final do ano, haveria 46% de chances de um déficit de R$ 2 bilhões, chegando a R$ 3,5 bilhões. Já um reajuste para R$ 11,50 pode minimizar o risco, mas não descartá-lo completamente.
“Vivemos um período muito atípico, o pior dos últimos 91 anos, por isso é necessário poupar água nos reservatórios das hidrelétricas e acionar todo o parque termelétrico”, disse diretor-geral da agência reguladora, André Pepitone. “As térmicas nos dão segurança para suprir a demanda, mas precisam de combustível para operar, e isso tem um custo, gás natural, diesel e óleo combustível.”
O aumento no valor da cobrança extra da bandeira tarifária vermelha patamar 2 sobre o consumo de energia elétrica tem previsão de deixas as contas luz 8,12% mais caras, em julho. O cálculo é do economista André Braz, coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Para efeitos práticos uma família que tenha gastado R$ 100 com a conta de luz de junho agora pagará R$ 108,12 em julho, se mantiver o mesmo patamar de consumo.



