DE OLHO NA LÍN GUA - Antonio da Costa

Comediante X Humorista
A diferença é sutil, mas existe: O humorista usa mais a linguagem oral; o comediante, a gestual, isto é, cai, pula, corre… Diga-se: Renato Aragão é comediante; Chico Anysio é humorista. EM TEMPO: Hoje, 12 de abril, comemora-se o Dia Nacional do Humorista em homenagem à data do nascimento de Chico, o Mestre do Humor brasileiro.

Gerúndio + Embora
O gerúndio repele o “embora”. Não escreva: embora saindo; embora trabalhando. Mas “embora saia; embora trabalhe.

Gerúndio (Colocação)
A oração reduzida de gerúndio exige a preposição do sujeito. Ex.: Baixando os juros, a taxa de câmbio vai subir para R$ 1,50 no dia seguinte. Diga corretamente: Os juros baixando, a taxa de câmbio vai subir para R$ 1,50 no dia seguinte.

“Fui eu que” ou “Fui eu quem”?
As duas construções podem ser usadas indistintamente. É só tomar cuidado com a concordância. “Fui eu que” – o verbo concorda com antecedentes do “que”: Fui eu que falei com ele; Não fomos nós que assinamos o contrato; Foi ele que me orientou. “Fui eu quem” – o verbo pode concordar com o pessoal ou manter-se na terceira pessoa do singular: Fui eu quem bateu a porta; Foi ele quem bateu a porta; Fomos nós quem batemos a porta; Foram eles quem bateram a porta.

Frei e Frade (Uso)
Frei é forma reduzida de frade. Usa-se só antes do nome singular (nunca sobrenome). Exs.: frei Carlos, frei Daniel, frei Beto. Frade usa-se com sobrenome, mais de um nome ou na segunda referência. Exs.: Falei com o frade Araújo; Refiro-me aos frades Carlos e Daniel; Dirigiu-se a frei Beto, mas quando falou sobre o assunto que o levava lá, o frade afastou-se. OBS.: Frei Galvão é uma exceção.

Frustrado / Privilégio / Prevenir / Meteorologia / Perturbar / Prostrado / Cérebro / Inexorável – são palavras perigosas
Atenção, leitor! Muito cuidado ao escrever as palavras em epígrafe, pois é muito comum certas pessoas escrevê-las e pronunciá-las erroneamente, assim: frustado, previlégio, prevenir, metereologia, pertubar, prostado, célebro, ineczorável.

Ruim: monossílabo ou dissílabo?
Dissílabo: ru-im. Orgulhosa, ela gosta de ser bem pronunciada. O acento tônico cai na última sílaba (im). É como em Joaquim, arlequim, amendoim, etc.

“A minha irmã é que nem eu” (O que você acha dessa expressão?
Em princípio, não vejo erro, muito embora os puristas da Língua não vejam assim. “Que nem eu” é uma expressão comparativo igual a “como” (é expressão da linguagem popular, do cotidiano). Além do mais, alguns bons escritores usaram e abusam dessa expressão sem constrangimento. Ouçam a música do grande Luiz Gonzaga “Que nem jiló”.

Reboliço é o mesmo que rebuliço?
Não. Reboliço é o adjetivo relativo àquilo que tem forma de rebolo, o que rebola. Rebuliço (com u) é substantivo que significa movimento desordenado de muita gente, confusão, agitação, desordem.

“Mulher assaltada reavê carro roubado”
A frase em epígrafe está incorreta. Corrigindo: Mulher assaltada é reouve carro roubado. Devemos alterar o tempo verbal utilizado para o pretérito perfeito “reouve” ou substituir o verbo reaver por um sinônimo, como recuperar. Frase correta: Mulher assaltada reouve (ou recupera) carro roubado. Outros exemplos: Meu filho realmente reouve seu emprego; O rapaz reouve seus documentos perdidos. O verbo reaver é um verbo defectivo (defeituoso) e irregular, sendo conjugado apena em alguns modos, tempos e pessoas. Assim, não possui todas as formas de flexão do verbo.

Desperdiço = Desperdício?
Não. Desperdiço é a primeira pessoa do verbo desperdiçar. Desperdício é o substantivo: evite o desperdício de alimentos
(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato: (088) 99373-7724.

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