Ordenação Diaconal do seminarista Lucas Monteiro Barbosa

0
DSC_1778

Massapê, 18 de agosto de 2025
HOMILIA

Amadas irmãos e amadas irmãs, eu e toda a Diocese de Sobral temos a alegria de ordenar hoje o terceiro Diácono em vista do sacerdócio ministerial este ano. As duas últimas se dão neste mês de agosto que é o mês vocacional.
Todos nós somos vocacionados. Vocação significa chamado de Deus e todos nós, de formas diferentes, em lugares diferentes, para funções diferentes, um dia fomos chamados por Deus.
Cada vocação, isto é, cada chamado, tem por fonte uma pessoa ou circunstância. Algo ou alguém que nos chamou a atenção, que nos encantou. Encantou-nos de tal forma que nos fez tomar uma decisão na vida de seguir aquele rumo, aquele exemplo!
A vocação para a Vida Consagrada, celebrada ontem na Solenidade de Maria Assunta ao Céu, assim como a Vocação Diaconal e Presbiteral pode ter como instrumento uma ou mais pessoas, ou mesmo uma situação de vida, mas o chamado é sempre de Jesus que diz a todos os seus discípulos e discípulas: “Não fostes vós que me escolhestes, fui eu quem vos escolhi.” (Jo 15, 16-17)
Ninguém pode sentir-se chamado para um ministério na Igreja se antes não fez um discipulado com Nosso Senhor Jesus Cristo, se não colocou-se atrás dos seus passos, se ainda não O conheceu. Todos nós precisamos conhecer Jesus Cristo, amá-lo e segui-lo, no caminho que Ele nos mostrar.
O Seminarista Lucas escolheu como lema de sua Ordenação Diaconal uma frase dita por Jesus segundo o Evangelho de João 12,45: “Quem me vê, vê aquele que me enviou!” O contexto desta frase se dá no fim do ministério público de Jesus e um pouco antes na última ceia narrado no Evangelho proclamado hoje. Tratava-se de uma contenda entre Jesus e pessoas incrédulas que, como cegos, não conseguiam ver em Jesus o Messias Prometido. É para estes que Jesus disse; “Quem crer em mim não é em mim que crer, mas em quem me enviou, e quem me vê, vê aquele que me enviou.” Esta mesma frase que Jesus disse aos incrédulos, disse também para um dos seus seguidores! No mesmo Evangelho segundo São João, no capítulo 14, encontramos Jesus se despedindo de seus discípulos e dizendo-lhes: “Para onde eu vou vós conheceis o caminho.” (Jo 14, 4) Tomé, embora discípulo,  apresenta-se ainda incrédulo e questiona: “Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” Jesus lhe responde: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim.” Felipe, seguindo a incredulidade de Tomé, vai na mesma linha e diz: “Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta!” e Jesus repete para Felipe a mesma frase que havia dito àqueles que não o reconheciam como Messias: “Felipe, há tanto tempo que estou convosco e não me conheces? Quem me vê, vê o Pai! Não crês que eu estou no Pai e o Pai está em mim?” (Jo14, 8-9)
Irmãos e irmãs este diálogo de Jesus com os seus discípulos é de uma profundidade estupenda! Jesus está lhes revelando o grande Mistério Trinitário! Fundamento da nossa fé! Mistério este que só pode ser aprofundado após um longo discipulado. Após uma experiencia profunda de Deus na vida! Experiência esta que pode demorar muito tempo para acontecer, e corre-se o risco de até não acontecer, inclusive na vida de seguidores de Jesus e pessoas a ele consagradas!
Embora o seminarista Lucas tenha escolhido esta frase de Jesus: “Quem me vê, vê aquele que me enviou” para a sua Ordenação Diaconal, o texto do Evangelho que ele escolheu para esta liturgia foi outro! Do mesmo Evangelho de São João ele escolheu, um texto do capítulo 13, como ouvimos. A narrativa do episódio do lava-pés ocorrido na última ceia.
É curioso observar que diferentemente dos assim chamados Evangelhos Sinóticos, a saber: Mateus, Marcos e Lucas, o Evangelista João ao narrar a última ceia, não fala sobre a instituição da Eucaristia, pois dedicou todo o capítulo 6 ao discurso de Jesus sobre “o pão da vida”. Ele nos apresenta nesta última ceia a atitude de Jesus de lavar os pés dos seus discípulos, como ouvimos. O lavar os pés de outra pessoa era tarefa dos escravos! Em grego a palavra “doulos” significa ao mesmo tempo servo ou escravo.
No Evangelho proclamado Jesus diz aos seus discípulos; “Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem, pois eu o sou. Se, portanto. Eu o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu fiz, também vós o façais”. (v.12)
Ora meus irmãos e irmãs! Como isto é significativo quando falamos em conhecer Jesus! Seguir Jesus! Atender ao chamado de Jesus!
São João, o Discípulo Amado, o mais teológico dos Evangelistas, que inicia o seu Evangelho proclamando a Divindade de Jesus: “o Verbo de Deus que se fez carne”. É o mesmo que ao escrever sua primeira Carta faz questão de inicia-la ressaltando a humanidade do Mestre: “O que era desde o princípio, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida.” (1 Jo 1, 1)
Nós podemos correr o risco de conhecer, amar e seguir um Cristo abstrato, unicamente divino, que se encontra à direita do Pai nos céus, que está presente na Eucaristia, e nos esquecermos que este mesmo Cristo, sem deixar de ser Deus, sem deixar de estar sentado à direita de Deus Pai todo Poderoso, sem deixar de se fazer presente no pão e no vinho consagrados, está presente na pessoa do irmão a quem devemos nos colocar a serviço lavando-lhes os pés!
Estimados irmãos e irmãs, ontem nós celebramos o mistério glorioso da Assunção de Maria ao Céu. Compreendemos que se trata de uma verdade revelada! Na segunda leitura de ontem São Paulo dizia aos Coríntios e a nós de todos os tempos e lugares que “Como em Adão todos morreram, em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: em primeiro lugar Cristo, como primícias, depois os que são de Cristo, por ocasião de sua vinda.” (I Cor 15, 22-23) Nós compreendemos que nesta “ordem determinada” que nos falou São Paulo, a Vigem Maria é a primeira da fila e que ela foi elevada ao céu em corpo e alma. Celebrar a assunção de Maria ao céu significa celebrar a glorificação da humanidade redimida! Ela é a primeira redimida por Cristo.  O Evangelho proclamado ontem todavia, nos apresentou Maria, não no céu, mas aqui na terra, a serviço de sua prima Isabel. Maria assumiu a condição de serva: “Eis aqui a serva do Senhor.”
Assim sendo, para concluir, nós seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo, redimidos pelo seu preciosíssimo sangue que nos é oferecido na Eucaristia, nós que por Ele nos sentimos chamados e enviados, não podemos nunca nos eximir de encontra-lo, amá-lo e servi-lo na pessoa do irmão necessitado.
Estimado Seminarista Lucas, você, que hoje tornar-se-á Diácono, nunca se esqueça que sua vida será consagrada ao serviço. Que este serviço dure todos os dias de sua vida. Que você seja configurado a Cristo que “não veio para ser servido, mas para servir”.
Que você possa pregar o Evangelho com fidelidade e coerência de vida. Que você possa fazer nascer novos filhos e filhas para Deus através do sacramento do batismo, que você sirva ao altar da Eucaristia com devoção e amor e tenha o mesmo amor para com os pobres e aflitos.
Que Deus te abençoe hoje e sempre, e te livre das ciladas do inimigo. Que nem a vaidade, nem a ambição pelas coisas do mundo, nem as más companhias, nem o cansaço ou o comodismo, te impeça de estar sempre pronto para servir. Que Deus te conceda perseverança e fidelidade e que um dia possais ser um Bom Pastor e chegar com todo o rebanho a ti confiado, sem perder uma ovelha sequer, nos Prados Eternos e conviver eternamente com todos os santos que encontraram no serviço à Deus e ao próximo o caminho seguro da felicidade eterna.
Amém!

† José Luiz Gomes de Vasconcelos

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *