Adeus a Cabeção, ídolo eterno do Guarany de Sobral
Sobral despediu-se ontem, 20 de janeiro de 2026, de Raimundo Silva Ferreira, o inesquecível Cabeção, maior ídolo da história do Guarany Sporting Club, principal agremiação futebolística da cidade. Com sua morte, encerra-se um capítulo marcante do futebol sobralense e abre-se, ao mesmo tempo, uma dolorosa reflexão sobre a forma como tratamos aqueles que tanto contribuíram para nossa memória esportiva e cultural.
Enquanto atleta, Cabeção foi mais do que um jogador de futebol. Foi personagem folclórico, carismático, dono de um humor espontâneo e de uma presença que encantava torcedores dentro e fora dos campos. Vestindo as cores do Guarany, ajudou a construir a identidade do clube e a alimentar a paixão de gerações de sobralenses pelo futebol.
Paradoxalmente, o ídolo que tantas alegrias proporcionou terminou seus dias em extremo estado de pobreza, vítima de um inexplicável desprezo por parte de segmentos do desporto local. Já idoso e com a saúde fragilizada, percorreu hospitais da cidade, enfrentou sucessivos internamentos e, por fim, faleceu em um dos leitos da Santa Casa de Misericórdia de Sobral.
Sua morte não pode ser vista apenas como a perda de um ex-jogador, mas como um alerta. Cabeção simboliza tantos outros atletas que, após o aplauso e a glória, foram relegados ao esquecimento, sem amparo, reconhecimento ou dignidade na velhice.
Que sua memória permaneça viva não apenas nas lembranças dos gols, das histórias engraçadas e do amor ao Guarany, mas também como um chamado à consciência coletiva. Honrar Cabeção é reconhecer, em vida, os nossos ídolos; é garantir que o esporte não produza apenas heróis momentâneos, mas cidadãos respeitados até o fim.
Cabeção se foi. O Guarany, Sobral e o futebol cearense lhe devem eterna gratidão — e uma dívida moral que sua partida torna ainda mais evidente.
Por Benedito Herculano Costa (*) – Jornalista, Radialista, Professor, Escritor e Poeta
(*) – Neuropsicanalista Clínico – WhatsApp (88) 9 3500.1970 (hercoscosta@gmail.com)

