A atuação da Igreja na luta por moradia

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Dando continuidade às reflexões que temos feito, nesta quaresma, sobre a Campanha da Fraternidade (CF) 2026, queremos celebrar a atuação histórica da Igreja e as conquistas de políticas públicas por parte da população que sofre com o problema da moradia. Reafirmando a evangélica opção preferencial pelos pobres, a CF recorda que a Igreja no Brasil sempre atuou em favor da moradia digna, tanto nas áreas rurais, como nas áreas urbanas.
Em 1983, o tema da CF também foi Fraternidade e Terra: “Terra de Deus, Terra de irmãos”, e em 1993, Fraternidade e Moradia: “Onde moras?”. Portanto, a abordagem não é nova por parte da Igreja. Nas áreas rurais, a Igreja atuou ativamente junto à luta por moradia digna junto aos indígenas e quilombolas. Nas áreas urbanas, as Comunidades Eclesiais de Base e as pastorais sociais conduziram uma grande presença pastoral junto às periferias.
Junto às ações da Igreja, juntaram-se uma série de ações individuais, comunitárias e da sociedade civil que minimizaram o problema da moradia, sobretudo a partir do processo de redemocratização, na década de 1980. A produção de novas moradias por todo o país, a oposição a despejos e a urbanização de muitas favelas foram resultado de um esforço mútuo da sociedade, contando com o apoio da ação pastoral da Igreja.
Um caso emblemático foi a atuação da Pastoral das Favelas, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, quando a população da Favela do Vidigal esteve ameaçada de despejo, em 1977. A assessoria jurídica prestada pela Igreja determinou a permanência da comunidade. Este é apenas um dos exemplos que mostram o quanto grupos de advogados, organizações não governamentais e dioceses estão junto às comunidades ameaçadas.
Nos últimos anos, a Igreja tem intensificado seu apoio aos movimentos populares, chamados pelo Papa Francisco de “poetas sociais”. São movimentos que mostram a eficácia do povo que se organiza a partir das bases, com os sem-teto, as periferias, as favelas e os assentamentos populares. A CF também ressalta toda a história e a cultura de resistência das populações pobres em seus territórios.
O problema da moradia não é simplesmente debater sobre a falta de casas, mas é refletir e agir sobre a falta de direitos básicos e sobre a dignidade da pessoa humana. É necessária uma profunda conversão no modo como nossas cidades estão sendo construídas. O Cristo que “veio morar entre nós” e não encontrou lugar nas hospedarias de seu tempo, hoje está nos sem-teto, que lutam pelo direito de viver com dignidade.
Destacar: A produção de novas moradias por todo o país, a oposição a despejos e a urbanização de muitas favelas foram resultado de um esforço mútuo da sociedade, contando com o apoio da ação pastoral da Igreja.

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