Em comunhão e esperança: 62ª Assembleia Geral dos Bispos no Brasil 

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festa santa luzia com dom Vasconcelos (5)

Caríssimos, a paz do Senhor ressuscitado esteja com todos vocês! É com o coração repleto da alegria pascal, tempo em que celebramos o Cristo que venceu a morte e nos enviou o Seu Espírito, que me alegro em partilhar um momento de singular importância para a vida e a missão da nossa Igreja. Na próxima semana, entre os dias 15 e 24 de abril, nós, os pastores do rebanho do Senhor em nossas terras, estaremos reunidos para a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a nossa CNBB. Este grande encontro ocorrerá sob o olhar maternal da Padroeira do nosso país, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no Estado de São Paulo. A Assembleia Geral, como órgão supremo da nossa Conferência, não é um simples congresso ou uma reunião administrativa, mas é a expressão e a realização maior do afeto colegial, da comunhão e da corresponsabilidade de todos os bispos. Como nos ensina o livro dos Atos dos Apóstolos, seremos como a primeira comunidade cristã que perseverava “unânime na oração, com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus” (Atos 1, 14). O Estatuto da CNBB estabelece claramente que este órgão tem a finalidade de realizar os objetivos da Conferência para o bem de todo o povo de Deus, tratando de assuntos pastorais relacionados à nossa missão e aos desafios que afligem as pessoas e a nossa sociedade, sempre com os olhos fixos na perspectiva da evangelização, obedecendo ao mandato do Senhor: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Marcos 16, 15).
Neste ano, a nossa Assembleia terá como tema central um passo fundamental para o futuro da nossa caminhada eclesial: a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Todos nós recordamos que este processo de atualização foi sabiamente adiado para que pudesse amadurecer e receber as ricas contribuições do Sínodo sobre a Sinodalidade, convocado pelo amado Papa, além de acolher os preciosos acréscimos e sugestões enviados pelas diversas dioceses, pastorais e organismos que formam o tecido vivo da nossa fé. Agora, este texto chega ao conjunto do episcopado para ser rezado, debatido, votado e, com a graça de Deus, aprovado. As Diretrizes formam o documento primordial que direciona e orienta a missão da Igreja de evangelizar em nosso imenso país continental. Elas têm o propósito de auxiliar as nossas arquidioceses e dioceses em sua atuação pastoral diária, partindo sempre de um discernimento claro da nossa realidade atual e oferecendo propostas concretas para iluminar tanto a vida eclesial quanto a sociedade civil a partir dos valores inegociáveis do Evangelho de Cristo. É a luz da Palavra de Deus guiando os nossos passos, pois “lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para o meu caminho” (Salmo 119, 105).
Além deste grande tema central, nossa pauta será intensa e dedicada. Abordaremos três temas prioritários, vinte temas diversos, além de elaborarmos quatro mensagens oficiais e recebermos dez comunicações. Entre os temas prioritários, debruçaremos nossa atenção sobre o relatório da Presidência da CNBB. Já entre os temas diversos, dedicaremos tempo para análises aprofundadas da conjuntura social e eclesial do nosso Brasil, buscando compreender os sinais dos tempos. Trataremos do processo de implantação do Sínodo sobre a Sinodalidade em nossas realidades locais; faremos a aprovação de textos litúrgicos importantes para as nossas celebrações; e avaliaremos as nossas Campanhas da CNBB, que tanta solidariedade despertam. Um ponto de extrema relevância em nossa pauta será a Tutela de Menores e adultos vulneráveis, reafirmando o compromisso inabalável da Igreja com a proteção e o cuidado dos mais frágeis, espelhando a atitude de Jesus que nos adverte que “tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mateus 25, 40). Também prepararemos o nosso coração para eventos futuros de grande magnitude, como o Congresso Americano Missionário (CAM 7), marcado para o ano de 2029; a celebração do Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé; a urgente e bela atualização do Documento de número 85 da CNBB, que trata da “Evangelização da Juventude”; e a organização do nosso 19º Congresso Eucarístico Nacional, que acontecerá em 2027.
Cardeal Orani João Tempesta – Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

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