Aniversário de Emancipação Política do Município de Cruz – 41 anos

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Celebrar a emancipação política de Cruz, neste dia 14 de janeiro, é fazer memória de uma história marcada pela perseverança, pela coragem e pela fé de um povo que jamais se deu por vencido.
A primeira tentativa de emancipação não frutificou. Contudo, a frustração não gerou desistência. Nosso povo não entrega os sonhos, não abandona as causas justas. Em 1983, o desejo que pulsava em tantos corações voltou a se manifestar com força. O resultado do plebiscito foi favorável, contrariando, inclusive, a vontade daqueles que eram eminentemente contrários à emancipação. A história, mais uma vez, foi escrita pela determinação popular.
Quantos, entre nós, participaram da Solenidade de Sansão, em 14 de janeiro de 1985, e da Solenidade de Instalação do Município, em 1º de janeiro de 1986? São datas que permanecem gravadas na memória coletiva como marcos fundantes da nossa autonomia política e administrativa.
Não podemos esquecer os grandes baluartes dessa luta. Entre nós, destacamos com especial carinho o nosso querido Padre Valdery, cuja história de vida se confunde com a caminhada deste torrão abençoado da Terra da Luz. Seu pastoreio marcou gerações e continua a ecoar como legado vivo em nossa história.
Recordamos também o Sr. Jonas Muniz, com todo o seu dinamismo empresarial e dedicação incansável ao crescimento e ao progresso do nosso povo. Desde a infância, escutei seu lema, quando esteve à frente do Executivo Municipal: “Ação e Solução”, expressão que se tornou símbolo de uma gestão comprometida com resultados e com o bem comum.
Do Sr. Valci Costa, guardo a lembrança dos primeiros escritos, da narrativa fiel da vida e da contribuição de nossos predecessores. Afonso Fontes, embora não o tenha conhecido pessoalmente, revelou-se a mim por meio desses registros: uma grande voz que ecoou nas terras do Acaraú.
Mencionamos ainda o Sr. Antônio Raimundo e tantos outros homens e mulheres que somaram forças nessa caminhada emancipatória, contribuindo decisivamente para que Cruz alcançasse sua autonomia.
Alguns Deus já chamou à Sua presença. Tive o privilégio de conhecer o Sr. João Inês, padrinho de meu pai. Muitas vezes, aos domingos, acompanhei meu pai, que vinha do Cedro e, antes de ir ao mercado, passava em seu comércio. As conversas giravam em torno da castanha, da farinha, da goma e da ração dos animais — diálogos simples, mas profundamente humanos, que traduzem a alma do nosso povo. Recordamos também a memória de José Aroldo.
Devemos fazer reverência a tantos homens e mulheres que, de forma anônima, foram pedras vivas na edificação da nossa história.
Reconhecemos, também, na religiosidade, uma das maiores riquezas de Cruz. A paróquia recém-criada, sob o pastoreio do Padre Edson Magalhães, e, posteriormente, a chegada do jovem Padre Valdery, marcaram profundamente nossa trajetória. Quantas vocações sacerdotais, religiosas, catequéticas e missionárias floresceram! Eu mesmo sou fruto desse pastoreio fecundo.
Novas capelas foram edificadas em um vasto território que se estendia do Rio Acaraú até a praia de Jericoacoara. Vieram, depois, a elevação das paróquias de Jijoca, Aranaú e Caiçara, entre tantos outros benefícios pastorais.
Na educação, destacamos o salto gigantesco vivido por Cruz a partir da semente plantada pela Escola Fundamental São Francisco, sabiamente conduzida pelas Irmãs Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus, congregação fundada pelo estimável e hoje Servo de Deus, Monsenhor Joaquim Arnóbio. Quantos professores foram preparados nessa casa e hoje conduzem, com mérito e reconhecimento nacional, os rumos da educação em nosso município.
Com profundo respeito, recordamos nomes queridos, como a amada Irmã Portela e Maria Alice, confiando-as às bem-aventuranças eternas do Senhor.
Na saúde, reconhecemos conquistas significativas. A dura luta de outrora deu lugar aos avanços de hoje. Atravessar o Rio Acaraú, em frágeis canoas, nos tempos de inverno, foi sina de muitos. Quem nunca viu a ponte de madeira ser levada pela correnteza não conhece o real valor de uma vida. Minha própria mãe viveu essa realidade, à beira do parto, precisando atravessar o rio para um atendimento mais seguro no Hospital Moura Ferreira.
Vi, ainda, nascer a primeira unidade de saúde. Jamais esquecerei a figura do Seu Pedroca, que, com seringas de vidro e enormes agulhas, vacinou, aplicou injeções e formou as primeiras agentes de saúde. Hoje, colhemos os frutos: profissionais formados, que enfrentaram dificuldades, lutaram e retornaram com diplomas e, sobretudo, com o desejo sincero de servir ao seu povo.
A cultura sempre pulsou em Cruz. Quantas vozes poéticas embalaram namorados e comunidades inteiras. Homens simples, com um violão, fizeram grandes cantorias pela região. Cordéis, livros biográficos e poéticos embelezam nossas bibliotecas e educam as novas gerações. O grandioso prédio do Teatro Municipal é testemunho de que valorizar a cultura é valorizar a própria história.
No esporte, grandes nomes deram destaque ao município. Cresci ouvindo o Bureta narrar os jogos pela Rádio 6 de Abril ou comentar as partidas em sua inesquecível Rural branca e azul, no percurso Cruz–Acaraú.
Nossas riquezas econômicas sempre foram abundantes: o cajueiro, a mandioca, o feijão, o milho, o coco. A pesca, desde sempre, foi destaque. Hoje, a carcinicultura alcança expressiva relevância em nossa região.
O turismo despontou como grande porta para o crescimento econômico. O Preá tornou-se referência mundial. O aeroporto regional de Jericoacoara acolhe visitantes de todos os continentes, atraídos pelo potencial natural e humano de nossa terra.
Que saibamos resgatar nossa história e amar profundamente o nosso presente. Visitemos a Biblioteca Dona Maria Inês, o Museu do Som e da Imagem, a Escola Fundamental São Francisco – Ginásio, a Escola Estadual São Francisco, o Cemitério São Vicente de Paulo, a Igreja Matriz de São Francisco, onde permanecem eternizadas as presenças do Padre Valdery e do mestre de obras Seu Luiz Silva. Valorizemos a Rádio 6 de Abril, a fonte da Praça do Carlão, o calçadão, o Centro Administrativo Municipal, as novas escolas, a tão esperada estrada asfaltada para o Preá, o Açude da Prata, as lagoas e balneários que embelezam nosso território.
Tenho 42 anos e já vi muita coisa. Quero ver muito mais e continuar cantando com orgulho:
“Salve Município de Cruz,
força viva da Terra da Luz.”

Que o Senhor conduza sempre nossos gestores: o atual prefeito Dery Muniz, vereadores, secretários e colaboradores, para que deixem marcas de uma administração voltada ao povo, especialmente aos mais necessitados, comprometida com a justiça e a fraternidade.

Nossa gratidão aos ex-gestores Jonas Muniz, Antônio Raimundo, Manuel Israel, Adauto Mendes, aos ex-vereadores, ex-secretários e colaboradores. Todos deixaram marcas indeléveis na cronologia do tempo.

Sejamos audaciosos em desejar sempre a prosperidade de Cruz. Que Deus nos proteja dos perigos e males da modernidade. Que Nossa Senhora e São Francisco intercedam por todo o povo cruzense.
Parabéns, filhos e filhas!
Parabéns, Cruz!
Aqui é lugar de Ação e Solução.
Aqui é lugar de gente popular por natureza.
Aqui é um bom lugar para se viver.
Aqui é terra de luz, esperança, trabalho e prosperidade.
Salve Município de Cruz!
Força viva da Terra da Luz.
Com minha bênção,

Pe. Francisco
de Assis Neto

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