DE OLHO NA LÍN GUA - Antonio da Costa

Carnaval (Etimologia)
Deriva do Latim “Carrus Navalis”, pelo italiano “carnavale”, por sua vez radicado na expressão latina “carne vale” (adeus carne) ou “carne levare” (prazeres da carne), designando os festejos dos dias que antecedem a entrada da Quaresma. Também conhecido como “entrudo”, do Latim “introitos” (entrada).
Do Latim “Carrus Navalis” teria designado carreta em forma de barco, presente nas festas romanas provavelmente trazidas dos costumes dionisíacos, já em vigor na antiga Grécia entre os séculos VI e VII a.C., celebrando boas colheitas, vitórias e outras celebrações, por conta do alto consumo de vinho e excessos libidinosos da sensualidade. Afinal, o deus Dyonísio, para os gregos, e Baco, para os romanos, eram o excesso do vinho e de sensualidade. Essa origem é controversa.

Entrudo
Era uma festa popular portuguesa, precursor do carnaval moderno, marcado por brincadeiras agressivas que consistiam em atirar coisas nas pessoas três dias antes da Quaresma. Chegavam a usar polvilho, “vermelhão”, tintas, farinhas, ovos e mesmo lama, piche e líquidos fétidos, entre os quais urina ou “águas servidas”. As famílias se reuniam em suas casas para jogar das janelas baldes de água suja e todo tipo de entulho nos passantes.
Consolidou em Portugal no século XI trazido pela tradição medieval, sendo introduzido no Brasil pelos colonizadores.

Vamos brincar o carnaval
A expressão correta é: Vamos brincar no Carnaval. Para certas pessoas, é difícil entender isso.

Réptil/réptil; Projétil/projetil
As palavras réptil ou reptil, projétil ou projetil podem ser paroxítonas ou oxítonas. O plural é assim formado: réptil (répteis), reptil (reptis); projétil (projéteis),projetil (projetis).

Refrão (plural)
O plural das palavras terminadas em “ão” pode ser feito de três maneiras: ãos, ães e ões. A terminação mais usada é “ões”. Vejamos: mamão (mamões), limão (limões), coração (corações), pão (pães). O plural de refrão é refrãos ou refrães. O termo refrões (que é o mais usado) é considerado incorreto pelos gramáticos mais consagrados.

Água-de-colônia X Água de cheiro
Interessante é que em “água-de-colônia” o Acordo Ortográfico (AO-90) deixou o hífen. Já em água de cheiro”, que é um tipo de água aromatizada, o Acordo tirou o hífen. Explicando: o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa justifica o hífen na expressão “água-de-colônia” simplesmente dizendo que o uso consagrou a expressão com hífen. Dá para o leitor entender a justificativa do Acordo? Para mim, não. Aliás, o AO-90 tem muitas coisas incompreensíveis.

Comparecer em pessoa
Visível redundância. Há como alguém comparecer em algum lugar sem ser em pessoa? Joga no time dos: subir para cima; descer para baixo; repetir de novo; voltar a repetir; permanecer no mesmo lugar; elo de ligação; amanhecer o dia; General do Exército; Almirante da Marinha; Brigadeiro da Aeronáutica; erário público; regimento interno e sorriso nos lábios.
OBS.: “Comer com a boca aberta não é expressão pleonástica. É, sim, falta de educação. A palavra “aberta” eliminou o pleonasmo.
O acidente ocorreu na madrugada do sábado para domingo
Apesar de muito usada, a expressão norma, correta, diga: O acidente ocorreu no domingo. A madrugada inicia-se a partir de zero hora. Depois de zero hora já é o dia seguinte, ou seja, domingo.

“Isto posto” ou “posto isso”?
Diga corretamente: posto isto. A expressão correta inicia-se com o verbo posto no particípio.
“O jogador caiu e patinou no campo”. “Patinou” está correto?
Não. Diga com acerto: O jogador caiu e “patinhou” no campo. Só patina quem anda em patins. “Patinhar” é agitar a água como fazem os patos.

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato: (088) 99373-7724.

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