EDUCAÇÃO E CIDADANIA •
Ler ou Escrever no Papel ou na Tela
As evidências mais consistentes mostram que a leitura em papel favorece a criação de um mapa mental do texto: o leitor se orienta pela posição física das informações, sente o progresso e navega com mais facilidade. Isso libera recursos cognitivos para entender e integrar ideias.
Em telas, sobretudo quando há rolagem, parte da atenção se perde no ato de manipular o dispositivo, o que gera um esforço mental extra. De acordo com estudos que monitoram como os olhos se movem leitura e pesquisas que medem a atividade cerebral, a leitura digital tende a ser mais superficial. O leitor revisita menos o texto, integra pior as informações e forma conexões mais fracas. (https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/ler-no-papel-e-melhor-do-que-ler-na-tela).
Escrever à mão pode parecer uma atividade de um passado distante para uma sociedade cada vez mais acostumada a organizar tarefas, fazer anotações e redigir textos em dispositivos digitais. Mesmo para gerações mais novas, computadores são gradativamente mais frequentes em salas de aula devido à rapidez dos teclados e à praticidade de concentrar um mundo de informações num único lugar. No entanto, um novo estudo mostra que substituir a caneta completamente pelas teclas pode não ser uma boa ideia.
Cientistas do Laboratório de Neurociência do Desenvolvimento da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega (NTNU) avaliaram 36 estudantes universitários com um eletroencefalograma (EEG) – exame que analisa a atividade elétrica cerebral, captada por meio de eletrodos colocados sobre o couro cabeludo. Eles foram acompanhados enquanto escreviam à mão e por meio da digitação.
“Mostramos que, ao escrever à mão, os padrões de conectividade cerebral são muito mais elaborados do que ao escrever num teclado. Essa conectividade cerebral generalizada é conhecida por ser crucial para a formação da memória e para a codificação de novas informações e, portanto, é benéfica para a aprendizagem”, destaca a professora Audrey van der Meer, pesquisadora do cérebro na universidade e autora do estudo, em comunicado.
“Mostramos que as diferenças na atividade cerebral estão relacionadas à formação cuidadosa das letras ao escrever à mão e ao mesmo tempo fazer maior uso dos sentidos”, explica van der Meer. “Nossas descobertas sugerem que as informações visuais e de movimento, obtidas por meio de movimentos das mãos controlados com precisão ao usar uma caneta, contribuem extensivamente para os padrões de conectividade do cérebro que promovem a aprendizagem”.
No experimento, os eletroencefalogramas foram conduzidos com o auxílio de 256 sensores, costurados numa rede que era colocada na cabeça dos voluntários enquanto escreviam.
Segundo os pesquisadores, esse menor estímulo cerebral associado à digitação pode levar a prejuízos no aprendizado de crianças alfabetizadas com as telas.
“Isso também explica por que as crianças que aprenderam a escrever e ler em um tablet podem ter dificuldade em diferenciar letras que são imagens espelhadas umas das outras, como ‘b’ e ‘d’. Elas literalmente não sentiram com seus corpos como é produzir essas letras”, diz a cientista norueguesa.
Para ela, o objetivo não é abolir o uso de aparelhos digitais e restringir a educação a livros e cadernos. Mas sim entender os benefícios da escrita à mão e em quais momentos priorizá-la pode ser uma boa estratégia para o desenvolvimento dos alunos em sala de aula:
“Há algumas evidências de que os alunos aprendem mais e se lembram melhor quando fazem anotações de aula manuscritas, enquanto usar um computador com teclado pode ser mais prático ao escrever um texto longo ou ensaio, por exemplo”.
(https://oglobo.globo.com/saude/ciencia/noticia/2024/01/26/escrever-a-mao-ou-digitar).
Prof. Salmito Campos – (jornalista e radialista).

