Escala 6×1 ou 5×2
Muitos países, especialmente na Europa, adotam jornadas de trabalho padrão de 5 dias (escala 5×2) ou menos, eliminando a escala 6×1. Exemplos notáveis incluem Alemanha, França, Holanda, Dinamarca, Bélgica, Reino Unido, Islândia, Nova Zelândia e Suécia. Nesses locais, a jornada semanal costuma ser menor, muitas vezes entre 32 e 36 horas.
Países com jornadas reduzidas:
Holanda: Registra a menor carga horária da Europa, com uma média de 29,2 a 32 horas semanais. Alemanha: Conhecida por jornadas semanais curtas (34,4 horas) e testes bem-sucedidos com a semana de 4 dias, e Suécia: Adotaram o padrão 5×2 desde meados do século passado, com jornadas diárias mais curtas em muitos setores
França: A jornada legal é de 35 horas semanais. Bélgica: Desde 2022, autoriza a concentração da carga horária em 4 dias. Islândia e Escócia: Implementaram projetos piloto e adotaram a redução da jornada de trabalho com bons resultados.
América Latina:
Embora a escala 6×1 ainda seja comum em alguns países da região, o Chile aprovou uma redução para 40 horas semanais, e outros países como Colômbia e México também debatem ou já iniciaram a redução da jornada, ao contrário da legislação atual do Brasil (44h). (IA).
A escala 6×1 — modelo que determina seis dias consecutivos de trabalho seguidos de apenas um dia de descanso — ainda é amplamente praticada em diversas partes do mundo. Enquanto em alguns países, como o Brasil, ela é vista como necessária para atender as demandas do mercado, em outros é alvo de críticas e até mesmo considerada ilegal.
Este modelo está no centro de debates globais sobre saúde mental, equilíbrio entre vida profissional e pessoal, e produtividade, nos últimos dias ganhou a atenção do governo brasileiro após a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) apresentar uma proposta sobre a redução da jornada de trabalho, pedindo o fim da escala 6×1.
Além do Brasil, a escala 6×1 é legal e amplamente usada em países como Estados Unidos, México, China e Índia, e tem enfrentado críticas crescentes devido a seus impactos na saúde mental e na produtividade de longo prazo, afirma Luciana Veloso Baruki, que atua como auditora fiscal do trabalho há 17 anos.
“Minha experiência como auditora fiscal e médica reforça que o trabalho precisa ser visto como um elemento de realização, e não de adoecimento. Esse equilíbrio deve ser promovido por políticas públicas e pela conscientização das empresas sobre os riscos de insistir em jornadas desumanas.”
Quando Baruki iniciou as primeiras fiscalizações no Brasil sobre assédio no trabalho e riscos psicossociais, ela viu que longas jornadas e pressões desumanas no ambiente corporativo não eram apenas uma questão de produtividade, mas de saúde pública. “Esses riscos estão diretamente ligados a doenças ocupacionais que poderiam ser evitadas com práticas mais humanizadas.”
De países que lideram a transição para jornadas mais humanizadas, como Islândia e Nova Zelândia, até realidades de trabalho extenuantes na China e na Índia, a forma como os governos e empresas tratam a escala 6×1 reflete suas prioridades sociais, econômicas e culturais, afirma Baruki – que fez um estudo sobre países que eliminaram a escala 6×1 e os que consideram fundamental para a sua economia.
Os países nórdicos — Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia — são referência em legislações trabalhistas avançadas e na valorização do bem-estar dos trabalhadores.
Nesses países, Baruki diz que as jornadas semanais geralmente variam entre 35 e 40 horas, e há uma forte regulamentação quanto ao descanso. “Por exemplo, a Noruega exige pelo menos 35 horas consecutivas de descanso semanal, o que inviabiliza a prática da escala 6×1”, diz a auditora.
Além das leis, a cultura corporativa desses países enfatiza que trabalhadores descansados são mais produtivos e criativos. Empresas escandinavas priorizam a flexibilidade, permitindo que seus funcionários equilibrem o trabalho com suas vidas pessoais.
(https://exame.com/carreira/e-o-fim-da-escala-6×1-no-brasil-veja-em-quais-paises-).
(salmitocamposs@gmail.com).

