Herculano Costa
Dom José, sempre!
Por quê?
“Dom José, sempre! (um resgate histórico necessário)” é o título de um livro que estamos produzindo à luz de elementos primordiais da história sociopolíticos-religiosos e culturais da nossa terra, com protagonismo centrado no 1° Bispo da Diocese de Sobral.
Embora possa parecer para alguns tratar-se de mero culto à personalidade da figura central da obra, nosso trabalho não se aproxima dessa intenção. O conceito de culto à personalidade remete-se a uma forma de propaganda que tem por fim elevar a figura de líderes político a dimensões quase religiosas. Os discursos desse tipo de propaganda procuram promover de forma exagerada os méritos e qualidades dos líderes em questão, ocultando sempre quaisquer críticas ou defeitos que possam fazer parte de sua personalidade e de sua história. O culto à personalidade parte da concepção equivocada de que a história não é feita pela sociedade em si, mas unicamente pelas ações de grandes figuras capazes de manifestar a vontade geral. Essa concepção não é um erro acidental, mas uma forma estratégica de legitimar a dominação exercida pelo líder, pré-justificando suas ações e criando uma atmosfera de adoração, subserviência e medo.
Aqui não é o caso. E justificamos: a história de uma cidade não se escreve apenas com pedras e datas e narrativas, mas com vidas que, por sua força moral e intelectual, rearranjam o destino coletivo. A chegada de Dom José Tupinambá da Frota à recém-criada Diocese de Sobral, no início do século XX, representou um divisor de águas. Encontrou uma região marcada por desafios sociais e estruturais e, com dedicação incansável, mobilizou energias espirituais, políticas e culturais que transformaram o cenário local a partir daquele.
Ao longo das décadas, Dom José ergueu templos, escolas, museu, criou jornal, hospital, banco, abrigo a desamparados, associações de caridade e outros equipamentos mais, promovendo, simultaneamente, o enraizamento da fé e a promoção humana. Sua atuação ultrapassou os limites da Igreja e se inscreve na própria história de Sobral.
Entretanto, o passar dos anos e a ausência de políticas permanentes de memória têm contribuído para um processo de esquecimento que ameaça apagar os contornos desse personagem monumental.
Este livro é um gesto de reparação, mas também de esperança: que a história reencontre sua voz, que Sobral reencontre um de seus maiores filhos, e que novas gerações compreendam que conhecer o passado é condição para construir o futuro. “Toda grande vida nasce do encontro entre a herança e o chamado.”
A história de Dom José Tupinambá da Frota começa muito antes de seu nascimento, na tessitura social, política e espiritual que moldou sua família. Os Tristão da Frota — linhagem tradicional do Ceará — carregavam no nome um peso histórico tecido por gerações de agricultores, militares, servidores públicos e pessoas devotadas à fé católica. Em meio às paisagens belas, embora ásperas pelas intempéries do interior cearense, entre a dureza das secas e a perseverança do povo sertanejo, forjou-se um modo de vida marcado pela disciplina, religiosidade e senso comunitário.
Foi em Sobral, cidade que desde o século XIX despontava como centro político e intelectual do norte do Ceará, que essa família inscreveu sua presença de forma mais profunda. A religiosidade impregnava os costumes domésticos: o toque do sino marcava as horas, as procissões atravessavam as ruas de pedra, e a vida familiar orbitava ao redor da matriz, das irmandades e do calendário litúrgico.
Nesse ambiente, onde a fé era prática cotidiana e a palavra “vocação” não soava distante, nasceria aquele que viria a se tornar o primeiro bispo da Diocese de Sobral. O berço que o acolheu era modesto, mas intensamente humano. Suas raízes não se explicam apenas por nomes ou datas, mas por um ambiente onde a espiritualidade, o compromisso social e a dignidade moldavam os caminhos.
A família representava o que havia de mais tradicional na formação sertaneja: senso de honra, profundo respeito ao sagrado, austeridade moral e, acima de tudo, espírito de operosidade. Com isso, a infância de José Tupinambá não seria outra, senão a de alguém destinado, ainda sem saber, a tocar o destino de muitos.
Conheça mais, muito mais, essa saga que em breve vai estar ao seu alcance, exarada nas páginas do ensaio literário “Dom José, sempre! (Um resgate histórico necessário)”.
Por Herculano Costa (*) – Jornalista Reg ACI N° 1.216 – Professor, Escritor e Poeta
(*) – Neuropsicanalista Clínico – Reg. CNP N°. 09/459 (88) 9 3500.970 (WhatsApp

