Missa em ação de graças celebra 81 anos de ordenação sacerdotal de Padre Joaquim Arnóbio de Andrade

Por Ir. Carminda Amélia Carvalho Alves, mrcj
Missa de AÇÃO DE GRAÇAS pela passagem dos 81 de ordenação sacerdotal de Padre Joaquim Arnóbio de Andrade, data escolhida para celebrar a sua memória festiva como Servo de Deus, foi presidida por Mons. Gonçalo, Vigário Geral da Diocese, na Capela de Santo Antônio, presentes muitas Irmãs Reparadoras, leigos Reparadores, fieis e amigos de Padre Arnóbio. A diocese de sobral e a Congregação das Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus celebram jubilosas esse dia pedindo pela causa de beatificação e canonização, cuja causa foi aberta dia 14 de setembro de 2019 e se encontra em Roma na Sagrada Congregação para a Causa dos Santos. Sabemos que, Como padre, a vida dele não lhe pertencia. Vivia a certeza de que o padre é o que deve estar mais próximo do povo por força da sua missão e do seu empenho. Sempre procurado para a direção espiritual, ele foi confessor de inúmeras famílias. Consumiu-se na Economia do Seminário da Betânia, na condução da Congregação das Missionárias, no apoio à Diocese como Vigário Geral durante 21 anos e no confessionário de muitas igrejas e capelas da cidade.
Mons. Gonçalo de Pinho destacou na homilia os valores singulares de Padre Arnóbio, que conheceu tão bem: “PADRE ARNOBIO, que escolheu a vida sacerdotal, teve uma vida dedicada à igreja e ao zelo das coisas sagradas. Ele foi o braço direito de Dom Walfrido. Tinha dedicação a Congregação que ele fundou e às Irmãs. Cuidando com muito zelo da formação dos padres: era o Diretor espiritual de muitos. Cuidava para construir a fraternidade entre os padres. Padre Arnobio já fazia o que hoje se chama a pastoral prebisteral. Dia de quarta-feira ele se reunia com os padres e, no final, oferecia-nos bolo com refrigerante. Ele esta no céu e se encontra também com tantos outros Santos, pois permaneceu fiel à sua vocação. Firme na fé. Perseverante nas vocação sacerdotal: exemplo não só para os padres e para as religiosas, mas para todo povo de Deus”.
Queremos também trazer um artigo do Pe. Valdery da Rocha, por ocasião dos 70 anos de ordenação sacerdotal do Servo de Deus Joaquim Arnóbio de Andrade, que vale ser também colocado nesse documentário sobre a vida de Padre Arnóbio, retratando seu ardente amor e zelo sacerdotal.
A NOSSA EXPERIÊNCIA DE DEUS É A VIDA QUE LEVAMOS
Por Padre Manoel Valdery na Rocha
(A pedido, acolho nesta coluna a homilia que proferi, quinta-feira, dia 20.11.2008, na Capela do Menino Deus, na missa de ação de graças pelos 70 anos de ordenação do Monsenhor Joaquim Arnóbio de Andrade
“Esta querida capela do Menino Deus, coração onde palpita o carisma fundacional da Congregação das Missionárias, criada por monsenhor Arnóbio, cenário de tantas celebrações religiosas, neste altar, presididas por ele mesmo que fora ungido sacerdote para oferecer dons e sacrifícios pelo povo de Deus (Carta aos Hebreus 5, 1); esta querida capela, há 23 anos e sete meses, guarda dele o corpo sepultado, como semente para a ressurreição e nos acolhe agora para rezar por ele e louvar a Deus pelo septuagésimo ano da sua ordenação presbiteral. Da ordenação do padre Arnóbio. Assim mesmo: padre Arnóbio, como gostaria de me referir a ele nesta minha oração. E o faço nesta ocasião em que, na memória dos 70 anos de sacerdócio, aqui vivenciamos a verdade da Comunhão dos Santos: qual pão da Eucaristia, o testemunho de seus filhos fortalece cada vez mais a Igreja.
Ser sacerdote é ser ungido. Na linguagem bíblica, um “outro Cristo”. É assim que lemos em variados textos de exaltação do sacerdócio, tão comuns na boca do povo de Deus, em festa, quando quer expressar sua admiração e respeito pelos padres.
O dia de hoje, 20 de novembro de 2008, traz no simbolismo de números e datas, lições que a vida de nosso querido padre Arnóbio nos oferece.
È afirmação corrente entre os que citam a Bíblia que “a idade do homem, na terra, é 70 anos; passar disso é só dor e sofrimento”. (Salmo 90). A memória de nossa comunidade nos lembra que, ao entrar abril daquele ano de 1985, o mês em que ele haveria de completar os 70 anos, Deus o chamou, roubando de suas filhas espirituais e de seus amigos a oportunidade de festejar para ele o significativo aniversário dos 70. Só que o mesmo Senhor da História agora permite, a elas e a nós, celebrá-lo aos 70 de sua ordenação sacerdotal. Ordenação sacerdotal, cuja característica bíblica tão conhecida é a de ser para um sacerdócio eterno, sem limite de anos, pois enraizado no sacerdócio da ordem de Melquisedec que, em Cristo, é para sempre. E mais, que coincidência: entre o nascimento do padre Arnóbio, a 29 de abril de 1915 e sua ordenação como padre, 23 anos e sete meses se passaram; quantitativamente, os mesmos 23 anos e sete meses que nos distanciam, hoje, de seu falecimento, após curto período de dor e sofrimento, a 2 de abril de 1985. Duas vezes 23 e sete meses, que somados dão 47 anos, aproximadamente os anos de sacerdócio do padre Arnóbio que não celebrou o jubileu de ouro dos 50.
A nossa experiência de Deus é a vida que levamos. Da experiência de Deus que padre Arnóbio vivia, posso falar com conhecimento. Foi meu professor, diretor espiritual e confessor nos tempos de Seminário Menor, na Betânia. Recebi dele que era o Vigário Geral minha primeira provisão pastoral como vigário cooperador do Monsenhor Sabino Feijão, de Acaraú. Impressionava-nos a sua maneira de celebrar a missa, a sua postura de homem íntegro, sempre muito asseado, riso fácil, bem-humorado a nos tratar com o carinho de “seu ladrão…”, que quebrava o gelo dos relacionamentos entre o superior e o menor, entre o mestre e o discípulo. Bom pregador, transmitia a nós pequenos a espiritualidade da presença de Deus, a bondade do amor do Coração de Jesus e a fortaleza da alma penitente que, na renúncia a paixões desordenadas, encontrava a paz e a serenidade necessárias aos que, futuros sacerdotes, deviam ser imagens daquele que se definia como o Bom Pastor. Meu professor de Latim, a língua na qual ele citava, com muita freqüência, as passagens da Bíblia que ele lia na Vulgata. Algumas a gente nem esqueceu mais, de tanto ouvi-las repetidas: “Non in commotione Dominus” (Deus não está no barulho: I Reis 19, 11 ); “Castigo corpus meum et in servitutem redigo” (Castigo o meu corpo e o reduzo à escravidão: I Cor 9, 27 ).



