HOMILIA PROFERIDA NO ENCERRAMENTO DO ANO JUBILAR 2025 E ORDENAÇÕES PRESBITERAIS

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Homilia dom vasconcelos

Filhos e filhas!
Estamos reunidos nesta noite santa para celebrarmos solenemente a conclusão do Ano Jubilar do Mistério da Encarnação do Verbo de Deus como Peregrinos na esperança.
Na Diocese de Sobral foram instituídos seis Santuários Jubilares, lugares de Peregrinação e de obtenção de Indulgências Plenárias, a saber: Esta igreja Catedral, o Santuário São Francisco de Assis e o Santuário São Bento na Fazenda da Esperança aqui na Região Episcopal Sede. O Santuário Sagrado Coração de Jesus, na Região Episcopal Vale do Acaraú na cidade de Marco; a Igreja Matriz Nossa Senhora da Piedade na cidade de Coreaú, para a Região Episcopal que leva o mesmo nome. Na Região Episcopal Araras o Santuário Jubilar foi estabelecido na igreja Matriz da Senhora Santana na cidade de Varjota.
Foi verdadeiramente um ano de graça para o nosso povo. Os fiéis da nossa Diocese “vestiram a camisa” do Ano da Esperança e colocaram-se em peregrinação.
Mutirões de confissões foram realizados para atender o desejo dos nossos fiéis em busca de uma reconciliação com Deus, na busca de uma vida nova. A consciência de que maior que os nossos pecados é a Misericórdia de Deus, que não despreza um coração arrependido e que mesmo tendo sido perdoados, absolvidos dos nossos pecados, nós somos incapazes de reparar os danos causados por nossas infidelidades, motivou o nosso povo a colocar-se como Peregrinos da esperança em busca das Indulgências Plenárias.
Vivemos momentos festivos, com belas celebrações, vivemos momentos de convivência, partilha, confraternização. Todos participaram: desde lactentes, jovens, adultos e idosos; pobres e ricos, brancos e índios, mestiços e negros, “todos, todos!” como dizia o Papa Francisco, foram acolhidos e experimentaram este tempo de graça, de perdão e reconciliação.
Hoje estamos aqui reunidos para celebrar solenemente o encerramento deste ano, que se apresentou como um verdadeiro kairós – o Ano de Graça.
Este ano, estabelecido para celebrar o Jubileu do Mistério da Encarnação do Senhor na vida do universo e da pessoa humana teve como objetivo suscitar em nós a Virtude Teologal da Esperança. Esperança que só se acabará quando estivermos face a face com Deus. No céu, só nos restará o Amor. O Divino Amor, quando Deus será tudo em todos. Constataremos, definitivamente, que a esperança nasce do amor e funda-se no amor que brota do Coração de Jesus trespassado na cruz num gesto de infinito amor.
Este Ano Santo, por desejo do Papa Francisco de saudosa memória tem o seu término na Festa litúrgica da Sagrada Família de Nazaré: Jesus, Maria e José.
A família é uma realidade tão importante que o Verbo de Deus ao se encarnar quis nascer no seio de uma família.
O saudoso São João Paulo II marcou seu Pontificado com a insuperável Exortação Apostólica Familiaris Consortio – Sobre a família nos tempos de hoje, exortando-nos:
“No plano de Deus Criador e Redentor a família descobre não só a sua «identidade«, o que «é», mas também a sua «missão», o que ela pode e deve «fazer». As tarefas, que a família é chamada por Deus a desenvolver na história, brotam do seu próprio ser e representam o seu desenvolvimento dinâmico e existencial. Cada família descobre e encontra em si mesma o apelo inextinguível, que ao mesmo tempo define a sua dignidade e a sua responsabilidade: família, «torna-te aquilo que és»!”
É nas famílias, irmãos e irmãs, onde pais e mães conduzem seus filhos à Pia Batismal, transmite-lhes a fé, motiva-os a frequentar à catequese e a Santa Missa, e têm a alegria de os ver apaixonar-se por Jesus Cristo e deixarem-se chamar por Ele.
Hoje, nesta solene celebração jubilar esta Igreja particular de Sobral tem a graça de receber três novos padres: os Diáconos Lucas Monteiro Barbosa, Raimundo Nonato da Silva Júnior e Ygor Leonardo Matos Sampaio Sales.
Os três, filhos de famílias residentes em paróquias marianas! Destaco outro detalhe: a cidade de origem de cada um inicia com a letra “M”. O Diácono Lucas da cidade de Massapê: Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro; o Diácono Júnior, da cidade de Morrinhos da Paróquia do Sagrado Coração de Maria e o Diácono Ygor da cidade de Meruoca, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição!
Cada um deles fez uma longa caminhada vocacional até chegar aqui, em torno de nove a onze anos. Chegam aqui não para serem elevados, pelo contrário, para se prostarem por terra em sinal de total entrega a Deus e ao serviço da Igreja, seu povo.
Cada um deles sentiu-se chamado por Jesus de forma singular. O Mistério da Divindade de Jesus que “dignou-se assumir a nossa humanidade” tocou o coração do Diácono Lucas que escolheu como tema de sua vida vocacional a frase de Jesus: “Quem me vê, vê Aquele que me enviou.” (Jo12,45); o Diácono Raimundo Júnior sentiu-se chamado pelas seguintes palavras do Mestre: “Não fostes vós que me escolheste, fui eu quem vos escolhi.” (Jo 15,16) E, finalmente, o diácono Ygor guarda no seu coração, como lema de vida, a frase de Jesus: “Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, que seja vosso servo.” (Mt 20, 26-27)
É Deus quem nos chama de diversos modos e em diferentes momentos, no seu tempo e na sua hora.
Queridos Diáconos, eis que é chegada a hora por vós e por nós, tão esperada! A hora da vossa entrega definitiva! Da vossa total consagração! Momento inesquecível que será celebrado com alegria todos os anos de vossas vidas.
Amados Diáconos, recentemente, nosso Papa Leão XIV, no Seminário Maior Arquidiocesano de Trujillo, por ocasião dos 400 anos da sua fundação, dirigindo-se aos seminaristas e a todos os formandos, que somos todos nós, pois a formação é permanente, disse uma frase que considerei de suma importância para quem está sendo ordenado. Assim ele se expressou:
“Antes de qualquer outra coisa, é necessário deixar que o Senhor esclareça as motivações e purifique as intenções (cf. Rm 12,2). O sacerdócio não pode ser reduzido a “chegar à Ordenação” como se fosse uma meta externa ou uma saída fácil para problemas pessoais. Não é uma fuga do que não se quer enfrentar, nem um refúgio diante de dificuldades afetivas, familiares ou sociais; tampouco uma promoção ou um abrigo, mas uma doação total da existência. Somente na liberdade é possível doar-se: preso a interesses ou medos, ninguém se entrega, pois “é-se verdadeiramente livre quando não se é escravo.” (S.Agostinho, De Civitate Dei, XIV, 11, 1). O decisivo não é “ordenar-se”, mas ser verdadeiramente sacerdotes.”
Ser sacerdote, queridos diáconos, ser eternamente Sacerdote de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Sumo e Eterno Sacerdote, conforme a Carta aos (Hebreus 5,5), é ser “Pontífice”! ou seja, é ser ponte. Ponte entre o pobre pecador e o Deus Misericordioso, entre o homem faminto e o Pai que a todos sacia, entre o “sedento de justiça” e o Senhor dos Exércitos que vence o mal com o bem, que faz justiça não através da vingança, da morte ou da destruição, mas através da “justificação” tornando o homem justo, santo, convertendo-o.
Desejo ainda apresentar-vos uma breve reflexão do Papa Leão XIV, de uma Carta Apostólica intitulada: “Uma fidelidade que gera futuro”, publicada agora no dia oito de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição.
O Sumo Pontífice quis chamar a atenção dos sacerdotes para sermos homens de oração, de íntima comunhão com Deus com as seguintes palavras:
“Toda e qualquer vocação é dom do Pai, a ser guardado com fidelidade numa dinâmica de conversão permanente. A obediência ao próprio chamamento constrói-se todos os dias através da escuta da Palavra de Deus, da celebração dos sacramentos – em particular do Sacrifício Eucarístico –, da evangelização, da proximidade aos últimos e da fraternidade presbiteral, recorrendo à oração como lugar privilegiado para o encontro com o Senhor.1”
Pediu-nos que sejamos Promotores Vocacionais, dizendo-nos:
“Os presbíteros são chamados também hoje a uma fidelidade que gera futuro, na consciência de que perseverar na missão apostólica oferece a possibilidade de nos interrogarmos sobre o futuro do ministério, ajudando outros a experimentar a alegria da vocação sacerdotal.2”
E ainda não nos deixou de alertar que mesmos sendo Pastores das ovelhas do rebanho que pertencem a Cristo, somos também ovelhas deste mesmo rebanho:
“Efetivamente, antes mesmo de se dedicar à condução do rebanho, cada pastor deve recordar constantemente que ele próprio é discípulo do Mestre, na companhia dos seus irmãos e irmãs, porque «ao longo de toda a vida somos sempre “discípulos”, com o constante anseio de nos configurarmos a Cristo3»
Finalmente, agora para concluir, o Papa nos convoca a vivermos à vida fraterna, a comunhão presbiteral, evitando o isolamento, mas vivendo a sinodalidade:
«Os presbíteros, elevados ao presbiterado pela ordenação, estão unidos entre si numa íntima fraternidade sacramental. Assim sendo, a fraternidade presbiteral, mais do que uma tarefa a realizar, é um dom inerente à graça da Ordenação. É necessário reconhecer que este dom nos precede: não se constrói apenas com boa vontade e em virtude de um esforço coletivo, mas é dom da Graça, que nos torna participantes do ministério do Bispo e se realiza na comunhão com ele e com os irmãos presbíteros.4”
Este é o desejo do Papa Leão XIV, este é o meu desejo, vosso Bispo, este é o desejo da Igreja que somos todos nós.
Irmãos e irmãs, peçamos a Deus nosso Pai que derrame copiosas graças e bênçãos sobre nossas famílias, que abastecidos neste Ano Jubilar, jamais percamos a Esperança de seguirmos o Caminho que é Cristo, chegarmos juntos a um mundo mais justo e fraterno e sobretudo, à glória da eternidade.
Peçamos ainda ao Pai, por intercessão de Maria nossa mãe, a Virgem concebida sem pecado original, pela santificação do Clero, para que suscite novas e santas vocações e que, todos juntos, sejamos “um só coração e uma só alma” para que o mundo creia. Acreditemos: A esperança não decepciona (Rm 5,5).
Amém.

† José Luiz Gomes de Vasconcelos
Bispo Diocesano de Sobral

1 Op. cit. 5
2 Ibdem 1
3 Ibid. 9
4 Idem 14

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