De Olho na Língua
Candidato a
1) Os cargos a que as pessoas se candidatam ficam sempre no singular: Candidatos a deputado (e não: candidatos a deputados), a líder, a vereadora, a prefeito, a médico a fiscal, etc.
2) Se as candidatas forem mulheres, há duas possibilidades: a) o cargo fica no masculino se puder ser ocupado por pessoas de qualquer sexo dois pontos ela foi candidata a prefeito as 50 candidatos a deputado em São Paulo Porto eram 30 candidatos a datilógrafo; b) se o cargo se destina apenas a mulheres, fica no feminino: Eram dez candidatas a secretária (presume-se que só existiam mulheres apenas); Havia muitas candidatas a costureira; Havia muitas candidatas a costureira.
3) A preposição usada com candidato, candidatura e candidatar-se é “a” e não “para”: Candidato a governador; candidatura a senador; candidatou-se a um ministério.
Fim ou final?
No duro, no duro, “final” é adjetivo. Tem obrigação de acompanhar o substantivo. É o caso de partida final, placar final, resultado final, capítulo final. Fora isso, é a vez do “fim”: Deseja-se bom fim de semana; Chega-se ao fim do ano letivo; O árbitro anuncia o fim da partida; Daqui a um mês chegará o fim do ano.
“Final” está errado? Não. O Português é língua versátil. Boazinha, deixa que qualquer palavra vire substantivo. Quer ver? Amanhecer é verbo: O dia amanhece antes das 6 horas. Com um artigo na frente, vira substantivo: O amanhecer de Brasília encanta os turistas.
“Final” tem o mesmo tratamento das outras palavras. Pode ser substantivo, mas mantém o ranço do adjetivo. Melhor obedecer ao lé com lé, cré com cré. Volta pro teu lugar, cara!
De vez em quando X De quando em vez
São expressões sinônimas que significam ocasionalmente, às vezes, com intervalos. Ambas significam algo que acontece sem uma frequência regular. No entanto, “de vez em quando” é mais comum na linguagem cotidiana, enquanto “de quando em vez” pode soar mais formal ou literária.
OBS.: “De quando em quando” é menos comum na Língua, mas é linguagem correta, porém seu uso é raro.
Vizinho (etimologia)
Vizinho – do Latim “vicinus” (vizinho que tem uma casa próximo). O termo é oriundo de “vicus”, que significa aldeia, vila e, depois, bairro. Portanto, a partir da origem o vizinho não é somente o que está ao lado, o que mora contíguo, paredes-meias, como se diz no estrito sentido. Mas vizinho é aquele que mora próximo e que se conhece, têm-se laços de amizade.
Hoje, nas grandes cidades, muitos não conhecem o que mora no apartamento em frente, ou ao lado. Neste caso, são contíguos os apartamentos, são ligados, mas não são “avizinhados” na convivência. Cognatos: avizinhar, vicinal, vizinhança.
De mais / Demais
De mais é o oposto a “de menos”. Demais é igual a demasiadamente. Exs.: na última remessa, recebemos dez livros de mais (o contrário seria “… Recebemos dez livros de menos”; o orador falou demais (igual a “falou demasiadamente”.
O pequeno vocabulário ortográfico da academia brasileira de letras registra “demais” (junto) nas expressões: ao demais, demais disso, pelo demais, por demais. E “de mais” (separado) na expressão “de mais a mais” (= ademais, além disso).
(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contatos: (088) 99373-7724.

