DE OLHO NA LÍN GUA - Antonio da Costa

Flagrante /fragrante
Como adjetivo de dois gêneros, flagrante significa “que foi visto ou registrado no momento em que ocorreu, em que foi feito. Ex.: flagrante delito: “Disse que o alemão acabara de ser surpreendido vendendo a água em praça pública, em flagrante ultraje ao pudor” (João Ubaldo Ribeiro – Miséria e grandeza do amor de Benedita). Como substantivo masculino significa “ato ou fato visto no momento em que ocorreu: “Não houve flagrante, nem vamos pedir sua prisão preventiva” (Rubem Fonseca – Agosto).
A locução “em flagrante” quer dizer “no momento em que se está praticando determinado ato”: Um bedel ouviu os gemidos do menino e pegou os safados em flagrante.
Fragrante, adjetivo de dois gêneros, …
[13:15, 15/05/2026] Artemísio da Costa Radialista: DE OLHO NA LÍNGUA- Prof. Antônio da Costa (Do Jornal Correio da Semana – Sobral-CE – Sábado – 16.05.26)
“Retirei dinheiro de mais” ou “Retirei dinheiro demais”?
A primeira. Existem em nossa língua duas locuções: DEMAIS (= demasiadamente), que é locução adverbial, e DE MAIS (a mais, o contrário de “de menos”), que é locução adjetiva. Portanto: No pacote veio um sabonete de mais; Trabalhei demais hoje; Você fala alto demais; Comer demais é falta de educação; Meu amor por minhas filhas é de mais; Essa foi de mais.
Lícito = Permitido?
Não. O que é lícito não está vedado por nenhuma lei; o que é permitido está autorizado por uma lei. O antônimo de lícito é ilícito; o de permitido é proibido. Exs.: O casamento entre brancos e negros é lícito no Brasil; A propaganda eleitoral é permitida no Brasil na época das eleições.
Rã é feminino de sapo
Não. O feminino de sapo – grave bem – é sapa. Rã é o nome epiceno: Existe a rã macho e a rã fêmea. Alguns professores ainda ensinam a seus alunos que rã é feminino de sapo. Nunca foi.
Estupro
“O marginal foi preso por crime de estrupo”. Além de ser um crime bárbaro, é também um crime contra o vernáculo! Portanto, não existe, com esse sentido, a palavra “estrupo”. O nome do delito é ESTUPRO. Frase correta: O marginal foi preso por crime de estupro.
OBS.: Embora se constitua um arcaísmo (palavra usada antigamente), a palavra “ESTRUPO” significa tropel; barulho excessivo causado pelo excesso de pessoas em um só lugar.
Sou “de” menor / sou “de” maior
Ninguém é “de” menor, nem “de” maior. Na língua culta ou mais cuidada existe o menor de idade e o maior de idade. Portanto, diga sempre, como gente grande: Sou menor, ou, então, como gente que entende: Sou maior. No registro coloquial, todavia, só se encontra “de” menor e “de” maior. Um dicionário (Aquele) abona as expressões impugnadas. Compreende-se.
Lesar / Lesionar
As duas formas existem, mas a primeira é a rigorosamente correta. A forma lesionar surgiu por analogia com questionar, sancionar, etc., mas só se emprega no sentido de causar lesão, contusão ou traumatismo. Exs.: O zagueiro lesionou o atacante; Os espinhos do limoeiro o lesionaram. Claro está que ninguém “lesiona” o fisco. Todo o mundo faz questão é de “lesar” o fisco.
Partes do corpo
Partes do corpo e atributos da pessoa rejeitam os possessivos: Machucou o braço (e não: Machucou seu braço); Feriu as mãos (e não: Feriu as suas mãos); Arranha a cabeça (e não: Arranha a sua cabeça); Bati o joelho na mesa (e não: Bati o meu joelho na mesa); Recuperei os sentidos (e não: Recuperei os sentidos).
Amoral / Imoral (qual a diferença?)
AMORAL equivale a que não tem o senso da moral: Trata-se de um indivíduo amoral; A arte, para Oscar Wilde, é amoral (e nunca: imoral). IMORAL é o que viola os princípios da moral: Trata-se de um indivíduo (isto é: libertino, devasso, lascivo): Este livro é imoral.

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato: (088) 99373-7724.

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