Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor  

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Dom José Luiz Gomes Vasconcelos, bispo diocesano de Sobral

Dom José Luiz Gomes Vasconcelos, bispo diocesano de Sobral

Chegamos ao cume radioso da nossa fé! O pranto da Sexta-feira Santa secou, o silêncio angustiante do Sábado Santo foi rompido pelo canto do Exsultet, e agora, banhados pela luz inextinguível da manhã de Páscoa, a Igreja inteira, em todos os cantos da terra, entoa a uma só voz: “Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!” (Sl 117,24). O sepulcro está vazio! A morte, aquele inimigo implacável que parecia ter a última palavra sobre a nossa existência, foi definitivamente esmagada sob os pés gloriosos do Cristo Ressuscitado. A pedra pesada que fechava a entrada do túmulo, e que simbolizava o peso esmagador dos nossos pecados e desesperanças, foi rolada para sempre.
Cristo Ressuscitou verdadeiramente, Aleluia! Verdadeiramente ressuscitou, Aleluia, Aleluia! Repetimos incansavelmente nestes dias pascais.
O Evangelho de São João que a liturgia nos propõe para esta esplêndida manhã (Jo 20,1-9) nos convida a correr junto com os primeiros discípulos para testemunhar este fato inaudito que dividiu a história do universo. O evangelista começa narrando: “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra retirada do túmulo” (Jo 20,1). Notemos, meus caríssimos, a força desta imagem: sendo ainda escuro. Maria Madalena carrega em seu coração a escuridão do luto, a dor da perda daquele que havia lhe devolvido a dignidade. O mundo natural ainda estava submerso nas trevas da noite, mas no calendário de Deus, um novo dia já havia raiado. É o “primeiro dia da semana”, o dia da nova criação. Assim como no princípio Deus disse “Faça-se a luz” (Gn 1,3), agora a Luz do Mundo ressurge das profundezas da terra para nunca mais se apagar.
Desorientada e amedrontada pela possibilidade de terem roubado o corpo do Mestre, Maria Madalena corre ao encontro de Pedro e do discípulo que Jesus amava. “Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram!” (Jo 20,2). A resposta dos apóstolos é imediata. Eles saem apressados, correndo juntos em direção ao sepulcro. João, sendo mais jovem, chega primeiro, mas por reverência à autoridade que o próprio Cristo conferira a Pedro, espera que ele entre. E o que Pedro vê? “Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte” (Jo 20,6-7).
Meus irmãos, este detalhe não é um mero enfeite literário. Ele é a prova silenciosa e majestosa da ressurreição. Se o corpo de Jesus tivesse sido roubado, como espalharam os guardas subornados (cf. Mt 28,13), os ladrões teriam levado o corpo às pressas, de forma caótica, ou teriam levado os lençóis preciosos. Mas tudo ali está em perfeita ordem. O sudário enrolado à parte revela que Aquele que ali repousava despertou, libertou-se das amarras da morte com total soberania, como quem se levanta tranquilamente do seu leito pela manhã e dobra as suas vestes. Diante desta ordem divina, o evangelista nos atesta sobre si mesmo: “Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e creu” (Jo 20,8).
Ver e crer. Esta é a vocação da Igreja! Este é o nosso chamado nesta manhã de Páscoa! Nós não somos seguidores de uma bela filosofia moral ou de um profeta morto e mumificado pelo tempo. Nós somos discípulos de uma Pessoa Viva! Como nos ensina de forma tão penetrante São Bernardo de Claraval, o mistério da Páscoa não é um simples retorno à vida biológica, como aconteceu com Lázaro, que mais tarde voltou a morrer. A ressurreição de Cristo é o ingresso da nossa própria humanidade na eternidade de Deus. O grão de trigo caiu na terra, morreu, e agora produz um fruto imenso, que somos todos nós, os redimidos.

Cardeal Orani João Tempesta – Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

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