Sobre o narcisismo, como transtorno da personalidade

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Herculano Costa

O narcisismo é um transtorno da personalidade caracterizado por sintomas, como sentimento excessivo de importância de si próprio, necessidade de reconhecimento e desvalorização de outras pessoas. Esse sintoma, geralmente, tende a começar a ser notado no início da adolescência da pessoa.
Não se sabe a causa exata deste transtorno de personalidade, que também é conhecido como transtorno de personalidade narcisista, mas acredita-se que está associado a uma predisposição genética e a experiências vividas pela pessoa durante a infância.
Todos os seres humanos podem errar. Qualquer pessoa, em algum momento da vida, pode mentir, trair, ser fria, egoísta ou agir de forma imatura. Isso faz parte da condição humana. O que diferencia o narcisismo não é o erro isolado, mas a repetição estruturada do mesmo comportamento ao longo do tempo.
O narcisista não age por impulso ocasional. Ele segue um padrão previsível, quase mecânico, que se repete em diferentes relações e contextos. Primeiro ele encanta. Usa charme, atenção, sedução emocional ou intelectual para criar vínculo e admiração. Depois, passa a usar o outro, como fonte de validação, conforto, status ou prazer. Quando a pessoa deixa de cumprir esse papel ou começa a perceber incoerências, vem a desvalorização: críticas sutis, afastamento, frieza, comparações e pequenas humilhações.
Em seguida, instala-se a confusão. O narcisista muda o discurso, contradiz fatos, apaga rastros, cria versões paralelas da realidade. A vítima começa a duvidar do que sente, do que viu, do que sabe. Nesse ponto, ele desloca a culpa. O problema nunca é o comportamento dele, mas a sensibilidade do outro, a desconfiança, o “drama”, o “exagero”. E quando a tensão diminui ou o vínculo é restaurado, outro ciclo recomeça exatamente do mesmo jeito.
Por isso, narcisismo não se avalia por um episódio, uma traição ou uma mentira específica. Avalia-se pela recorrência, pela incapacidade de assumir responsabilidade emocional e pela repetição do mesmo roteiro com pessoas diferentes. Onde há narcisismo, há padrão. E onde há padrão, não há acaso.
Os principais sintomas de narcisismo são: Considerar-se excessivamente importante; preocupação excessiva com sucesso, poder ou beleza, por exemplo; necessidade de atenção e admiração; importar-se demasiadamente com os próprios sentimentos e necessidades; expectativas irreais de receber tratamentos privilegiados; sentir inveja ou acreditar ser invejado por outras pessoas; demonstrar atitudes e comportamentos arrogantes.
Pessoas com transtorno de personalidade narcisista tendem a exagerar em seus talentos, conquistas ou contribuições e, normalmente, ficam surpresas quando estes não são reconhecidos. Por isso, podem sentir que somente são compreendidas por outras pessoas especiais.
O narcisismo pode fazer com que a pessoa seja vista como arrogante ou pretensiosa e se comparar com famosos ou organizações importantes de forma irreal. Além disso, frequentemente exploraram outras pessoas por se acharem com mais direitos.
Em caso de suspeita de narcisismo, é recomendado consultar um psiquiatra, aconselhar-se com um psicólogo, tratar-se com um psicanalista. O tratamento normalmente é feito com sessões de psicoterapia e, em alguns casos, medicamentos para controlar sintomas de ansiedade ou depressão, por exemplo.
Por Herculano Costa (*) – Jornalista, Reg. ACI N° 1.216, Radialista, Escritor e Poeta

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