A Felicidade do Pacifista Gandhi e do Budista Nichiren

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Salmito Campos

Poucas definições de felicidade são tão simples e tão desafiadoras ao mesmo tempo quanto a de Gandhi: “A felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz estão em harmonia.” O pacifista indiano não falava de conquistas materiais nem de ausência de sofrimento, mas de algo muito mais profundo e difícil de alcançar, que é a coerência entre o mundo interior e as escolhas externas.
Essa ideia, formulada há mais de um século, continua sendo uma das mais poderosas ferramentas de autoconhecimento e bem-estar que qualquer pessoa pode aplicar na vida cotidiana.
O que Gandhi quis dizer com harmonia entre pensamento, palavra e ação? Para o líder indiano, a harmonia não era um estado passivo de paz, mas uma conquista ativa que exigia disciplina, honestidade e coragem de viver conforme os próprios valores, mesmo quando isso custava algo.
Na prática, esse ensinamento significa que não basta pensar em ser uma pessoa justa se as palavras que você usa ferem os outros. Não basta dizer que valoriza a família se as suas ações contradizem esse compromisso todos os dias. O pensamento, a palavra e a ação, quando desconectados, criam uma tensão interna que drena a energia, corrói a autoestima e afasta a pessoa de qualquer sensação real de felicidade. Gandhi chamava esse alinhamento de integridade, e o tratava como a base de tudo.
Por que a falta de harmonia interior causa tanto sofrimento?
A psicologia moderna confirma o que Gandhi ensinava com base na experiência e na filosofia. Quando existe uma distância grande entre o que alguém acredita e o que de fato pratica, o resultado é o que os pesquisadores chamam de dissonância cognitiva, um estado de desconforto mental que a mente tenta resolver de diversas formas, nem sempre saudáveis. Justificar comportamentos contrários aos próprios valores, minimizar erros ou culpar outros são mecanismos que surgem exatamente para lidar com essa falta de harmonia interna. Carlos Emanoel (https://catracalivre.com.br/noticias/mahatma-gandhi-).
Na filosofia humanística do budismo Nichiren da Soka Gakkai há duas formas de felicidade: a relativa e a absoluta. Uma rápida passada de olhos pelas manchetes do dia é suficiente para deixar o mais incauto dos mortais, no mínimo, em profundo estado meditativo e/ou melancólico. É fato que a humanidade se encontra num descompasso.
No que se refere à questão da sociedade, vivemos na era da tecnologia que deveria proporcionar bem-estar e tranquilidade, já que todo tipo de informação necessária está a um clique de distância somente; porém não é o que se vê. Mas então, onde está a felicidade?
Conquistar a casa própria, uma promoção, um novo bem de consumo há muito desejado entre outras vitórias semelhantes é o que se denomina felicidade relativa. São os desejos naturais e cotidianos, efêmeros portanto, pois duram o tempo exato da ocorrência de um novo fato da vida. E, muitas vezes, há ainda aqueles que têm a duração exata da chegada do boleto de cobrança e, chega junto com o papel impresso, o arrependimento. Não há felicidade real possível em uma conquista dessa natureza.
Entretanto, a felicidade absoluta é obtida ao alcançar a condição de vida em que nada nem ninguém é capaz de abalar sua serenidade e plenitude. O buda Nichiren, exilado na Ilha de Sado em pleno inverno japonês, vivendo numa choupana coberta de palha e tendo como única vestimenta um fino quimono de algodão, num de seus escritos, se auto proclamou “o homem mais feliz do Japão”. Tal afirmação feita em meio a tal circunstância adversa era uma declaração de que atingira sua plenitude espiritual, ou a felicidade absoluta, por ter alcançado a sabedoria suprema de seu propósito naquela existência. (https://bsgi.org.br/noticia/como-o-budista-ve-a-felicidade-).
(salmitocamposs@gmail.com).

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