De Olho na Língua
Existe alguma diferença entre invenção e invento?
Existe, sim. As duas palavras exprimem o que se inventou, a obra do inventor, com a diferença que invenção é termo mais abrangente. O invento se restringe às artes. O computador, o telefone, o rádio, a pilha são invenções; o cinema, além de invenção, é um extraordinário invento. Há coisas, no entanto, que não podem (nem devem) ser inventadas. Um estudante participante do ENEM, no entanto, preocupado com o futuro dos inventores, escreve isto: Lavoisier foi guilhotinado por ter inventado o oxigênio. Esse é o tipo de invento que, em verdade, é uma invenção.
Posso abrir “um parênteses”?
Não convém. Quem abre “um parênteses” está muito perto de tomar “um chopes”, ou de comer “um pastéis”. Ou mesmo de ficar sem “um clipes” para unir todas essas asneiras e jogá-las no lixo. Parêntese, no singular; parênteses só no plural. Por isso, pode abrir um parêntese aqui, outro parêntese ali, mas não se esqueça de também fechar ali e outro aqui…
À medida em que – Isso existe?
Não, não existe. O que existe é apenas “à medida que”: À medida que o tempo passa, cresce o desemprego no país; À medida que a noite se aproxima, vão se recolhendo as aves; A temperatura do sol não é constante, mas aumenta à medida que nos aproximamos do seu núcleo.
São Francisco ajuda “até os pagãos” ou “até aos pagãos”?
Tanto faz. Tanto faz mesmo. Na língua padrão, registra-se o uso do verbo “ajudar” como transitivo direto ou transitivo indireto. Quem não conhece o ditado popular: “Quem ajuda os pobres empresta a Deus (Ou: Quem dá…)”? Ou: Quem ajuda aos pobres empresta a Deus (Ou: Quem dá aos pobres…)? Em consequência disso, registra-se o uso dos pronomes “o” (Quem os ajuda empresta a Deus) e “lhe” (Quem lhes ajuda empresta a Deus) como complemento do verbo ajudar.
Circuito / Gratuito / Fluido
Pronunciam-se com acento no “u” do ditongo: Circúito, gratúito, flúido (o substantivo). É verdade que apresentadores e repórteres de televisão continuam dizendo “circuíto”, “gratuíto” e “fluído”, mas creia: são apenas os despreparados. Sugiro a esses apresentadores e repórteres que sejam coerentes, pronunciem também: descuído, fortuíto, intuíto e outras besteiras.
O escolhido “foi eu” ou “fui eu”
A frase correta é: “O escolhido fui eu”. Se o predicativo for nome de pessoa ou pronome pessoal, o verbo ser concorda com ele. Exs.: O escolhido fui eu; As esperanças do time eram o melhor jogador; O responsável por esse projeto sou eu; Os convidados fomos nós.
Se o sujeito for nome de pessoa ou pronome pessoal, o verbo ser deve concordar com ele. Exs.: Eu fui o escolhido; Marcos era a esperança do Palmeiras; Fernando Pessoa é muitos poetas ao mesmo tempo; Eu sou o responsável por tudo nesta obra; Ele é forte, mas não é dois. Se houver dois pronomes pessoais, o verbo ser concorda com o primeiro: Eu não sou você; Ele não é eu; Nós não somos você.
Aerossol/Girassol
Aerossol (de aero + sol). Pronuncia-se aerossol é não aerozol. Ex.: O nevoeiro é um aerossol natural; “Os aerossóis artificiais são obtidos pela brusca liberação de um ingrediente (tinta, perfume, desodorante, inseticida) contido num frasco sob forte pressão de um gás (José Luís Soares – Dicionário de Biologia, pág.10). Interessante é que girassol é escrito do mesmo jeito de aerossol e ninguém pronuncia girazol.
(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato: (088) 99373-7724.
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