Santuário de São Benedito reúne mais de cem mil fiéis na Festa de Nossa Senhora de Fátima

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Celebração realizada entre 30 de abril e 13 de maio, marcou o encerramento da trezena com missas desde a madrugada e a novidade de uma corrida em devoção à padroeira.
O Santuário Nossa Senhora de Fátima, pertencente à Diocese de Tianguá e situado no município de São Benedito, na Serra da Ibiapaba, reuniu mais de cem mil pessoas durante a Festa da Padroeira, realizada entre os dias 30 de abril e 13 de maio. Com o tema “Nossa Senhora de Fátima, sinal do amor de Deus para o mundo” e o lema extraído do Evangelho de Lucas — “O Senhor fez em mim maravilhas; Santo é seu nome” (Lc 1,49), a celebração confirmou o santuário como um dos principais centros de devoção mariana do Ceará.

Uma devoção com raízes na Serra Grande
A história da devoção a Nossa Senhora de Fátima na região remonta aos anos de 1950, quando o território ainda pertencia à Diocese de Sobral. Foi nessa época que a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, vinda de Portugal, passou pela Serra Grande, lançando as sementes de uma fé que atravessaria décadas. Com o tempo, as paróquias que hoje compõem as dioceses de Tianguá e Crateús foram se desmembrando de Sobral, mas a devoção permaneceu viva e crescente.
A festa remete ao dia 13 de maio de 1917, quando a pastora Lúcia dos Santos, acompanhada dos primos Francisco e Jacinta, relatou a primeira aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria, em Fátima, Portugal, a cerca de 127 quilômetros de Lisboa. Segundo a Igreja Católica, ao longo daquele ano ocorreram seis aparições, entre maio e outubro, com um apelo para a conversão dos pecadores e oração pela paz no mundo.

Um santuário preparado para receber multidões
Com área construída de 5.200 m², o santuário comporta até 1.800 fiéis sentados e cinco mil em pé. A estrutura conta com capelas auxiliares, salas de confissão, sacristias, amplo estacionamento e acessibilidade para idosos, crianças e pessoas com deficiência. Com 20 anos de existência e 24 funcionários, o espaço mantém celebrações eucarísticas diárias e tem como uma de suas prioridades o atendimento às confissões.
Romeiros de diversas localidades do Ceará e Piauí vão ao santuário anualmente, formando o que o reitor, padre Anchieta Aguiar, chama de “um grande corredor da fé”. Ele destacou a influência dos bispos Dom Alfredo, emérito de Parnaíba (PI), e Dom Jacinto, emérito de Crateús (CE), como grandes incentivadores da devoção mariana na região, entre outros bispos.

Graças e conversões
Entre os relatos que marcam a história do santuário, o padre Anchieta destacou as histórias de mulheres que retornam para pagar promessas após alcançarem a graça da maternidade. “Nós realizamos aqui no santuário a Missa pela paz e pelas famílias, e nos momentos de adoração, diversas profecias de mulheres que não podiam engravidar são anunciadas, e depois elas retornam para pagar a promessa, relatando ter conseguido alcançar a graça”, contou.
O reitor também narrou o caso de um casal de adventistas que visitou o santuário por curiosidade. Durante a visita, a esposa pediu um momento de silêncio e recolhimento, e acabou se emocionando profundamente. “A sensação que tive é que, naquele choro, ela se libertou. Ela disse que não sabia o que havia acontecido, mas que ali tinha sentido Deus, mesmo sem ser o que confessava”, relatou o padre. No final do mesmo ano, o casal retornou: ela iniciava o processo catequético para se tornar católica.
A festa também foi palco de uma história de amor que tem Nossa Senhora como fio condutor. O jovem Jonathan Lucas pediu Mikaelle Cisne em casamento no santuário, em um momento que, segundo ele, não foi por acaso.
“A escolha daquele lugar foi por devoção, por amor à Nossa Senhora e porque aquele santuário já fazia parte da nossa história muito antes de sermos um casal. Carregava comigo uma lembrança muito pessoal daquele lugar. Naquela época, éramos apenas amigos, e em uma visita ao santuário eu quis comprar um terço para ela de presente. Era um terço diferente de todos os outros, a moça do balcão não sabia informar o valor, nem se ainda havia em estoque. Parecia algo raro, único. Jamais imaginaria que um dia voltaria ali segurando a mão dela, agora como casal, para fazer o pedido mais importante da minha vida”, contou Jonathan.
Para ele, a coincidência é difícil de explicar sem recorrer à fé. “É como se Nossa Senhora, em silêncio, já estivesse preparando nossos caminhos muito antes de entendermos o que Deus tinha reservado para nós. Voltamos ao mesmo lugar, mas com um propósito diferente, mais maduro e cheio de amor. E naquele santuário, diante dela, confirmamos uma promessa que nasceu no coração há muito tempo: continuar nossa caminhada juntos, sob a proteção de Maria e conduzidos por Deus”, disse.
Mikaelle, por sua vez, destacou que o local escolhido transformou o momento em algo muito além de uma cena romântica. “Não foi apenas um cenário bonito. Foi um lugar marcado pela providência de Deus e pela intercessão de Maria, uma promessa que começou muito antes de existirmos como casal”, afirmou. Ela foi ainda surpreendida com um buquê de lírios de São José, símbolo de pureza e da paternidade silenciosa do santo, que, segundo ela, tornou o momento ainda mais sagrado. “Ali estavam reunidos o amor de Nossa Senhora, a proteção de São José e a confirmação de Deus sobre a nossa caminhada”, completou.

A novidade do ano: fé e movimento
A grande novidade da festa em 2026 foi a 1ª Corrida de Nossa Senhora de Fátima, realizada na tarde do dia 9 de maio. Com um percurso de 5 km pelas ruas da cidade, o evento reuniu cerca de mil participantes entre famílias, atletas e praticantes de atividade física, unindo espiritualidade e saúde em um clima de alegria e fraternidade.

O ponto mais alto: o dia 13 de maio
O ápice da celebração foi na última quarta-feira (13/05), data que marca a primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima. Ainda na madrugada, os primeiros peregrinos já chegavam ao santuário, muitos a pé, vindos de localidades distantes, em gesto de devoção, sacrifício e gratidão. A primeira missa foi celebrada às 4h, abrindo uma intensa programação que se estendeu ao longo de todo o dia, com celebrações às 5h, 6h30, 8h, 10h, 12h, 15h, 17h e 19h.
O momento de maior solenidade foi a missa das 10h, presidida pelo bispo diocesano, Dom Edimilson Neves, que reuniu multidões no santuário em torno da fé compartilhada e da devoção à padroeira.
Em homilia, o bispo recordou as aparições de Fátima, ocorridas há 109 anos em Portugal. “Hoje nos unimos com a Igreja Católica no mundo inteiro para acolher a iniciativa de Nossa Senhora, que certamente pediu a Deus e ao seu Filho a graça de poder vir ao nosso encontro. E como o Senhor permitiu que sua querida Mãe rompesse as portas do paraíso para nos visitar, para nos alertar e nos chamar à conversão, aqui estamos, respondendo ao seu chamado”, ressaltou Dom Edimilson.
Ao fim do dia, com o santuário ainda repleto de fiéis, ficou evidente que a Festa de Nossa Senhora de Fátima em São Benedito é muito mais do que uma celebração religiosa. É uma peregrinação de alma, um encontro de pessoas simples que carregam nas mãos o terço, nos pés o cansaço do caminho e no coração a certeza de que a Mãe os espera. Ano após ano, a Serra da Ibiapaba se torna palco de graças, conversões e histórias que a fé escreve em silêncio, longe dos holofotes, mas perto de Deus.

Thais Helena – Jornalista – Jornal Correio da Semana

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