Salmito Campos

Vivemos em uma época em que o desejo nunca descansa. Sempre mais. Sempre melhor. Sempre outro. Mas, segundo Epicuro, a raiz da inquietação humana não está na falta, está na medida. Para a Filosofia, especialmente na tradição clássica que inspira a Nova Acrópole, a felicidade não depende da acumulação, mas da compreensão do que é essencial.
Como frequentemente ensina a Profa. Lúcia Helena Galvão, não é o mundo que precisa diminuir – é o nosso desejo que precisa encontrar ordem. Quando o “suficiente” se torna pouco, o coração se torna insaciável. E quem é escravo do excesso jamais experimenta a liberdade interior.
Epicuro não defendia uma vida de privações, mas de consciência:
– distinguir o que é necessário do que é supérfluo
– cultivar prazeres simples e duradouros
– reconhecer que a verdadeira riqueza é a serenidade
Talvez a pergunta não seja “o que me falta?”, mas:
“O que em mim nunca está satisfeito – e por quê?”
Filosofar é aprender a medir.
E medir é aprender a viver.
(https://www.facebook.com/NABrasilia/photos/vivemos-em-uma-época-em-que-o-desejo-nunca-descansa-sempre-mais-sempre-melhor-se/).
A Força de Vontade é muito mais que um simples desejo. Para fazer, para viver, para realizar, não basta desejar; o desejo morre com a rapidez de uma rajada fugidia, enquanto que a Vontade se manifesta com a potência da fé, da constância e da paciência.
Força de Vontade não é deixar-se arrastar pelos ventos e pelas correntes que surgem ao nosso redor. É determo-nos por um instante, ainda no meio da corrente e saber escolher o caminho adequado. É saber ser a folha fixada numa árvore e não folha morta levada pela tempestade. É saber ser o barco de madeira, com remos e leme, e não lenho morto no meio do mar.
Força de Vontade é ser como a gota de água que canaliza o seu enorme instinto, indo parar inexoravelmente ao seu mar matriz.
Força de Vontade é viver na companhia interior do nosso próprio eu, e não ceder rapidamente às mil e uma solicitações das circunstâncias externas. “O desejo morre com a rapidez de uma rajada fugidia, enquanto que a vontade se manifesta com a potência da fé, da constância e da paciência.”
A Força de Vontade não é aniquiladora da personalidade, nem endurece falsamente o Homem. Pelo contrário, ensina a rir e a chorar quando se deve rir e quando se deve chorar, reconhecendo o que a cada instante pertence e o que a cada instante se deve fazer.
Força de Vontade é o que nos permite amar verdadeiramente, não com paixão, mas com compreensão.
A Força de Vontade não é conformar-se nunca com o que se consegue, mas insistir diariamente em alcançar mais altos e melhores objetivos. Mas sem que este inconformismo nos leve a perder de vista uma meta e um ideal que deverá ser fixo e inamovível como as estrelas.
Força de Vontade é superar os inconvenientes com inteligência, extraindo deles a experiência necessária para não voltar a errar da mesma maneira. É não se deixar desfalecer ante as dificuldades, nem tão pouco vangloriar-se fatuamente ante os êxitos. Nenhum êxito mundano é definitivo.
Força de Vontade é procurar as raízes da árvore da vida, sem contentar-se com os seus ramos multicores. É preferir a Alma ao corpo.
Força de Vontade é a que, em suma, nos faz mover em prol da Beleza e da Justiça, a que nos impulsiona a procurar a Unidade e a que, por tudo isso, nos leva ao encontro de Deus. (Delia Steinberg Guzmán – Directora Internacional da Nova Acrópole).
(https://nova-acropole.pt/a-forca-de-vontade/).
Prof. Salmito Campos
(jornalista e radialista).

About The Author

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *