Homilia na Memória da Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior por ocasião dos 220 anos do nascimento do Venerável Pe. José Antônio Maria Ibiabina, aos 5 de agosto de 2026 em Santa Fé – PB.

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Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus nosso Senhor, louvado seja nosso senhor Jesus Cristo!

Permitam-me iniciar esta homilia em primeiro lugar saudando vosso Bispo Diocesano, meu estimado irmão no Episcopado Dom Edilson Soares Nobre.
Nos conhecemos em Roma, na Cidade Eterna, moramos juntos dois anos no Pontifício Colégio Pio Brasileiro, ele estudando Comunicação Social e eu Teologia Patrística.
Em 2012 o Papa Bento XVI nomeou-me Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Fortaleza e em 2015 o Papa Francisco me transferiu para assumir a Diocese de Sobral CE como o sétimo Bispo daquela Igreja particular.
Meu irmão Dom Edilson foi nomeado pela Para Francisco em 2017 Bispo Diocesano de Oeiras no Piauí e este ano o Papa Leão o transferiu para esta feliz Diocese de Guarabira aqui na Paraíba.
Na última conversa que tivemos ao celular eu disse ao nobre amigo que ele estava trilhando os passos dos santos sobralenses.
Isto porquê, amados irmãos e irmãs, para quem não sabe, o primeiro Bispo de Oeiras foi Dom Francisco Expedito Lopes, que nasceu em Sobral CE em 1914, foi nomeado pelo Papa Pio XII o primeiro Bispo de Oeiras PI no ano de 1948, lá permaneceu sete anos, amou muito aquela Diocese e em 1955 foi transferido para Garanhuns PE, minha terra natal, em Garanhuns foi dolorosamente assassinado por um sacerdote em 1957. Aquele Bispo Santo morreu perdoando o seu algoz e hoje é um Servo de Deus em processo de canonização e a glória dos altares.
Pois bem, Dom Edilson foi nomeado pelo Papa Francisco o quinto Bispo de Oeiras PI, terra do sobralense Dom Francisco Expedito Lopes, e este ano transferido para a terra onde viveu, amou e nela foi sepultado outro ilustre e santo sobralense o Pe. José Antônio Maria Ibiapina, o Apóstolo do Nordeste, que dispensa comentários.
Tendo saudado o vosso bispo Diocesano, a quem desejo o profícuo pastoreio nesta terra santa, saúdo os sacerdotes concelebrantes e todo o povo de Deus que aqui se reúne para celebrar em torno deste altar os 220 anos do nascimento do Venerável Padre Mestre Ibiapina, nascido em Sobral, no Ceará, terra fecunda para a santidade, mãe de homens que deram a vida pelo anúncio do Reino de Deus e onde, hoje sou Bispo pela graça de Deus.
Saúdo igualmente os nossos rádio ouvintes e internautas que nos acompanham através das Redes de Comunicação social.
Amados irmão e irmãs, a Santa Madre Igreja celebra hoje a Memória Litúrgica da Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior em Roma. Há cinco anos atrás eu tive a graça de presidir a Santa Missa no Altar principal daquela Basílica tendo como concelebrantes todos os bispos do Ceará e do Piauí, entre eles o vosso nobre prelado! Estávamos em Visita ad Limina, convocada pelo Papa Francisco de saudosa memória.
O Papa Franciso, que tornou Pe. Ibiapina Venerável e que escolheu ser sepultado naquela Basílica de Santa Maria Maior, cita em um de seus pronunciamentos “… que no juízo final Deus não cobrará diplomas, estudos ou grandes cargos. O único critério da prova final será a caridade praticada em favor dos irmãos. Na avalição final constará se demos de comer a quem tinha fome, de beber a quem tinha sede e se acolhemos o próximo.”
O Pe. Ibiapina viveu a experiência de estudos, diplomas e grandes cargos, mas fez da Caridade a opção definitiva da sua vida.
A Basílica de Santa Maria Maior é uma das quatro basílicas maiores, uma das sete igrejas de peregrinação e a maior igreja mariana de Roma — motivo pelo qual ela recebeu o epíteto de “Maior”.
Aquela Basílica foi consagrada em honra de Nossa Senhora, e oferecida ao “povo de Deus”, pouco depois do Concílio de Éfeso ocorrido no ano 431, que proclamou Maria como “Theotokos”, isto é, “Mãe de Deus.”
Esta consagração foi precedida todavia por um acontecimento milagroso.
A basílica é por vezes chamada de “Nossa Senhora das Neves”. Este nome tornou-se popular no século XIV e é, por sua vez, uma referência a uma tradição que descreve assim:
“Durante o pontificado do Papa Libério, o patrício romano João e sua esposa, que não tinham filhos, fizeram um voto de que doariam todas as suas posses à Virgem Maria. Eles rezaram para que Ela lhes indicasse como eles deveriam se desfazer de suas posses para homenageá-La. Em 5 de agosto, numa noite no auge do verão, (e quem morou em Roma sabe como é a temperatura em Roma no mês agosto, o mês mais quente do ano) “nevou no alto do monte Esquilino. Obedecendo a uma visão da Virgem que tiveram na mesma noite, o casal construiu a basílica em homenagem a ela no local exato que estava coberto de neve.”
Ao preparar esta homilia, buscando inspirações para elevar a Deus nossa ação de graças por esta vida santa que nasceu em nossa Sobral, terra de outros santos, atualmente temos quatro processos de beatificação e canonização de sacerdotes nascido em Sobral.
O primeiro deles, o vosso e nosso, Venerável Padre Mestre Ibiapina, o segundo o já citado Sevo de Deus Dom Francisco Expedito Lopes, Bispo Mártir de Garanhuns PE, o Servo de Deus Joaquim Arnóbio de Andrade, fundador da congregação das Irmãs Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus, e por fim, o Servo de Deus Mons Valdir Lopes de Castro, exímio Pároco de Marco CE.
Chegou-me a seguinte inspiração: tendo o Pe. Mestre José Antônio Maria Ibiapina nascido no dia 05 de agosto de 1806, dia em que a Igreja celebra desde o século IV a memória de Nossa Senhora das Neves, ou a Theotokos, a Mãe de Deus, de quem tornou-se tão devoto, a ponto de inserir no seu nome o de Maria, não seria ele, simbolicamente falando, (sim, porquê os mistérios de Deus só podem ser transmitidos de forma simbólica) o refrigério, o orvalho refrescante, e por que não dizer a nevasca, que Nossa Senhora teria enviado para aquele lugar de clima tão quente, de sol escaldante de Sobral, para ser sinal da graça divina?
Nevasca esta que iria derreter e correr como um “rio de água viva”, atravessando o Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, chegando a firmar-se como uma barragem de graças aqui em Santa Fé, onde milhares de pessoas ainda podem saciar sua sede de Deus e seu compromisso com a vida abundante para todos?
Nas festas de Dedicação das igrejas um dos textos bíblicos propostos, utilizado por exemplo na Festa da Dedicação de Latrão, a Catedral do mundo, é o texto do Profeta Ezequiel capítulo 47, onde o profeta é convidado a contemplar um veio de água que nasce no templo de Jerusalém e vai crescendo até tornar-se um riu caudaloso que só se torna possível atravessar à nado, e por onde este rio passa ele produz vida, os frutos das árvores plantadas no seu leito servem de alimento e suas folhas servem de remédio!
Assim foi o Padre José Antônio Maria Ibiapina, verdadeiro rio de água viva, que tendo nascido no dia de Nossa Senhora das Neves no calor de Sobral, transformou-se neste rio que por onde passou deixou a marca da Caridade, da Santidade e da Fé.
220 anos se passaram e ele não caiu no esquecimento. É memória viva da força do Deus, que é Pai, que provê o alimento para todos os seus filhos e que nos ama com amor de mãe e que nos amamenta com o leite que nos cura de todos os males.
“Bem-aventurados os seios que te amamentaram, bem-aventurado o ventre que te gerou” gritou alguém no meio da multidão no Evangelho proclamado hoje. “Bem-aventurado antes aquele que ouve a Palavra de Deus e a põe em prática”. Respondeu Jesus!
É claro, que ninguém melhor que a Virgem Maria ouviu a Palavra de Deus e a pôs em prática! “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo à tua Palavra” respondeu Maria ao Arcanjo São Gabriel. Como fiel discípula e missionária, acompanhou os passos do seu filho, o Filho de Deus, do berço até à cruz.
Assim resplandece entre nós, ligando Sobral, no extremo Norte do Estado do Ceará, até este rincão da Paraíba o Venerável Pe. Mestre Ipiapina. Aqui repousam seus restos mortais e aqui ele concluiu sua missão na terra, entregando ao Pai sua vida. Vida carregada de dons preciosos, de vidas salvas, de almas redimidas, de crianças, adultos, jovens e idosos que encontraram em seus ensinamentos e em suas obras um sentido para a vida. Sentido este que encontra em Cristo Jesus o alfa e o ômega, o princípio e o fim.
Que esta festa jubilosa revigore todos aqueles que como o Pe. Mestre Ibiapina fizeram e fazem uma opção preferencial pelos pobres, e conceda a todos nós, a graça de um dia, e que este dia seja breve, o vermos na glória dos altares, como exemplo a ser seguido e intercessor dos abandonados e de todos os que creem em Cristo Jesus nosso Senhor e são devotos da Mãe de Deus, Maria Santíssima!
Que assim seja. Amém.

† Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos – Santa Fé – Paraíba, 05 de agosto de 2026

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