O Quinto dos Infernos
Você já mandou alguém para o “Quinto dos Infernos” em um momento de raiva? A origem dessa expressão é antiga, dos tempos em que o Brasil ainda era uma colônia de Portugal. E, diferentemente do que se imagina, a expressão não tem relação com o inferno.
Impostos Fizeram a Fama
Na época, a Coroa portuguesa cobrava imposto do que era produzido no Brasil, inclusive nas minas. O valor do tributo era de 20% do que era encontrado na colônia, ou seja, um quinto da produção.
“Havia casas de fundição. Você vinha com ouro em pó, pesava, transformava em barra e deixava o quinto”, explica Thiago Gomide, jornalista e historiador, em um vídeo no TikTok.
“Um monte de gente tentou contrabandear ouro sem pagar esse imposto. Até em santo com fundo oco colocaram o metal”, completa Gomide.
Navio de Exilados
O navio que vinha até o Brasil recolher o imposto era chamado de nau dos quintos. Além de buscar o tributo, a embarcação também trazia exilados para o Brasil.
Na época, o país era apenas um lugar longe e desconhecido. Por isso, os europeus diziam que quem embarcava no navio ia ao “quinto dos infernos”. “O inferno era o Brasil e a expressão pegou”.
(https://educacao.uol.com.br/noticias/2023/08/23/por-que-se-fala-em-quinto-dos-infernos.htm).
A Inconfidência Mineira, também chamada de Conjuração Mineira, foi a conspiração de uma pequena elite de Vila Rica – atual Ouro Preto (MG) -, ocorrida em 1789, contra o domínio português. Desse grupo, fizeram parte intelectuais, religiosos, militares e fazendeiros, dentre os quais estava o alferes Joaquim José da Silva Xavier, sempre lembrado como principal líder do movimento.
O motivo principal da Inconfidência foi a questão da derrama. Tratava-se de uma operação fiscal realizada pela Coroa portuguesa para cobrar os impostos atrasados. O chamado quinto, como o próprio nome já indica, correspondia à cobrança de 20% (1/5) sobre a quantidade de ouro extraído anualmente.
Quando o quinto não era pago, os valores atrasados iam se acumulando. Então, a Metrópole podia lançar mão da “derrama” para cobrar esses impostos, utilizando-se até mesmo do confisco dos bens dos devedores. Todos os líderes da Inconfidência estavam endividados com o Real Erário Português, motivo pelo qual, segundo especialistas, teriam sido motivados a se envolver na revolta contra a Metrópole.
Emblemático, nesse sentido, foi o fato de a eclosão do movimento ter sido agendada justamente para o dia em que se esperava que o governador da Capitania de Minas Gerais, Visconde de Barbacena, ordenasse a cobrança da derrama. Esperavam, com isso, ganhar o apoio da população à sua luta anticolonial.
Em geral, a Inconfidência Mineira sempre é apresentada como um movimento que, combatendo o domínio português e inspirada nas experiências revolucionárias da França e dos Estados Unidos, defendia a transformação do Brasil numa república. Não raro, associada a essa ideia, está a questão da igualdade social – o que seria uma influência direta dos exemplos das revoluções francesa e norte-americana.
Embora os inconfidentes falassem de república, é preciso ter em vista que o significado do termo naquele momento estava associado à sua viabilidade num pequeno território, como Minas Gerais, por exemplo – ou, quando muito, incluindo o Rio de Janeiro e São Paulo.
A ideia segundo a qual um movimento surgido em Vila Rica propunha a transformação do Brasil numa república é problemática, até mesmo quando pensamos sob o prisma da nacionalidade.
(https://educacao.uol.com.br/noticias/2023/08/23/por-que-se-fala-em-quinto-dos-infernos.htm).
Prof. Salmito Campos – (jornalista e radialista).
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