A boa política
Não é de hoje que o ensino social da Igreja nos ensina que a política “é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum” (Evangelii Gaudium, 205). O cristianismo não pode estar a serviço da política partidária. Contudo, a Boa-Nova de Jesus, mensagem da qual a Igreja se faz fiel portadora, conduz a um compromisso social e a um consequente interesse pela política.
Tudo o que diz respeito ao ser humano deve encontrar eco no coração dos discípulos de Jesus. É por isso que a política interessa à Igreja. A política está diretamente ligada ao bem comum, à justiça, aos direitos humanos, à vida em sociedade, à promoção da vida. Toda política que fuja de tais princípios que apontam para o Reino de Deus torna-se contrária àquilo que são os critérios de discernimento social da Igreja.
Tudo está interligado: a fé configura a vida do cristão e, através dele, interfere na configuração da sociedade. O cristão é um ser de relação, situado no tempo e na história. Isso nos leva a um compromisso com aquilo que a Igreja chama de “boa política”, construída a partir de um processo de conscientização social e histórica.
A boa política não nos deixa perder a consciência histórica. Não nos deixa esquecer as lições que a história nos legou. Desprezar a história significa desconstruir a política e colocar em risco o futuro de um povo. Da mesma forma, a consciência social permite enxergar as questões da sociedade para além da esfera privada, da simples busca do bem-estar pessoal.
É nesse sentido que a Igreja oferece critérios e princípios que ajudam os cristãos no discernimento e nas escolhas. Tais princípios são: bem comum, solidariedade, função social da propriedade privada, a dignidade humana, a opção preferencial pelos pobres, a democracia, o empenho pela justiça social e pelo cuidado da casa comum. Estes aspectos fazem parte de todo o Magistério Social da Igreja e tem sua origem no Evangelho de Cristo, que é Boa-Nova de libertação para os pobres e cativos.
O voto é a oportunidade de cada cidadão ter em suas mãos o destino da história, que delineia os rumos do desenvolvimento dos povos. Daí a importância de ser feito com seriedade, consciência e senso de responsabilidade social. O que está em jogo é o compromisso comunitário de cada cidadão com o bem comum.
E este é um dos princípios de quem deseja assumir a vida pública: a busca pelo bem comum, que não está necessariamente ligado à soma do bem-estar de cada indivíduo, mas corresponde a um conjunto de condições necessárias para que cada pessoa tenha acesso à vida digna e tenha meios de ser protagonista de sua própria existência. A democracia é o sistema de governo que permite a participação dos cidadãos nas opções políticas.
Em nosso país, ela foi reconquistada há pouco mais de quarenta anos. Porém, esta não é uma conquista definitiva. Pelo contrário, é uma luta constante. A boa política assegura o Estado Democrático de Direito, a liberdade, a igualdade, e resguarda a dignidade humana como uma pérola preciosa.
A escolha de cada cidadão é importante para que o nosso país continue a fortalecer sua democracia, para que o nosso povo continue a ser cuidado, para que nossa juventude continue a ter esperança e para que nosso Brasil continue a ser soberano e independente. Que Nossa Senhora Aparecida, nossa Mãe do Céu Morena, padroeira do Brasil, abençoe o nosso povo e conceda paz, justiça e concórdia a toda a nação!
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