Cuidar de quem já cuidou de nós: um dever de todos
Há uma silenciosa inversão que a vida realiza. Aqueles que um dia nos ensinaram a caminhar, alimentaram nossos sonhos e nos protegeram das tempestades acabam, com o passar dos anos, necessitando de nossos cuidados. É o ciclo natural da existência.
Infelizmente, nem todos compreendem essa realidade. Em muitos lares, o envelhecimento transforma-se em motivo de impaciência e. às vezes, de intolerância. O idoso passa a ser visto como um problema, quando, na verdade, representa um patrimônio vivo de experiências, afetos e ensinamentos.
Cuidar de um idoso vai muito além de oferecer medicamentos, alimentação ou consultas médicas, tenho frisado isso, recorrentemente. O cuidado verdadeiro envolve presença, escuta, respeito e reconhecimento. Muitas vezes, a maior necessidade de uma pessoa idosa não é um remédio, mas alguém disposto a ouvi-la sem pressa e com amor.
A gratidão constitui um dos mais elevados valores humanos. Quem recebeu amor, educação, proteção e oportunidades durante a infância tem uma responsabilidade moral de retribuir esse legado, quando a fragilidade chega aos pais e avós.
É evidente que nem todas as famílias conseguem oferecer sozinhas todo o suporte necessário. Por isso, a sociedade e o Estado também têm responsabilidades. Serviços de saúde acessíveis, assistência social eficiente, cuidadores qualificados e políticas públicas permanentes, suportes indispensáveis para garantir uma velhice digna.
Também é preciso cuidar de quem cuida. Familiares responsáveis pelo acompanhamento diário, frequentemente, enfrentam sobrecarga física e emocional. Apoio psicológico, orientação técnica e divisão das responsabilidades entre os membros da família tornam esse cuidado mais humano e sustentável.
A dignidade da pessoa idosa não pode depender exclusivamente da boa vontade de terceiros. Trata-se de um direito assegurado pela legislação e, sobretudo, por princípios éticos que fundamentam qualquer sociedade civilizada.
Quando uma comunidade protege seus idosos, demonstra maturidade moral. Quando os abandona, revela profunda pobreza espiritual.
Todos, sem exceção, caminhamos para o envelhecimento. Assim, cada gesto de respeito oferecido hoje representa o mundo que construiremos para nosso próprio amanhã.
Cuidar de quem já cuidou de nós não é favor, nem caridade. É justiça. É reconhecimento. É gratidão. É, enfim, amor devolvido em forma de presença.
E, talvez, seja justamente nessa retribuição que reside uma das mais belas expressões da grandeza humana: A gratidão silenciosa!
Por Herculano Costa (*) – Jornalista ACI – R.I. N° 1.216 – Professor, Escritor e Poeta.
(*) – Neuro Psicanalista Clínico com especialização em Psicopatologia e Neurodesenvolvimento. Reg. No CNP N° 09/4.159 – CBO 2515.50/2002 – Decreto N° 2.208.
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