Cidadania e Democracia nas “Diretas Já”
Refletindo sobre o tema do Seminário Docentes 2026 da Secretaria da Educação do Ceará, “Educação e cidadania: o papel dos saberes docentes na construção da convivência democrática”, me veio logo à mente a ditadura militar. Todos sabem o quanto foi péssimo aqueles 20 anos que se passaram sem ninguém ter direito à liberdade de expressão.
Viveu-se um tempo de absolutismo. Pessoas foram presas, torturadas e até mesmo chegaram a serem mortas. Censura total. Nada podia se falar que as pessoas eram tratadas como subversivos e comunistas.
Assim aconteceu com o jornalista Vladimir Herzog que na década de 1970, quando era diretor da TV Cultura em São Paulo, foi convocado para prestar depoimento para o governo federal, acusado de defender o comunismo. Ele foi preso em 1975, torturado e encontrado morto numa cela. Legalmente disseram que a sua morte foi suicídio por enforcamento.
No entanto, foi descoberto que ele tinha sido torturado e enforcado. Em busca da cidadania, a população foi se revelando e veio o movimento das “Diretas Já” em 1984. Este movimento surgiu para acabar com as eleições indiretas que a tempos vinha sendo administrado pelos generais.
Encabeçado pelo Deputado Ulisses Guimarães, os brasileiros foram para as ruas, deputados, senadores, cantores, sociedade civil, etc. Logo a população conseguiu tirar os generais do poder e colocar, mesmo com eleições indiretas dois brasileiros civis. Disputaram para presidente Paulo Maluf contra Tancredo Neves. Este último foi eleito e não pode assumir, pois faleceu. Portanto, assumiu seu vice José Sarney.
A luta pela cidadania e pela construção da convivência democrática veio enfim em 1989, quando os brasileiros votaram nas eleições diretas para presidente da República. A disputa aconteceu com uma grande polarização em torno de dois candidatos: Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Melo, este sendo eleito com 53% dos votos.
Fernando Collor ganhou a eleição prometendo acabar com os “marajás”, nome que repetiu em todos os seus discursos se referindo às pessoas ricas, de grandes posses e prometendo dar fim à corrupção e melhorar a vida dos mais pobres.
“No entanto, a história não caminhou dessa maneira. Em dois anos de governo as denúncias de corrupção não paravam e o desgaste do presidente aumentava. Começaram a ocorrer manifestações em todas as partes do país a favor de sua deposição e a palavra impeachment (de origem inglesa, que significa impedimento) entrou no vocabulário cotidiano dos brasileiros.
Em 1992, antes que o Congresso Nacional votasse o impeachment, Collor renunciou por causa da pressão dos movimentos sociais, que manifestaram seu descontentamento em passeatas, comícios e debates.
Esses movimentos da história do país demonstraram a capacidade de mobilização do povo brasileiro na busca pela cidadania e em ações concretas para a obtenção de direitos políticos, civis e sociais. Nos momentos apresentados, vemos que a participação direta dos indivíduos deve ser considerada uma manifestação de cidadania, ou seja, de participação nas decisões políticas dos rumos do país.
Em alguns momentos, os movimentos foram vitoriosos do ponto de vista do atendimento das reivindicações. Do ponto de vista, foram demonstrações concretas da importância da participação da sociedade e na luta por seus direitos.” (viver e aprender – ciências humanas ensino médio).
Daí então sugiram: o movimento negro e a questão antirracista, os movimentos ambientalistas, o movimento da Parada do Orgulho LGBT, em defesa desses grupos oprimidos, o movimento da violência contra as mulheres que até hoje é preocupante em nosso país.
Prof. Salmito Campos – (jornalista e radialista).
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