artemisio da costa 2

Sempre em período eleitoral, notadamente após a ida às urnas, observa-se esquentar mais ainda o relacionamento entre vencidos e vencedores, quer sejam candidatos, partidários ou apenas eleitores. E se torna mais grave se a discussão ocorrer dentro da família e quando desaparece até o limite do respeito entre seus membros. Com isso, explodem discussões acaloradas, hostilidades, intrigas, agressões verbais e físicas e até mortes, em casos extremos.
Semana passada um leitor narrou com tantos detalhes um caso real, que assimilei mais como autoconfissão, muito embora ele demonstrasse estar vendo a questão de fora. Complementou informando que os pais e os filhos envolvidos estão em “stand by”, expressão usada para indicar que estão com relações cortadas. É mais uma história de famílias rachadas pelo mau uso do tema política.
Em seguida, esse leitor me pediu sugestão de como numa hora dessas. Sugeriu, ainda, que eu fizesse isso na rádio e no jornal. Como admirador dos EUA, indicou até um título “Stand by”. Sem titubear, imediatamente bradei: Peraí!
E foi o termo que preferi adotar ao “Stand by” (em espera) sugerido pelo amigo. Primeiramente, porque “peraí” é bem nosso, vai direto, sem rodeios, traduzindo-se como: Calma! Venha devagar! Não é bem assim! E, diante de algumas situações, o peraí impõe: Segura-te! Vamos conversar educadamente! Mas, se não funcionar, aconselha: Silencia! Dá um tempo!
Já “stand by” nem sempre é compreendido e, por cima, alimenta a mania do estrangeirismo, o macaquear de coisas doutras terras. Nociva à boa comunicação, essa prática deve ser evitada e combatida, cuidando-se para não descambar para a xenofobia irracional. Enfim, lá fora também há muita coisa boa que se pode aproveitar, se adaptada e somada à nossa cultura. Mais jamais devemos permitir que a nossa seja sufocada e suprimida.
Sem ter conhecimentos para discorrer com profundidade sobre o tema, indiquei ao leitor amigo buscar ajuda de um psicanalista, de um religioso, ou de alguém com conhecimento e qualificação para tal aconselhamento. Mesmo assim, ele insistiu: Mas o que você faria, caso estivesse envolvido num drama familiar desses?
Então, cônscio da minha insignificância e conhecimento limitado, não tive saída. Atrevi-me a sugerir uma reação orgânica e imediata do corpo que deve ser utilizada com o maior cuidado e temperança: a emoção. Jamais devemos reagir dominados por ela.
Outra atitude imprescindível é estabelecer pactos de não agressão e priorizar a paz – na família ou em contato com qualquer pessoa. Ter a humildade de silenciar diante de quem se considera dono da razão e não respeita a inteligência dos outros. Enfim, quando um não quer, dois não brigam.
Prudência na hora de reagir. Se preciso for, reaja com verdade e educação. E sempre sopesando o que vai falar, principalmente se estiver em jogo relações familiares.
Como se sabe, existem ainda muitas outras opções para evitar o atrito. Dentre as principais, destacam-se: evitar o assunto com algumas pessoas; proibi-lo em grupos de whatsapp de família ou grupos tóxicos; Priorizar a calma e a educação, não respondendo com agressividade.
Discutir, trocar ideias e experiência sobre qualquer assunto é salutar, aconselhável e nos faz crescer. Mas quando esse intercâmbio de ideias e experiências numa conversa não flui educada e civilizadamente, peraí!
Nessa ocasião, o melhor é manter a calma, mudar de assunto, evitar o diálogo educadamente e abusar do silêncio. Enfim, silenciar continua sendo a melhor e mais eficaz atitude a adotar, quando a outra parte não quer colaborar para que uma discussão renda bons frutos para todos.
Pense nisso!

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Santa X Crianças
Diferentemente do que muitos pensem, o motivo do feriado nacional não é por ser o dia das Crianças. Trata-se de uma homenagem à Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil. Em vez de as igrejas, ultimamente são as lojas que recebem maior público para alegria dos comerciantes. O mesmo motivo de outras datas também perderem seu significado real e se transforem em data comercial, como dia de Natal, das Mães, dos Pais, dos Namorados, dentre outros.

Santa
Em 12 de outubro de 1717, os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves encontraram nas águas do Rio Paraíba do Sul, em Guaratinguetá (SP), uma imagem de terracota (barro cozido). Primeiramente acharam o corpo e, logo depois rio abaixo, a cabeça da imagem. Foi proclamada Padroeira do Brasil em 31.10.1931 pelo Papa Pio XI. Já o feriado nacional de 12 de outubro foi oficializado pela Lei nº 6.802, de 30.06.1980.

Crianças
Com base na sugestão do deputado federal Galdino do Valle Filho, através do Decreto nº 4.867, de 05.11.1924, o presidente Artur Bernardes oficializou 12 de outubro como Dia das Crianças. Vale lembrar que a data já havia sido sugerida no 3º Congresso Sul-Americano da Criança, em 1923, numa alusão à chegada de Cristóvão Colombo à América.

Lição de vida
No caso do dia das Crianças, por exemplo, os pais bem que deveriam oferecer mais que o tradicional presentinho. Por que não estimular os pequenos a repartir com as mais pobres seus brinquedos fora de uso? Detalhe: Há quartos de crianças em algumas residências com estoque de causar invejas às mais sortidas lojas.

Desapego
Os pais passarão a ensinar o desprendimento das coisas matérias. Estimularão a criançada a se afastar daquilo que mais compromete o espírito, como a avareza, a ira, o orgulho, a vaidade, a gula… Vale até pedir uma ajudinha à Nossa Senhora, a real homenageada do 12 de outubro?

Das antigas
Cambosa é o nome de um famoso cursinho que existiu em Sobral, especializado em preparar candidatos para vestibulares e concursos diversos. Foi responsável pela aprovação de muitos dos seus alunos em concursos diversos, principalmente para bancos. Mas o leitor José Milton Lima quer saber a origem e o significado dessa palavra (Cambosa). Confira, abaixo, a resposta.

Cambosa
O cursinho foi criado por dois funcionários do Banco do Brasil: Amilcam Lemos (in memoriam), que lecionava Matemática, e João Barbosa Paula Pessoa Cavalcante (in memoriam), Língua Portuguesa. Funcionou durante toda a sua existência, de 04.04.1964 a 30.11.1982, nos altos do extinto Bar Antarctica (Sr. João Sales), onde até pouco tempo funcionou a Loja Timbal. A palavra CAMBOSA originou-se da junção de sílabas dos nomes dos fundadores: AmilCAM e BarBOSA.

Pérolas do rádio
“Com idade de 0 a 13 anos a criança não pode estar sobre a responsabilidade de de menor”. Eis um alerta quase perfeito de um radialista. Quase perfeito porque: 1º) Não existe idade zero; 2º) Conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), criança é toda pessoa com idade até 12 anos incompletos (ou seja, até os 11 anos, 11 meses e 29 dias); 3º) Não é “sobre” a responsabilidade, mas “sob”…; 4º) Não é “de menor”, mas apenas “menor”. CORRIGINDO: “Com idade até 12 anos a criança não pode estar sob a responsabilidade de menor”

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