Academia Sobralense de Estudos e Letras (ASEL) elege sete novos acadêmicos e fortalece sua trajetória Centenária

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Por José Luís Lira – Acadêmico da ASEL

A centenária Academia Sobralense de Estudos e Letras (ASEL) viveu uma noite histórica, na última quarta-feira, dia 30 de setembro de 2026, com a eleição de sete novos nomes para compor o seu quadro de acadêmicos efetivos.
O processo eleitoral ocorreu em clima de absoluta tranquilidade, mobilizando 26 acadêmicos aptos a votar para preencher as cadeiras vagas da instituição. Muito mais do que uma simples votação, o ato representa o alcance da “imortalidade acadêmica”. Essa imortalidade finca-se na garantia de que doravante o nome e a bibliografia do novo eleito se perpetuarão junto com os Patronos e os antigos ocupantes das Cadeiras para as quais foram escolhidos, caracterizando a perpetuidade da representação literária da vaga.
A eleição obedece a um rito rigoroso que se inicia logo após o falecimento ou renúncia de um sócio. Após cumpridos os prazos regimentais e sessão de homenagem, os acadêmicos se reúnem para consagrar os novos nomes.
Na votação, o quadro masculino da instituição recebeu quatro novos integrantes:
O Dr. José Gerardo Mont’Alverne Parente, médico cardiologista e filho do saudoso confrade Dr. Zequinha Parente, foi eleito para a Cadeira Nº 06 (sucedendo a José Edvar Costa de Araújo, sob o patronato de Antonio Rodrigues Junior);
O Dr. Francisco Apoliano Albuquerque, PhD em Ciências Contábeis e Teologia, professor e empresário, foi eleito para a Cadeira Nº 08 (vaga antes pertencente a Raimundo Nonato Arcanjo e que tem por patrono José Cardoso de Moura Brasil);
O Dr. Antônio Costa Aragão (Maranhão), professor, engenheiro e advogado, foi eleito para a Cadeira Nº 12 (sucedendo a Petrônio Augusto Pinheiro, sob o patronato de Manuel do Nascimento Alves Linhares);
O Dr. Rafael Pereira Ponte, advogado, Mestre em educação e presidente da OAB Sobral, foi eleito para a Cadeira Nº 40 (vaga decorrente do falecimento do Pe. José Linhares Pontes, sob o patronato de José Lourenço Aguiar) — cadeira que também foi disputada pelo escritor Salmito de Almeida Campos, que não foi eleito.
A representação feminina na instituição ganhou um forte e expressivo reforço com a eleição simultânea de três novas acadêmicas, consolidando a diversidade intelectual da Casa. Passam a integrar o quadro:
Maria do Socorro Rocha Adriano, professora, pedagoga, escritora, poeta e já sócia-correspondente da instituição há 2 anos, escolhida para a Cadeira Nº 18 — anteriormente ocupada por José Dimas de Carvalho Muniz, sob o patronato do Pe. Antonio Tomaz;
Ivana Maria Sá Albuquerque, professora de música, empresária, escritora e amiga da ASEL há 6 anos, eleita para a Cadeira Nº 23 — sucedendo a Francisco Antonio Tomaz Ribeiro Ramos, sob o patronato de Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva;
A Dra. Maria Imaculada Dias Adeodato, cirurgiã-dentista, vice-prefeita e sócia-correspondente há mais de 2 anos, que passa a ocupar a Cadeira Nº 29 — vaga que pertenceu à última ocupante Gizela Nunes da Costa e tem por patrono João Marinho de Andrade.
Terminada a apuração e feita a comunicação oficial dos resultados, a ASEL reviveu uma de suas tradições mais bonitas: a busca pela unanimidade. Cumprindo o protocolo, as cédulas de votação foram devidamente destruídas pelo Presidente da Academia, Arnaud de Holanda Cavalcante, remetendo à velha tradição francesa — iniciada pelo Cardeal Richelieu por volta de 1634 — de quando os papéis eram incinerados. Naquele antigo simbolismo, entende-se que com a fumaça subiam e sumiam eventuais oposições ou divergências naturais do pleito. Dessa forma, mesmo que o novo Acadêmico não tenha obtido a totalidade absoluta dos votos na urna, o rito apaga as arestas e faz com que ele seja recebido pela unanimidade dos componentes do Sodalício.
A consagração definitiva desses sete novos imortais ocorrerá na solenidade de posse, já agendada para o próximo dia 20 de outubro, no imponente cenário do Theatro São João, em Sobral. Na mesma ocasião, Sua Excelência o Bispo de Sobral, Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, Sócio Honorário da ASEL, será agraciado com o Diploma de Reconhecimento e Excelência Acadêmica. O ato também marcará a investidura de Sócios Correspondentes e do Sócio Honorário Padre João Batista Nery de Abreu.
O evento solene reforça o papel da Academia Sobralense de Estudos e Letras como um dos pilares culturais mais antigos e tradicionais do Ceará. Fundada originalmente em 3 de maio de 1922 sob a liderança do Padre Leopoldo Fernandes e reorganizada nos moldes definitivos da Academia Francesa em 5 de setembro de 1943 pelo Monsenhor Vicente Martins da Costa, a ASEL limita-se à sua estrutura de 40 cadeiras. Ao longo de mais de um século, a instituição segue essencial na preservação da identidade e da memória local, mantendo vivo o prestígio cultural de Sobral.

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