Em Bela Cruz, 5º Mutirão de Comunicação debate os desafios da espiritualidade na era da Inteligência Artificial

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Os agentes da Pastoral da Comunicação da Região Episcopal Vale do Acaraú reuniram-se no último sábado (18/07), em Bela Cruz, na Escola Estadual Júlio França, para a 5ª edição do Mutirão de Comunicação (Muticom).
Neste ano, o evento foi sediado pela Paróquia de Nossa Senhora da Conceição e teve como tema: “No coração da tecnologia, o Evangelho. A espiritualidade do comunicador na era da Inteligência Artificial”.
Com o objetivo de reunir os agentes de pastoral em um dia de partilha, fraternidade, oração e formação, a 5ª edição se caracterizou como um verdadeiro encontro entre fé e comunicação, um espaço onde homens e mulheres que anunciam o Evangelho pelos mais diversos meios pararam para refletir sobre os desafios e as oportunidades que a era digital coloca diante da missão evangelizadora da Igreja.
A palestra magna foi proferida pelo seminarista estagiário da Diocese de Sobral, Emmanuel Vieira, que abordou o tema central falando sobre o desafio da Inteligência Artificial no âmbito eclesial.
O ponto alto da programação foi a Santa Missa presidida pelo bispo diocesano de Sobral e referencial para a Comunicação Social do Regional NE 1, Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos; concelebrada pelo pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, padre Eudes Cruz; pelo vigário paroquial, padre Lucas Barbosa; e pelo pároco da Paróquia de São Francisco de Assis, em Sítio Alegre, padre Manoelito Vieira.
Em sua homilia, Dom Vasconcelos desafiou os comunicadores a não perderem de vista a dimensão espiritual do seu serviço. “Estar engajado na Pastoral da Comunicação é ter um compromisso em anunciar a Palavra de Deus. Precisamos atingir o coração das pessoas para promover a paz”, afirmou o bispo.
Dom Vasconcelos questionou ainda a profundidade com que os próprios comunicadores se deixam tocar pela mensagem que transmitem. “Nós podemos ver até que ponto a nossa comunicação pode chegar ao coração das pessoas. Não sejamos apenas profissionais de transmissão. Quando estamos em serviço, será que estamos ouvindo a Palavra e nos deixando tocar por ela? Onde fica a espiritualidade do comunicador?”, indagou. E completou: “Às vezes nos esquecemos de sermos ouvintes da Palavra — e, mais do que isso, praticantes dela. A responsabilidade que precisamos ter na qualidade da comunicação: quem se preocupa com isso?”, concluiu o bispo diocesano.
Num tempo em que algoritmos definem o que se vê, a inteligência artificial reescreve linguagens e as telas disputam a atenção humana, a Igreja é chamada a um duplo desafio: dominar as ferramentas sem ser dominada por elas, e falar a linguagem do tempo sem abrir mão da profundidade do Evangelho.
Para o agente da Pastoral da Comunicação da Quase-Paróquia de São Francisco de Assis em Parapuí, Felipe Venâncio, é sempre uma alegria participar deste encontro e reencontrar todos os amigos. “Esse já é o quinto ano que participo do Muticom e para mim é uma alegria muito grande. É importante fazer com que as pessoas entendam que a pastoral vai além disso, não é apenas fazer transmissão e tirar foto”, destacou.
O Muticom 2026 respondeu a esse chamado reunindo comunicadores que acreditam que nenhuma tecnologia substitui o que é essencial: uma voz humana, movida pelo Espírito, anunciando que Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre. Em 2027, a 6ª edição será sediada na Paróquia de Santa Luzia em Jijoca de Jericoacoara.

Thaís Helena – Jornalista – Jornal Correio da Semana

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