Paróquia de Santana do Acaraú celebra dedicação da Igreja Matriz em ano marcado pelos 400 anos da promessa que deu origem ao município
Em uma celebração marcada pela fé, emoção e profundo significado litúrgico, a comunidade paroquial de Santana do Acaraú, participou, na noite da última quarta-feira (08/07), da Santa Missa com o Rito de Dedicação da Igreja Matriz e do Altar, presidida pelo bispo diocesano de Sobral, Dom Vasconcelos. A celebração foi concelebrada pelo bispo da Diocese de Garanhuns (PE), Dom Agnaldo Temóteo, que já foi pároco da comunidade, e pelo atual pároco, padre Júnior Melo, reunindo fiéis e representantes das diversas comunidades paroquiais.
A celebração ocorreu em um ano de especial significado para o município, que comemora os 400 anos da passagem de Frei Cristóvão de Lisboa e da promessa que deu origem à cidade de Santana do Acaraú. Conforme os registros históricos, na tarde de 15 de junho de 1626, o religioso, guiado por um indígena potiguar integrante das expedições de Pêro Coelho de Souza e Martim Soares Moreno, chegou ao serrote do Olho d’Água. No dia seguinte, escreveu uma carta na qual fazia a promessa de construir uma capela em honra à Sant’Ana, às margens do Rio Acaraú.
A concretização desse voto começou mais de um século depois. Em 9 de novembro de 1738, o padre pernambucano Antônio dos Santos da Silveira iniciou a construção da primeira capela, concluída em 31 de julho de 1739. O templo recebeu a bênção em 10 de agosto daquele ano e, na manhã do dia 11 de agosto de 1739, foi celebrada a primeira Santa Missa, acontecimento que marcou o nascimento da atual cidade de Santana do Acaraú.
Rito de dedicação da Igreja e do altar
Após a conclusão da reforma da Igreja Matriz, a comunidade viveu um dos momentos mais importantes da vida litúrgica da Igreja: o Rito de Dedicação da Igreja e do Altar. A celebração marca a entrega definitiva do templo, tornando-o um espaço exclusivamente destinado à oração, à celebração dos sacramentos e ao encontro do povo com Deus.
Durante o rito, diversos gestos carregados de profundo simbolismo foram realizados, como a aspersão da igreja e dos fiéis com água benta, recordando o Batismo; a unção do altar e das paredes com o Santo Crisma, sinal da consagração do templo; a incensação do altar e da igreja, simbolizando as orações que se elevam a Deus; a iluminação do altar e do templo, representando Cristo, luz do mundo; e, por fim, a preparação do altar para a celebração da Eucaristia, centro da vida cristã.
O altar, dedicado juntamente com a igreja, torna-se o principal símbolo de Cristo no templo, lugar onde se atualiza o Sacrifício Eucarístico e do qual a comunidade é alimentada pela Palavra e pelo Pão da Vida.
Homilia
Em sua reflexão, Dom Agnaldo Temóteo, que pastoreou a Paróquia de Sant’Ana antes de seu episcopado, manifestou sua alegria por retornar à comunidade para participar desse momento histórico. “Depois de uma bonita reforma, nós nos reunimos para comemorar a reabertura desta igreja, que recuperou a beleza própria da casa do Senhor. Nesta mesma oportunidade, celebramos a solene liturgia da dedicação deste templo”, afirmou.
O bispo explicou o significado espiritual da dedicação de uma igreja, destacando que o rito conduz os fiéis à contemplação dos mistérios de Deus. “Ao celebrar o rito da dedicação de uma igreja, naturalmente são postos diante de nós aspectos grandiosos e mistérios profundos que nos convidam não apenas à contemplação, mas também à dedicação”, destacou.
E continuou: “A dedicação do templo recorda, em primeiro lugar, que o próprio Deus quis morar no meio do seu povo, quis estabelecer a sua tenda no meio de nós para se fazer presente e acessível ao encontro de todos, disposto a nos acolher e a derramar abundantes bênçãos sobre aqueles que o procuram. Deus quer que caminhemos na mesma direção: o céu. Todos os batizados encontram na Igreja não apenas um lugar de abrigo, mas o sinal visível de uma Igreja peregrina que caminha neste mundo com um único objetivo: alcançar o céu”.
Concluindo sua reflexão, Dom Agnaldo recordou que cada templo terreno aponta para a Jerusalém Celeste e desperta nos cristãos o desejo da comunhão definitiva com Deus. “Este edifício é uma imagem da Igreja que já habita no céu. As igrejas nos recordam o céu e devem despertar em nós um desejo profundo de estarmos sempre mais próximos do verdadeiro Templo vivo, Jesus Cristo”, finalizou.
Ao final da Santa Missa, Dom Vasconcelos concedeu a benção das imagens que peregrinarão nas casas neste período da Pré-festa da Padroeira. A celebração representou não apenas um marco litúrgico para a Paróquia de Senhora Sant’Ana, mas também um momento histórico para Santana do Acaraú, que revive suas origens à luz da fé e da devoção à sua padroeira. Ao dedicar sua Igreja Matriz, a comunidade reflete o compromisso de permanecer como “pedras vivas” na construção da Igreja de Cristo, mantendo viva uma história iniciada há quatro séculos e alicerçada na confiança em Deus e na intercessão de Sant’Ana.
Thais Helena
Jornalista – Jornal Correio da Semana
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