São João: O original não se desoriginaliza!
Cresce, e tem crescido, a onda de insatisfação com o que vem fazendo com o nosso autêntico São João nordestino. Não obstante ainda seja apenas uma “revolução” apenas sazonal do período junino, grandes nomes da música estão se rebelando e demonstrando publicamente suas insatisfações.
Vale conhecer, apoiar e compartilhar as manifestações de astros como Flávio José, Santana Cantador, Petrúcio Amorim, Dorgival Dantas, Maciel Melo e outros. Não somente como prejudicados, mas também como nordestinos de quatro costados, eles vêm dando mais visibilidade ao que vem ocorrendo e encorajando a população a se unir ao seu repúdio e pedido de providências urgentes.
Em 2023 foi extremamente triste e revoltante o que ocorreu na sexta-feira (2/6), por ocasião de show comemorativo dos 40 anos do “Maior São João do Mundo”, em Campina Grande (PB). Foi mais um episódio lamentável em que ficam claro e evidente a falta de respeito à música nordestina e a falta de valorização dos seus artistas.
Refiro-me ao encurtamento da apresentação do sanfoneiro paraibano, Flávio José, a fim de aumentar o tempo de apresentação de Gusttavo Lima, cantor sertanejo mineiro.
Apesar de a organização do show ter tentando de toda maneira justificar o ocorrido, inclusive citando erro de cronograma, o estrago foi feito. Sem dúvida, o ocorrido veio botar ainda mais lenha na fogueira dos que lutam para que pare de ser flagrantemente desvirtuado e desoriginalizado nosso São João. Enfim, é a mais tradicional festa popular nordestina, que oficialmente terá início na semana que entra.
Origem
Em todo o país, abrindo as festividades juninas, no sábado (13) se comemorou Santo Antônio, na quarta-feira São João (24) e, em 29 de junho, será a vez de São Pedro. Vale ressaltar que, antes de a Igreja Católica criar essas datas, alguns povos pagãos já faziam comemorações nesse período do ano. Na Antiguidade, egípcios, celtas, entre outros, realizavam rituais pedindo fartura nas colheitas.
Maior do mundo
Desde a implantação do São João no Brasil, o Nordeste desponta como a região em que ele atinge seu ápice. A alegria contagiante do forró, a diversidade das comidas típicas e das brincadeiras são um forte atrativo de turistas e de divisas. Campina Grande e Caruaru, na Paraíba, continuam disputando o título de cidade detentora do “Maior São João do Mundo”.
Mas nem tudo é festa como antigamente
Estão tentando banir o autêntico forró do São João. Querem, na marra, colocar no lugar dele o descartável a “música sertaneja”, o pornoforró, o arrocha, axé, pagode, piseiro… E, pasmem, até o romantismo de Roberto Carlos apareceu em 2026. Isso sem se falar nas tendências que afetam o vestuário, a comida, a bebida e até a terminologia dos falantes e cantantes. E onde fica o legado de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Marinês e outros que tão bem empunharam a bandeira do forró, do baião e do xaxado?
Só no papel
Com as maléficas intromissões, tentam também sufocar o sonho de inúmeros artistas que hoje defendem a música nordestina. Assim continuando, um dia nosso legítimo São João estará apenas nos livros de história. Vale dizer que essa invasão veio privilegiar quem explora a baixaria, o duplo sentido, ou cantores sertanejos e duplas caipiras famosas. Sendo que esses últimos não têm nenhuma identidade com o Nordeste. E muito menos com nosso São João.
Coisa nossa
Nada contra artistas indiscriminadamente. Contra, sim, o tipo de música que fazem e que querem meter goela abaixo dos que gostam, brincam e defendem o autêntico forró e o São João tradicional. Se lapidados, de alguns desses sertanejos até poderiam aparecer boas qualidades. Agora que vá fazer seus shows, arrancar milhões e soltar seus gritos enjoados lá pelos rodeios do Sudeste. No Nordeste, não! Por aqui sempre prevaleceu e deverá continuar prevalecendo o autêntico forró.
E os culpados da intromissão?
Para mim, primeiramente a culpa é de muitos nordestinos que, por desconhecer sua cultura e seus talentos, tornam-se presas fáceis de culturas e de artistas de qualidade duvidosa. Detalhe: milhares dos que reclamam desse estupro cultural evitem prestigiar e defender o verdadeiro São João. Os talentos regionais que resistentemente ainda promovem eventos tentando manter vivas nossas tradições não recebem o devido apoio das plateias e das autoridades.
Em segundo lugar
Secundariamente atribuo a governantes (prefeitos e governadores) têm grande parcela de culpa. Além de subestimarem ou até mesmo ignorarem a cultura e os valores da região, esses mandatários são facilmente manipulados por empresários que visam unicamente o dinheiro.
Conivência
Por último, debite também parcela dessa culpa à personalidade do artista que topa tudo por dinheiro, inclusive atuar numa ‘praia’ que não é a sua, como cantor sertanejo cantar em Festa de São João. Mas isso é até compreensível, pois não há delimitação legal de espaço para se trabalhar.
E o que fazer, então, para diminuir ou barrar totalmente a invasão do pornoforró e da música sertaneja no São João nordestino?
Providências
Creio que urgentemente deve ser mais difundida a cultura nordestina e, no caso aqui enfocado, o autêntico e tradicional São João, principalmente entre crianças, jovens e adolescentes. Exigir de prefeitos e governadores mais respeito e o incentivo às nossas tradições culturais. À população compete estimular e incentivar mais os artistas nordestinos, com a presença e o aplauso.
Estopim
Em 2017, artistas como Chambinho do Acordeom, Joquinha Gonzaga, Alcymar Monteiro e outros encetaram a campanha “DEVOLVAM MEU SÃO JOÃO”, que funcionou como forte puxão de orelha em governantes, empresários e em artistas que desenvolvem estilos musicais não nordestinos. Acendeu a chama da resistência, mas isso não basta.
Boicote
Com todo respeito aos músicos ‘paraquedistas’ e apesar do seu direito de trabalhar, nesse período o ideal seria a população, principalmente, valorizar mais os artistas da terra que vivem e divulgam a festa junina e a música tradicional. E, de uma madeira até mais radical, boicotar, (mas boicotar, mesmo!) eventos, empresários e artistas cujas ações vão de encontro aos nossos valores e às nossas tradições.
Valorização
E, por último, faz urgente campanhas de maior conscientização e valorização da cultura nordestina, através da realização de eventos abertos, cursos e concursos abertos ao público. Assim, abre-se oportunidade para talentos da terra. Antes disso, mais empenho para preparação de crianças e jovens no que concerne ao conhecimento precoce, estimulando a valorização e à defesa da imensa riqueza cultural nordestina.
Enfim, o São João é nosso e deverá assim continuar! Defendê-lo é dever de todo bom nordestino. Pode passar por atualizações que não desvirtue suas origens. Enfim, o original não se desoriginaliza. E que sejamos abençoados por Santo Antônio, São João e São Pedro!
Em Sobral
Até tentei descobrir a Programação oficial do São João local, que será realizado em julho. Pena que ainda está em fase de elaboração. Que ela e os artistas convidados não venha corroborar com o lamento acima.
DOMINGO NA EDUCADORA FM 107,5 – SOBRAL-CE ÁUDIO: https://www.radios.com.br/play/12869 ÁUDIOVÍDEO: https://www.facebook.com/educadoradonordestefm NO YOUTUBE: Rádio Educadora FM 107.5 Neste domingo (21), das 10h30 às 12h30, PROGRAMA ARTEMÍSIO DA COSTA com notícias, reportagens, curiosidades, música de boa qualidade. DESTAQUE: São João com sanfoneiro MANOEL CHAPÉU DE COURO. Participe 3611-1550 // 3611-2496 // Face book: Artemísio da Costa. UM DOMINGO ABENÇOADO E DIVERTIDO!
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