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“Cheio de amor, cheio de amor, as chagas trazes do Salvador”. Sob o som deste refrão, que se encontra nos lábios e no coração do povo, a Igreja celebra a festa de São Francisco de Assis. Sobretudo no Nordeste brasileiro, praticamente todas as cidades celebram, na matriz ou em alguma capela, a festa do santo dos pobres.
É de impressionar a popularidade da devoção a São Francisco, que se vislumbra nas multidões, que se unem em um mesmo sentimento de fé e de devoção e preenchem nossas igrejas e praças. De igual destaque é a transmissão dessa devoção de geração em geração. Jovens, crianças, adultos e idosos sentem-se impulsionados por pedidos, agradecimentos e louvores ao santo.
Bem sabemos que cada santo que veneramos na Igreja têm suas vidas situadas em um determinado contexto histórico e geográfico. Naquele tempo, naquele lugar, tal pessoa trilhou um caminho de santidade. São testemunhos que iluminam a busca de todos os cristãos a trilharem o mesmo caminho.
De um modo bastante peculiar, São Francisco é um dos santos cujo carisma, espiritualidade e estilo de vida permanecem mais atuais. Vários temas importantes relacionados às grandes causas da humanidade encontram eco nos ensinamentos do santo de Assis. Sobretudo após o pontificado do Papa Francisco, que tinha no referido santo uma fonte de inspiração, o mundo conseguiu perceber a atualidade da mensagem franciscana.
O tema da ecologia integral, por exemplo, relacionado ao cuidado com a Terra e com o ser humano, tem uma ressonância muito forte em Francisco de Assis. Há exatos 800 anos, em 1225, ele compôs o Cântico das Criaturas, chamando todos os seres criados de irmãos e irmãs, inspirando cuidado, afeto e ternura pela obra da Criação.
A fraternidade universal e a amizade social também estão inseridas no testemunho de São Francisco. Assim nos afirma o Papa Francisco: “São Francisco, que se sentia irmão do sol, do mar, do vento, sentia-se ainda mais unido aos que eram de sua própria carne. Semeou paz por toda parte e andou junto dos pobres, abandonados, doentes, descartados, enfim, dos últimos” (Fratelli Tutti, 2).
Outro aspecto que vale destaque é com relação ao atual modelo de economia, baseado no lucro, na exploração e nas desigualdades. São Francisco, com seu estilo de vida marcado pela sobriedade, simplicidade e solidariedade, tem inspirado jovens economistas do mundo inteiro a repensar a economia mundial, em um movimento chamado Economia de Francisco e Clara.
No período das Cruzadas, em que cristãos e muçulmanos guerreavam pela conquista da Terra Santa, São Francisco saiu da Itália e foi até o Egito, em 1219, dialogar com o sultão, chefe dos muçulmanos, para implorar o fim da guerra. Esse gesto, além de ter resultado na paz, tornou-se uma antecipação profética no ecumenismo e do diálogo inter-religioso. São Francisco viveu uma vida com o sabor do Evangelho, o que lhe faz admirado por pessoas de várias raças, culturas e religiões.
É por isso que é tão verdade um outro canto franciscano, que diz: “Oito séculos se passaram, você, Francisco, ficou…”. Ele “ficou”, sobretudo porque nos ensina os caminhos do diálogo, da paz, da promoção da justiça, da mística do cuidado e da sensibilidade pelos últimos da sociedade. Ele “ficou” como paradigma de um ser humano profundamente reconciliado consigo, com o próximo, com as criaturas e com Deus. São Francisco, louvado sejas, pelo testemunho profético e atual para todos nós.

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