O Que é o Sionismo
Segundo os esclarecimentos de Breno Altman, jornalista e fundador do site operamundi, a palavra sionismo deriva de zion, um monte localizado em Jerusalém onde, segundo um passado bíblico remoto, se encontrava o templo de Salomão. A tradução para o português de zion nos dá “Sião”. Logo, sionismo. Contudo, esse termo foi empregado pela primeira vez por um escritor austríaco, Nathan Birnbaun, em meados do século XIX.
Apesar de o termo sionismo ter sido empregado por Birnbaun, o fundador das diretrizes e das concepções sionistas foi o jornalista Húngaro Theodor Herzl, em 1892, quando publicou o livro “O Estado Judeu”.
O objetivo de Herzl com essa obra era a criação de um país que abrigasse o povo judeu. Tratava-se, portanto, da criação de um Estado étnico, judeu, e não nacional. Isto porque o povo Judeu era um povo diverso, o qual expressava diversas nacionalidades em razão das duas diásporas judaicas: a primeira ocorrida na época do Império Neobabilônico no ano de 587 a.C, e a segunda na época do Império Romano, no ano 70 d.C.
Nesse sentido, a palavra de ordem do sionismo e assim propagada por Theodor Herzl e outros era: “Uma terra sem povo para um povo sem terra”. No entanto, não havia consenso em torno desta tese.
Muitos dos grupos judaicos, que em sua maioria se dirigiram para as áreas orientais da Europa após a segunda diáspora, eram integracionistas, ou seja, defendiam a incorporação de sua etnia aos países onde seus antepassados se estabeleceram, mantendo suas tradições, idiomas e crenças religiosas. Em suma, o sionismo se constrói não com base em uma nacionalidade, mas sim através da necessidade de criação de um Estado étnico judeu.
Podemos delinear alguns fatos importantes acerca do movimento sionista desde a sua fundação. Em primeiro lugar, tal movimento surge em 1892 por meio da publicação do livro de Herzl comentado acima.
Em razão do crescente antissemitismo na Europa e da perseguição sistemática aos judeus ao longo da história, o sionismo incorpora ao seu discurso a aparência de um movimento de libertação nacional, fato que tornava atraente aos povos judaicos heterogêneos a criação de um Estado no qual imperasse a sua etnia.
Após alguns anos da publicação da obra de Herzl, ocorre o primeiro congresso sionista na Basiléia, Suíça, em 1897, o qual fora presidido pelo próprio autor húngaro. Ademais, aos fatos e discussões tratados neste evento, podemos destacar a existência de duas correntes entre os delegados, os quais somavam cerca de 200 indivíduos.
A primeira delas era favorável à ocupação de um local desabitado, uma terra virgem à disposição daquelas comunidades judaicas. Foram, então, exemplificadas diversas regiões para isso, como a Patagônia, a ilha de Chipre e recantos da Uganda ou do Congo. Porém, a oposição formou maioria no congresso, e se decidiu pela Palestina, a terra da Canaã bíblica, a região de Israel e Judá.
A grande questão é que desde o século 638 d.C, esta região já havia sido ocupada por árabes e muçulmanos, como também por uma minoria judaica remanescente do massacre perpetrado pelo imperador Adriano entre os anos 132 e 135 da era moderna.
É neste ponto, por conseguinte, que se estabelece uma virada de concepção no movimento sionista. A palavra de ordem, cuja ênfase era a ocupação de uma terra desocupada, passa a ser outra: a ocupação de uma terra já habitada, na qual habitaram outrora os povos judaicos. Assim, o movimento sionista passa a absorver um elemento combativo em seu interior.
O sionismo, em cujo início se definia como uma ideologia essencialmente laica, passa a incorporar, por conseguinte, elementos religiosos, com os quais se tornaria mais fácil o convencimento da ala religiosa de seu movimento. Desse modo, a ocupação das antigas terras de Judá e atual Palestina tornou-se o motivo perfeito para essa referida ala.
Assim, o sionismo, por meio de sua manifestação religiosa incorporada posteriormente, passa a argumentar que a terra da antiga Israel bíblica é a terra prometida, e o povo judeu, o povo escolhido.
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