DE OLHO NA LÍN GUA - Antonio da Costa

“Márcio namora Daniela” ou “Márcio namora com Daniela”?
A primeira. O verbo namorar é transitivo direto em Português; em italiano, sim, é transitivo indireto, mas nós falamos português. Ex.: Aguinaldo namora Rita desde 1995; Jamais namoraria uma garota dessas. A preposição “com” talvez seja usada, também, por influência da regência do verbo casar ou, então, do regime do substantivo namoro. Ex.: Aguinaldo casou com Rita desde 1996; Elisabete está de namoro com Carlos.

Cliente X Freguês
Cliente é a pessoa que utiliza os serviços de um profissional liberal. Freguês é aquele que frequentemente compra coisas numa mesma loja, num mesmo armazém, num mesmo supermercado, etc. ou aquele que costuma ir sempre ao mesmo bar, restaurante, etc. A palavra é estrita ao comércio, seja legal, seja ilegal.
Assim, travestis e prostitutas têm fregueses. Engenheiros, advogados, dentistas, médicos, arquitetos, etc. ou quaisquer outros profissionais liberais têm clientes, e não fregueses. Jocoso é imaginar um advogado dizendo que têm muitos “fregueses”, embora muitos não vejam jocosidade no oposto: Um comerciante dizer que tem muitos “clientes”. A graça é a mesma.

Ladrão tinha morto o homem, antes de roubá-lo
O correto há de ser: O ladrão tinha matado o homem, antes de roubá-lo. É erro muito comum o emprego de “morto”, particípio irregular do verbo morrer, por matado, particípio do verbo matar.
Se substituirmos morto por morrido, ambos particípios do verbo morrer, teríamos a frase “O ladrão tinha morrido…”. Mas pode alguém morrer outro? Evidentemente que não. Um indivíduo pode matar outro, mas morrê-lo seria demais. Diga-se, pois: O ladrão tinha matado o homem, antes de roubá-lo.

No quintal, havia um pé de laranjeira
Laranjeira já significa a “árvore de laranjas”. Pé de “fruta” significa árvore que dá tal “fruta”. Diga-se: No quintal, havia um pé de laranja. Pé de laranja é uma catacrese. Ou usamos pé de goiaba ou goiabeira; pé de laranja ou laranjeira, sem misturar.

Janta X Jantar
Janta é derivado do verbo jantar; (O) jantar, substantivo feminino. Exs.: A janta era às 19 horas/ Foram depois para a sala da janta, e ele não falava (José Lins do Rego, Fogo Morto, pág.249). Janta é palavra de uso vulgar, mas de boa formação, não devendo, por isso, ser impugnada. Se de caçar se derivou caça, e de pescar pesca, o substantivo pesca, é perfeitamente lícito de jantar se derive janta.

Dolo (ó) – Incesto (é)
A palavra dolo (ó), a qual significa ato consciente, ou intenção, com que se induz, mantém ou confirma outrem num erro, má-fé, tem o primeiro “ó” bem aberto. Ex.: Não houve dolo (ó) naquela atitude. Incesto (é) significa união ilícita… A pronúncia do ‘e’ aberta. Não tem nada a ver com cesto. No Português contemporâneo essas pronúncias não são seguidas à risca.

Ensinar / Ensinar / Instruir
Convém não confundir. EDUCAR é promover o desenvolvimento das faculdades físicas, morais ou intelectuais de alguém. É dever dos pais e obrigação do Estado. ENSINAR é transmitir conhecimentos a alguém, por meio de lições. É obrigação do professor. INSTRUIR é preparar alguém por um método sistemático, a fim de deixar pronto para agir, para servir à sociedade. É obrigação de cada um de nós.

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato: (088) 99373-7724.

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