Museu Dom José é entregue após restauração e Sobral celebra o reencontro com sua história

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O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entregou na tarde desta quarta-feira (24/06), as obras de restauração do Museu Diocesano Dom José, em Sobral. A cerimônia reuniu autoridades civis, representantes da Diocese, do poder público municipal e a família do fundador, marcando um momento histórico para a cidade e para a preservação do patrimônio cultural cearense.
O investimento de cerca de R$2 milhões, viabilizado pelo Governo Federal por meio do Novo PAC, permitiu a restauração da fachada e das edificações internas, adequação às normas de incêndio, substituição de fiação e tubulações elétricas e adequações de acessibilidade. Considerado o quinto museu do Brasil em arte sacra e arte decorativa, o Museu Dom José reúne mais de 30 mil peças distribuídas em 16 coleções, um acervo que abrange desde a história mundial até a memória sobralense e regional.
O diretor do museu, professor Luís Lira, destacou os desafios da obra. “Hoje uma grande emoção invade a gente. Foram dias difíceis, uma restauração do século 19, que requer cuidados. O Museu Dom José é uma peça fundamental não apenas para Sobral; no nosso acervo nós temos a história mundial, do Brasil, como por exemplo um leque da Princesa Isabel, e então, partimos para a história do Ceará, Sobral e região. Estamos felizes!”, afirmou.
A superintendente do Iphan no Ceará, Cristiane Buco, anunciou uma novidade relevante durante a cerimônia: durante as obras, foram encontrados vestígios arqueológicos no interior do prédio. “Além de todos os vestígios e artefatos que o museu já tem, foram encontrados alguns vestígios arqueológicos que precisamos estudar. Temos no Ceará a coleção de arte sacra mais importante do Brasil. Vocês têm mais elementos que poucas pessoas conhecem — as louças, bules, baixelas, peças inteiras que precisam ter essa visibilidade. Esse é o início de um segundo momento: poder devolver esse prédio e fazer as pessoas conhecerem a sua história”, declarou.
O bispo diocesano de Sobral, Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, ressaltou o valor histórico e educativo do acervo e anunciou que uma reinauguração com o acervo completo exposto será realizada em breve. “O Museu Dom José guarda a história do povo sobralense, do Ceará e de todo o Brasil. Valeu a pena essa espera, e o sentimento é de gratidão. Ele não é apenas uma demonstração de antiguidades, é uma escola da nossa história”, afirmou.
O prefeito de Sobral, Oscar Rodrigues, exaltou o orgulho da cidade pelo seu patrimônio e pelo legado de Dom José Tupinambá da Frota, fundador do museu em 1951. “Sobral é uma cidade de pessoas orgulhosas pelo seu patrimônio e por sua gente. Dom José foi o estruturador da nossa cidade e fez essa bondade para a posteridade sobralense. Estamos aqui estabelecendo as bases para a futura reabertura. São mais de 30 mil itens e agradecemos a todos os envolvidos para que esse momento fosse um marco na vida dos sobralenses”, disse o gestor.
O presidente do Iphan, Deyvesson Israel, mencionou o compromisso do órgão com as políticas culturais do país. “Hoje nós temos uma política cultural forte. Estamos aqui devolvendo esse espaço para a população sobralense. Esse museu tem uma história ímpar, não só para a cidade, mas para todo o Brasil”, concluiu.
Da Diocese de Sobral, além do bispo, estiveram presentes os padres: Ítalo Arcanjo, ecônomo da Igreja particular; Fábio Soares, coordenador do Setor de Patrimônio, e João Paulo, chanceler da Cúria Diocesana. A família do fundador esteve representada na cerimônia pelo Dr. Frota Mont’Alverne. Também destaca-se a presença da Senhora Geovana Mont’Alverne, que dirigiu o museu por 18 anos, e na ocasião também foi homenageada.
A reabertura ao público com o acervo completo exposto será anunciada em data a ser confirmada pela direção do Museu. Mas o que esta quarta-feira já deixou gravado na memória da cidade vai além da argamassa restaurada e das paredes recuperadas: é o reconhecimento de que Sobral não apenas preserva o passado — ela o habita. O Museu Dom José, fundado há 75 anos pelo bispo que deu nome e alma à cidade, volta a respirar como escola viva da história, guardiã de civilizações e espelho de um povo que encontra na cultura a medida de sua grandeza.

Thaís Helena – Jornalista – Jornal Correio da Semana

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