Herculano Costa

No Brasil, estima-se que cerca de 8 milhões de pessoas convivam com o transtorno bipolar, um problema de saúde mental caracterizado por alterações significativas de humor, energia e comportamento.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o transtorno bipolar está entre as principais causas de incapacidade da pessoa, impactando diretamente a qualidade delas. O transtorno bipolar é um problema de saúde mental preocupante, não apenas por causa da perda de qualidade de vida que gera, mas, também, pelos impactos que pode causar ao cérebro. A falta de tratamento adequado para o quadro compromete seriamente a condição física da massa encefálica e pode gerar danos irreversíveis.
Quando uma crise de depressão ou mania acontece, advém a liberação de substâncias no organismo, inclusive naquele órgão mais importante do corpo. Há um prejuízo bem intenso, tanto para as conexões cerebrais, quanto para os neurônios em si. Uma vez que eles sejam destruídos, não podem ser recuperados tão rapidamente. E se isso acontece de maneira prolongada, o resultado é que a estrutura ficará cada vez mais prejudicada. Há, também, um aumento do estresse em todo o organismo. A confusão de sensações e a intensidade emocional exacerbada fazem com que o corpo saia do seu ponto de equilíbrio. Eventualmente, isso determina prejuízos ao cérebro, que não consegue se adaptar a essas mudanças bruscas. De quebra, isso pode embaraçar a memória. Como o hipocampo é prejudicado durante as crises, a fixação das lembranças é mais difícil. Isso acontece porque, segundo pesquisas, a memória é muito sensível às mudanças de humor. Como em pessoas bipolares isso ocorre de forma impetuosa e reiterada, aquela capacidade cerebral se torna danificada. A falta de tratamento adequado ainda faz com que as crises se tornem mais intensas e mais frequentes. Há mais exigência por parte do cérebro, que deteriora cada vez mais conexões neurais. Como se trata de uma doença crônica, o efeito na região também é progressivo. A vida das pessoas com transtornos bipolar pode, quando não diagnosticado e tratado adequadamente, acarretar para o cérebro todos os prejuízos supracitados.
Para esclarecer dúvidas sobre o tema, o psiquiatra do Instituto Maria Modesto, Mateus Nóbrega, explica os principais aspectos da doença, desde os sinais iniciais até as formas de tratamento. De acordo com o especialista, o transtorno bipolar é uma condição psiquiátrica crônica caracterizada por episódios de depressão e de mania. “Na fase depressiva, a pessoa pode apresentar tristeza profunda, desânimo, alterações no sono e perda de interesse por atividades de rotinas diárias. Já na fase maníaca, há aumento de energia, euforia, impulsividade, redução da necessidade de sono e, em alguns casos, comportamentos de risco”, explica.
O psiquiatra ressalta ainda que, oscilações de humor fazem parte da vida, mas no transtorno bipolar elas são mais intensas, duradouras e prejudicam o funcionamento da pessoa. “Não se trata apenas de ‘dias bons ou ruins. Os episódios podem durar dias ou semanas e interferem no trabalho, nas relações sociais e na rotina de vida, sendo muitas vezes desproporcionais aos acontecimentos do dia a dia”, afirma.
O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por um médico, preferencialmente, um psiquiatra. “Não existe um exame laboratorial específico para identificar o transtorno bipolar. A avaliação é feita com base no histórico do paciente, nos sintomas apresentados e, quando possível, com o apoio de familiares”, destaca o especialista. Os psicólogos e psicanalistas também têm papel importante no acompanhamento, mas o diagnóstico e a prescrição medicamentosa são de responsabilidade médica.
Segundo o psiquiatra, o tratamento geralmente envolve o uso de estabilizadores de humor, podendo ser associados a outros medicamentos, além de psicoterapia. “Com o tratamento adequado, é possível controlar os sintomas e proporcionar qualidade de vida ao paciente. A adesão ao tratamento e o acompanhamento contínuo são fundamentais para evitar recaídas”, reforça.
O acompanhamento com especialistas é fundamental para o diagnóstico correto e o tratamento adequado. Cuidar da saúde mental é essencial para viver com mais equilíbrio e qualidade de vida.
Por Herculano Costa – Neuropsicanalista Clínico, especializado em Neuropatologias e em Tratamento de Vícios. N° de Registro CNP 09/4.159. CBO 2515.502002. Decreto N°2.208

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